

A guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e seus desdobramentos no Oriente Médio não deverão afetar as exportações da Petrobras para a Índia, China e Coreia, que não utilizam rotas que estejam ameaçadas pela guerra no Oriente Médio.
A análise foi feita nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, pelo diretor de Logística, Comercialização e Mercados da companhia, Claudio Romeo Schlosser, durante coletiva à imprensa sobre os resultados da estatal em 2025, anunciados na quinta-feira (5). “Não vejo risco à exportação de petróleo”, disse Schlosser.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, por sua vez, admitiu que o cenário é de extrema volatilidade, com o preço do petróleo tanto podendo atingir US$ 180 o barril, como US$ 53 o barril. Segundo ela, a Petrobras tem que ser resiliente para enfrentar qualquer cenário que possa acontecer.
Magda comparou o momento atual externo com o da epidemia da Covid-19, quando houve corrida da população aos supermercados diante da ameaça de faltar papel higiênico, o que acabou não ocorrendo. Segundo ela, não há lógica econômica nenhuma na possibilidade de o botijão de gás de cozinha, por exemplo, atingir preços extraordinários.
“É especulação. Se todo mundo correr para comprar, vai aumentar o preço”, disse. E recomendou: “Vamos viver um dia depois do outro, com a noite no meio”.
Segundo Schlosser, a importação de óleo específico para a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) a cada três meses, da ordem de 100 barris/dia, poderá ser feita pelo Estreito de Ormuz, pelo Mar Vermelho ou por porto no norte do Mar Mediterrâneo, razão pela qual avaliou que a “previsão é sem risco”. Schlosser não está vendo nenhuma ameaça do conflito à importação.
Lucro líquido da Petrobras em 2025 aumentou 3x
O lucro líquido da Petrobras em 2025 chegou a R$ 110,1 bilhões (US$ 19,6 bilhões). O valor ficou um pouco abaixo da projeção feita pelo Ineep (R$ 125 bilhões), mais representa um aumento de 200% em relação a 2024 (R$ 36,6 bilhões).
Apesar da queda de 14% no preço médio do contrato de petróleo Brent no ano, o Fluxo de Caixa Operacional, gerado pelas operações regulares durante o ano, atingiu R$ 200 bilhões (US$ 36 bilhões), impulsionado pelo aumento de 11% da produção total de óleo e gás no período.
A Petrobras investiu R$ 112,9 bilhões (US$ 20,3 bilhões), com foco em projetos do segmento de Exploração e Produção. Foram pagos R$ 277,6 bilhões em tributos, participações especiais e royalties à União, estados e municípios no último ano.
“O ano de 2025 foi extraordinário em termos de produção. O aumento do volume de óleo e gás nos permitiu compensar os efeitos da queda do Brent e alcançar resultados financeiros robustos. Isso reflete nossa capacidade de entregar mais com menos recursos, otimizando projetos e antecipando operações que geram valor para nossos acionistas e para a sociedade. Nossos resultados não são apenas números: eles se traduzem em energia, geração de riqueza, empregos, impostos e retorno para a sociedade”, declarou Magda Chambriard, presidente da estatal.
Outro fator que influenciou o lucro líquido em 2025 foi a variação cambial, refletindo a valorização do real frente ao dólar. Desconsiderando este e outros eventos exclusivos no período, o lucro líquido foi de R$ 100,9 bilhões (US$18,1 bilhões). Já o Ebitda ajustado, sem os eventos exclusivos, chegou a R$ 244,3 bilhões (US$ 43,8 bilhões). Além do impacto positivo da produção, o Ebitda foi favorecido pela redução das despesas operacionais.
A dívida bruta encerrou o ano em US$ 69,8 bilhões, impactada principalmente pela adição de afretamentos que compõem a dívida por determinação de norma contábil. Esse ano entraram em operação os FPSOs afretados Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, e Alexandre de Gusmão, no campo de Mero.
“Os resultados de 2025 comprovam a consistência da nossa estratégia, baseada em disciplina de capital, aumento de produção e eficiência operacional. Mesmo em um cenário de forte queda do Brent, geramos R$ 200 bilhões de caixa operacional no ano. Continuamos a apresentar um fluxo de caixa robusto, apoiado por projetos de qualidade que ampliam a produção, com alto retorno e rápida geração de caixa. Essa combinação sólida cria valor e garante benefícios duradouros para a sociedade brasileira e para os nossos acionistas”, afirma Fernando Melgarejo, diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores.
Dividendos
O Conselho de Administração da Petrobras autorizou o encaminhamento à Assembleia Geral Ordinária (AGO) da proposta de distribuição de remuneração aos acionistas no montante de R$ 8,1 bilhões relativa ao quarto trimestre de 2025, conforme fórmula estabelecida na Política de Remuneração aos Acionistas da Companhia. Os valores serão pagos em maio e junho de 2026.
Durante o ano de 2025, foram distribuídos R$ 45,2 bilhões em proventos, sendo R$ 17,6 bilhões para o Grupo de Controle. A Petrobras recolheu R$ 227,6 bilhões em tributos à União, estados e municípios em 2025.
A companhia destinou cerca de R$ 2 bilhões em investimentos socioambientais voluntários e obrigatórios, patrocínios e doações no último ano.
Com informações da Agência Brasil















