Expectativas de estímulos e dados de inflação no exterior

Wall Street iniciou a semana com ganhos.

Opinião do Analista / 13:56 - 13 de out de 2020

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Ontem foi feriado no Brasil, mas os mercados internacionais operaram, com a maioria dos principais índices globais fechando em alta. Wall Street iniciou a semana com ganhos. Os investidores continuam a aguardar sinais dos estímulos fiscais para impulsionar a retomada da economia americana.

Além da possibilidade de alívio vindo de Washington, com negociações paradas com o imbróglio entre Democratas e Republicanos, a possibilidade de uma vitória Democrata pode acarretar estímulos elevados no começo de 2021.

A Nasdaq teve elevação de 2,56%. O S&P 500 e Dow Jones avançaram 1,64% e 0,88% respectivamente.

Os mercados europeus fecharam majoritariamente em alta. As perspectivas positivas em relação à retomada da economia chinesa e as possibilidades de estímulos nos EUA, mesmo que no começo do ano que vem, contribuíram positivamente para os indicadores da região. O pronunciamento de membros do Banco Central Europeu ratificou os argumentos pró-estímulo para o continente.

Frankfurt e Paris avançaram 0,67% e 0,66%, respectivamente. Milão ganhou 0,63%. Madri permaneceu na estabilidade, em 0,00%, e Londres teve retração de 0,25%.

Como o mercado brasileiro não abriu, uma proxy a ser utilizada é o EWZ, principal Exchange Traded Fund (ETF) negociado em Nova Iorque, com American Depositary Receipts (ADR's) de companhias brasileiras.

Os ativos lastreados em ativos brasileiros tiveram alta juntamente com a alta dos ativos americanos, a despeito da queda nos preços do petróleo. O ETF teve elevação de 1,24%.

O mercado de petróleo teve queda com a volta da produção da maior produtora de petróleo do Líbano e do fim das greves na Noruega. Nos EUA, após a passagem no furacão Delta, as atividades foram retomadas no Golfo do México.

O petróleo Brent teve queda 2,6%, a US$ 41,72, e o WTI teve desvalorização de 2,9%, para US$ 39,43 o barril.

O Bureau of Labor Statistics divulgará os dados referentes à inflação nos EUA por intermédio do IPC e de seu núcleo para o mês de setembro.

Conforme informado por Jerome Powell em seus últimos pronunciamentos, a inflação nos EUA já começa dar sinais de avanço, indicando uma retomada da demanda. O retorno da economia será ainda mais pujante caso os estímulos fiscais complementem a política adotada pelo Federal Reserve, conforme o chairman da instituição argumenta.

Assim, com os indicadores de inflação ao ano, o mercado espera avanço de 1,4% para o IPC e o núcleo, excluindo alimentação e energia, tem expectativa de 1,8%, segundo o mercado.

Ao mês, há perspectiva de menor aceleração em relação ao mês imediatamente anterior. Espera-se avanço de 0,2% no IPC e em seu núcleo.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) publicará seu relatório mensal em relação ao mercado de petróleo, a evidenciar as expectativas e condições para a oferta e para a demanda.

Apesar da economia global se recuperar mais rápido do que o esperado, a demanda pela commodity ainda apresenta fragilidade, o que pode ser uma restrição para a retomada nos níveis de preços.

Assim, medidas de restrição de oferta podem ser consideradas pelos países produtores.

O Departamento do Tesouro Americano trará as informações inerentes às contas públicas para o mês de setembro.

Mesmo com os estímulos feitos como medida de contenção dos impactos da crise ocasionada pela Covid-19, em setembro os agentes esperam redução no déficit orçamentário. Espera-se que o balanço orçamentário americano alcance US$ -124,0 bilhões em setembro, contra -US$ 200 bilhões em agosto.

O Office of National Statistics do Reino Unido publica os números referentes ao mercado de trabalho.

Tendo em vista a retomada no número de casos de infectados pelo coronoavírus no país insular, sendo um dos que alcançam as maiores taxas ao lado da França e da Espanha, os indicadores do mercado de trabalho tendem a ser impactados.

Em setembro, espera-se que o número de desempregados tenha subido, saindo de 73,7 mil para 78,8 mil. A taxa de desemprego, segundo o mercado, tem perspectiva de leve alta, saindo de 4,1% e alcançando 4,3%.

Conforme a elevação no número de infectados pela Covid-19 sobe em seus vizinhos, a Alemanha também tende a sofrer, fazendo com que os agentes continuem cautelosos em relação aos indicadores de inflação.

O mercado espera, mais uma vez, deflação para a economia do país, com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) podendo alcançar queda de 0,2% ao mês e ao ano.

Da mesma forma que há cautela com a inflação, os agentes também consideram leve piora nos indicadores de percepção econômica, os quais podem ser impactados pelas possíveis medidas de lockdown (confinamento) e fechamento de fronteiras.

O índice ZEW de condições atuais tem expectativa de que alcance -60,0 pontos em outubro, saindo de -66,2 em setembro. O índice Zew de Percepção econômica, o qual leva em conta a percepção dos investidores institucionais, também deve registrar queda, saindo de 77,4 pontos e indo para 73.

No Brasil, como segunda-feira foi feriado, o Banco Central publica hoje o Relatório Focus, contendo as expectativas do mercado. Há expectativa para que a previsão do PIB brasileiro para fim do ano continue melhor do que se esperava nas semanas anteriores, haja vista os resultados da pesquisa do comércio, a evidenciar retomada da demanda.

Quanto aos números da inflação, os analistas devem subir suas expectativas com base nos últimos números do IPCA e do IGP-M.

As contas públicas, mediante o cenário de incerteza, também devem continuar com perspectivas de números elevados, o que impacta o dólar, tendo em vista a relação que os números fiscais têm com o risco percebido.

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