Explosão na zona portuária de Beirute mata 10 e deixa vários feridos

Explosões surgem poucos dias antes do julgamento dos suspeitos do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, em 2005.

Internacional / 15:15 - 4 de ago de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Uma grande explosão atingiu a região portuária de Beirute nesta terça-feira, causando, pelo menos, 10 mortes, de acordo com a Reuters, e dezenas de feridos - segundo uma fonte da segurança e correspondentes da agência France Presse no local - ao provocar o desabamento de sacadas e quebrar janelas com seu forte impacto.

A agência de notícias estatal libanesa NNA e duas fontes da área de segurança disseram que a explosão ocorreu na área portuária, onde existem armazéns que abrigam fogos de artifício. Não ficou claro de imediato o que causou a explosão ou que tipo de explosivos estavam nos armazéns.

Segundo a emissora local LBC, o ministro da Saúde disse que havia um "número muito alto" de feridos e uma grande quantidade de danos. A emissora de televisão Al Mayadeen disse que centenas de pessoas ficaram feridas.

A zona portuária foi fechada pelas forças de segurança, que apenas deixam passar a defesa civil, ambulâncias e bombeiros.

Segundo a Agência Lusa, as explosões surgem poucos dias antes de ser conhecida, na sexta-feira, a sentença, por um tribunal apoiado pela ONU, no julgamento dos suspeitos do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, em 2005, uma etapa fundamental num longo e caro processo no qual os suspeitos continuam em liberdade.

Os réus, todos membros do movimento xiita Hezbollah, estão sendo julgados à revelia pelo Tribunal Especial do Líbano (TSL), com sede em Haia, encarregado de ditar a sentença 15 anos após o atentado com um carro-bomba, no centro de Beirute. Nele, morreram 22 duas pessoas, entre elas o milionário sunita, que encarnava a era da reconstrução após a guerra civil (1975-1990). A explosão provocou uma bola de fogo no centro de Beirute. As chamas atingiram vários metros de altura e as janelas de prédios em volta estilhaçaram-se num raio de meio quilómetro.

O homem-bomba ao volante da van branca carregada com duas toneladas de explosivos estacionou estrategicamente para esperar a comitiva, que tinha acabado de sair do Parlamento e seguia para a residência de Hariri. Às 12h55, o detonador foi ativado, um segundo após a passagem do terceiro veículo, um Mercedes S600 conduzido pelo próprio Rafic Hariri.

O ex-primeiro-ministro, que se juntou à oposição em 2004, estava entre os 22 mortos. Os guarda-costas também morreram. O estrago foi tanto que levou 17 dias para que o corpo de uma das vítimas fosse encontrado; 226 pessoas ficaram feridas.

O atentado é para muitos libaneses o equivalente ao assassinato do presidente John F. Kennedy para os americanos. O assassinato de Hariri acelerou a história. Provocou uma onda de ódio sem precedentes no Líbano, desencadeando protestos gigantescos que forçaram a Síria a retirar as suas tropas do país alguns meses depois.

Com a saída, o Hezbollah, principal suspeito do assassinato de Hariri, mas que sempre negou estar envolvido, aproveitou para ganhar destaque no cenário político.

A milícia apoiada pelo Irã é a única facção que não abandonou o arsenal militar após a guerra civil.

O país atravessa a sua pior crise econômica em décadas, marcada por uma depreciação da moeda sem precedentes, hiperinflação, demissões em massa e restrições bancárias drásticas, que alimentam há vários meses o descontentamento social.

 

Com informações da Agência Brasil, citando a Reuters, com informações da NNA; e da Lusa, citando a Reuters e a Associated Press

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor