Exportação brasileira de veículos caiu em outubro

Associação do setor diz que se trata de reflexo da falta mundial de componentes enfrentada pela indústria.

As exportações brasileiras de veículos tiveram queda de 14,6% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, com a venda de 29,8 mil veículos. Nos primeiros 10 meses do ano, a comercialização de veículos para o exterior registrou alta de 26,8%, com a venda de 306,8 mil veículos, segundo balanço divulgado ontem pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

A produção de veículos também registrou queda em outubro de 24,8% em comparação com o mesmo mês do ano passado, com a fabricação de 177,9 mil unidades. Entre janeiro e outubro deste ano foram produzidos 1,8 milhão de veículos, um crescimento de 16,7% em relação ao mesmo período de 2020.

Segundo o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, a retração das vendas em outubro é um reflexo das dificuldades enfrentadas pela indústria, como a falta de componentes, em escassez mundial. A previsão é que esses problemas continuem a impactar as atividades do setor até o ano que vem.

“O ano de 2022 continuará sendo de grandes desafios na entrega de semicondutores no setor automotivo”, acrescentou.

Com a volta de algumas fábricas que estavam paradas, outubro teve 177,9 mil autoveículos produzidos, 2,6% a mais que em setembro. Mas na comparação com outubro do ano passado, a queda foi de 24,8%. Geralmente outubro é um mês de produção bastante elevada, para abastecer as lojas na reta final do ano, quando a procura é mais aquecida, mas as limitações de componentes eletrônicos fizeram com que este outubro fosse o pior dos últimos cinco anos.

“Os esforços das áreas de compras, logística e manufatura das montadoras merecem todos os elogios, mas infelizmente a demanda reprimida, somada ao tradicional aquecimento de fim de ano, poderá não ser atendida pela oferta”, afirmou Luiz Carlos Moraes.

Houve leve queda de produção (1,7%) e vendas (5%) para caminhões em outubro, na comparação com setembro, o que indica que a falta de semicondutores também começa a afetar este segmento que vinha em alta desde a metade do ano passado. Por terem volumes de produção menores do que os automóveis, os caminhões ainda não tinham sido fortemente impactados pela falta de itens eletrônicos até então.

Com todos os problemas nas linhas produtivas, houve aumento do nível de emprego ao longo de 2021, com 1.402 novas vagas nas fábricas de autoveículos – são 102.625 funcionários diretos, sem contar os das fábricas de máquinas agrícolas e de construção. “Nossa indústria faz o possível e o impossível para garantir os empregos, sempre na expectativa de uma reação do mercado. Esperamos responsabilidade de todos os agentes públicos para que em 2022 haja uma melhoria no ambiente geral de negócios, a despeito de ser um ano eleitoral”, concluiu Luiz Carlos Moraes.

 

Com informações da Agência de Notícias Brasil-Árabe

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