Ex-ministro vai ao TCU para barrar propaganda ‘criminosa’ de Bolsonaro

Campanha “Brasil não pode parar”, que custou R$ 4,8 milhões aos cofres públicos, incentiva as pessoas a descumprir o isolamento.

Política / 01:10 - 28 de mar de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), ex-ministro da Saúde do Governo Dilma, entrou nesta sexta-feira com uma ação no Tribunal de Contas da União contra o Governo Federal, por conta da campanha publicitária “Brasil não pode parar”, que custou R$ 4,8 milhões aos cofres públicos, e que pedirá que a população interrompa a quarentena e saia às ruas, em meio à pandemia do coronavírus, que já provocou 77 mortes no país, além de 2,9 mil contaminações.

“A atitude de Bolsonaro e de seu ministro de Comunicação é criminosa, porque tenta colocar uma parte da população contra os profissionais de saúde, especialistas e autoridades sanitárias, que estão preocupados em salvar vidas”, explica Padilha, que lembra de uma campanha similar feita pela prefeitura de Milão, na Itália, um dos países mais atingidos pela doença.

“É duplamente criminosa porque ela é quase uma cópia de uma campanha feita pela prefeitura de Milão. E o prefeito de Milão ontem (quinta-feira) pediu desculpas por essa campanha, depois de acumular mortes e caixões. Ela é criminosa porque utiliza recursos públicos que deveriam estar sendo utilizados para comprar máscaras, kits de diagnósticos ou recursos para os hospitais”, aponta.

Para o deputado, Bolsonaro se equivoca quando tenta antagonizar lucro de empresas com a saúde da população. “Ela (a campanha) é criminosa porque tenta fazer uma polarização entre salvar vidas ou a economia. Temos que fazer uma campanha em que o Brasil tem que viver, que a vida não pode parar, que a vida tem que ser preservada, que a vida tem que ser defendida. Por isso, entramos com ação no TCU e vamos entrar com ação popular, para que essa campanha seja proibida e os recursos gastos sejam recuperados.”

Na quinta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) divulgou em suas redes sociais um vídeo da campanha #OBrasilNãoPodeParar. A agência iComunicação, contratada sem licitação, vai receber R$ 4,8 milhões pela criação, segundo a revista Época.

Um valor suficiente para conceder um mês de benefícios de R$ 600 para 8 mil famílias de trabalhadores informais e sem renda fixa durante a crise provocada pela pandemia de coronavírus. Ou para manter 4 mil unidades de terapia intensiva durante um mês.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor