Experiência da China inspira desenvolvimento do e-commerce no Brasil

A China pode servir ao Brasil como inspiração para a melhoria da infraestrutura física e digital. Por outro lado, o Brasil pode auxiliar a China com experiências importantes na área de modernização do setor financeiro, agricultura e inovações de instrumentos de mercado no setor de serviços.

Foto tirada em 4 Nov, 2021 mostra Camila Ghattas trabalhando em um parque industrial em Haikou, capital da Província de Hainan, ilha do sul da China. (Xinhua/Yang Guanyu)

Xinhua - Silk Road

Beijing, 13 mai (Xinhua) — Live-commerce, compras em grupo, livestreaming (transmissão ao vivo), serviço de entrega…a empresária brasileira Camila Ghattas se surpreendeu com esses ricos modelos de operação do e-commerce na China, e sentiu uma oportunidade de negócio.

“A China é vanguarda de inovação digital. É de uma forma que o Brasil e a América Latina nem imaginam”, disse Ghattas.

Segundo ela, o mercado do e-commerce brasileiro continua crescendo e o número de compradores online tem aumentado bastante, mas ainda existe uma grande lacuna entre o setor do e-commerce do Brasil e da China. “Podemos aprender com a China em muitos aspectos.”

Ghattas é fundadora e CEO de uma empresa de tecnologia estabelecida em Haikou, capital da província insular de Hainan, no sul da China. Sua empresa se dedica a estudar as estratégias digitais chinesas bem-sucedidas, entre as quais o e-commerce por livestreaming se destaca claramente, e a prestação de serviços de consultoria para empresas latino-americanas.

De acordo com ela, na China, o e-commerce está intimamente integrado às indústrias tradicionais, trazendo uma nova vitalidade a elas. Tanto a China quanto o Brasil têm grandes indústrias agrícolas e de alimentação, mas a China tem muito mais canais para a venda de alimentos. Com o apoio do setor do e-commerce, desde que os consumidores chineses liguem seus telefones celulares, podem comprar ingredientes frescos por meio de vários aplicativos e desfrutar de serviços de entrega porta a porta.

“Levamos essa inteligência para duas empresas brasileiras de venda de alimentos, as ajudamos a lançar seus próprios aplicativos de entrega e abrir novos canais de venda”, disse.

Ghattas acredita que a integração do e-commerce e das mídias sociais é outra característica importante do desenvolvimento do setor na China. Várias plataformas como Taobao, Douyin (TikTok na versão internacional), Meituan etc., não apenas realizam funções sociais, mas também são a arena para a competição do e-commerce.

Sob o impacto da pandemia, o e-commerce acabou sendo uma grande salvação das empresas no Brasil.

Como a primeira plataforma chinesa do e-commerce transfronteiriço que entra no mercado brasileiro, o AliExpress do Alibaba Group, vem recebendo pedidos do Brasil desde sua criação em 2010, e agora se tornou uma das mais importantes plataformas do e-commerce transfronteiriço do Brasil.

Zhu Jilang, diretor do AliExpress nas Américas, disse que no ano passado, o número de usuários brasileiros na plataforma mais que dobrou, e o número de muitas categorias emergentes aumentou mais de cinco vezes.

“Nos últimos anos, a demanda dos consumidores brasileiros por roupas, eletroeletrônicos, eletroportáteis e utensílios de cozinha vem crescendo em um nível de dois dígitos, e esses produtos pertencem a uma parte muito competitiva da fabricação chinesa”, disse Zhu.

Alessandro Golombiewski Teixeira, ex-assessor econômico da Presidência brasileira, disse que os aplicativos chineses têm um excelente desempenho em termos de aceitação no Brasil. Do ponto de vista do comércio internacional e também dos investimentos, Brasil e China podem e devem aprofundar mais as relações econômicas.

“O conceito de Economia de Plataforma é um que a economia brasileira começa a trabalhar. No caso da China, está em um estágio avançado e tem melhorado os elos fracos das diferentes cadeias de suprimento criando um ambiente para inovação. Exemplo disso tem sido o setor de logística, as plataformas do e-commerce. O Brasil pode aproveitar esse desenvolvimento já que o nosso mercado é muito criativo e inovador em tecnologias digitais”, disse ele.

“A China pode servir ao Brasil como inspiração para a melhoria da infraestrutura física e digital. Por outro lado, o Brasil pode auxiliar a China com experiências importantes na área de modernização do setor financeiro, agricultura e inovações de instrumentos de mercado no setor de serviços”, acrescentou. Fim

Leia também:

China apoia fundos de médio e longo prazo para reforçar investimento

Xinhua Silk Road
Agência de notícias oficial do governo da República Popular da China.

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