Explosão grega

O suicídio do aposentado grego diante do Parlamento daquele país, numa reação desesperada, contra os reiterados ataques à sobrevivência da população, pode ser a agulha que faltava para deflagrar a Primavera Européia, num movimento análogo ao detonado pelo jovem ambulante tunisiano que ateou fogo ao próprio corpo. Um pequeno trecho da carta deixada por Dimitris Christoulas, de 77 anos, e publicada pelo diário grego To Vima, dá uma amostra do momento vivido pela população do país: “Creio que os jovens sem futuro algum dia vão pegar em armas na Praça Sintagma (em Atenas, onde ele se matou), para pendurar aqueles que traíram a nação, como os italianos fizeram com Mussolini em 1945.”

Dilma acertou
As reações do mercado financeiro e seus porta-vozes na imprensa contra os fortes cortes de juros no Banco do Brasil e, em breve, na Caixa Econômica Federal, não devem intimidar a presidente Dilma. Ao contrário, pela grita dos gigolôs dos juros, a presidente acertou na mão, ao iniciar o processo para fazer com que o Brasil, enfim, após duas décadas, ter juros normais. Sobre o lucro dos bancos públicos, é bom lembrar que, quando a atual administração assumiu o BB, não faltaram corvos do mercado financeiro recomendando que os acionistas se desfizessem dos papéis. Quem rebarbou tal tipo de conselho, embolsou lucros generosos.

Cerco à PF
Com o ibope em alta devido às ações contra acusados de crimes de colarinho branco, a Polícia Federal (PF) tem, no entanto, tido seu atrapalhado afetado pelo corte de cerca de R$ 281 milhões sofrido no orçamento da corporação em 2011. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) fizeram levantamento sobre as limitações provocadas pela mistura de cortes de verbas e falta de pessoal. Os resultados, segundo as associações, são alarmantes: operações paradas, crise no setor de passaportes e falta de segurança nas fronteiras. As entidades advertem ainda que essa situação pode repercutir em problemas com a Copa do Mundo e Olimpíadas

Aparelhamento ameaçado
Responsável pelo combate à corrupção e ao crime organizado, a PF viu o orçamento do Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades fim da Polícia Federal (Funapol), inicialmente previsto em R$ 479 milhões, ser reduzido em 28%. Já os gastos com diárias, transporte, hospedagem e alimentação de policiais federais em missão ou operações oficiais custeados pelo Funapol foram limitados a R$ 58 milhões em 2011, queda de cerca de 35% em relação aos R$ 89,8 milhões usados em 2010.

Burocracia
Para a ADPF, a restrição orçamentária é grave e pode comprometer ações, inviabilizando o planejamento estratégico e o processo de modernização do órgão: “A Polícia Federal possui projetos importantes esquecidos pela burocracia estatal e pela insensibilidade política da área econômica do governo, como a reestruturação das carreiras e a reorganização administrativa das unidades e chefias da Polícia Federal, adicional de provimento nas fronteiras, concursos para admissão de novos servidores policiais e administrativos e o controle migratório nos aeroportos”, destaca o presidente em exercício da ADPF, Bolivar Steinmetz.

À deriva
A decisão do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), de, sem licitação, de passar o controle das Barcas S.A. para a CCR, concessionária da ponte Rio-Niterói, foi duramente criticaa pelo engenheiro Roberto D”Araujo, do Instituto Ilumina: “No mundo da regulação de serviços públicos, isso chega às raias do ridículo, pois uma mesma empresa privada passa a controlar as duas únicas vias de comunicação entre essas cidades”, destacou D”Araujo.
Indignado com a caótica situação dos transportes no Rio e com a postura leniente do governo estadual, o especialista salienta que, “se as agências reguladoras brasileiras fossem eficientes e dotadas de legislação correta, até se poderia aguentar esse absurdo, mas, como sabemos, isso está longe de ser verdade”.

SPC às avessas
O Serasa possui todas as informações de qualquer cidadão brasileiro: CPF, CNPJ, carteira de identidade, endereços residencial e profissional, telefones residencial e profissional, números de telefones de pessoas que servem como referência e mais alguma coisa. Tudo isso, para monitorar o cliente, obrigando a manter seu bom nome junto ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Agora, falar com o Serasa é uma missão impossível. Está na hora de existir mão dupla nessas relações que também se aplicam às prestadoras de serviços (telefonia, gás, água e bancos).

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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