Exportação de sucata ferrosa manteve-se alta em julho

Setor teme redução ainda maior dos ganhos com decisão do STF, que retoma a cobrança de PIS e Cofins nas vendas de recicláveis.

As exportações de sucata ferrosa, insumo usado na composição de aço pelas usinas siderúrgicas, ficaram estáveis em julho em relação ao mês anterior, totalizando 45.082 toneladas, mas em patamar ainda elevado neste ano. Em comparação a julho do ano passado, cujo volume de exportação foi de 76.460 toneladas, houve uma queda de 41,04%, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

As importações, por sua vez, continuam em ritmo de redução neste ano, embora em julho tenham superado um pouco as 11 mil toneladas, porém, bem abaixo dos números de janeiro a abril, quando em todos esses meses foram superiores a 35 mil toneladas. O pico foi em fevereiro, quando ultrapassou 63 mil toneladas.

O bom volume de exportações desde junho, após um período de retração no primeiro trimestre, se deve principalmente às baixas nos preços pagos pelas usinas siderúrgicas no Brasil, segundo Clineu Alvarenga, presidente do Instituto Nacional das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Inesfa).

“As siderúrgicas brasileiras com características de oligopsônio (poucos compradores), reduzem os preços, restando como opção os mercados conquistados fora do país, alternativa fundamental para garantir a subsistência da cadeia da reciclagem que há décadas vem sendo essencial ao meio ambiente e para o sustento de milhares de pessoas”, diz Alvarenga.

Conforme dados da S&P Global Platts, as siderúrgicas estão com bons estoques de sucata e, com isso, vêm pressionando pela redução do preço das matérias-primas. Conforme uma fonte do mercado, desde julho, houve cortes de preços de até R$ 400 por tonelada, dependendo do fornecedor.

Além disso, a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou inconstitucional o artigo 48, da Lei 11.196/2005, derrubando a isenção do PIS/Cofins nas operações de venda de materiais recicláveis à indústria de transformação, existente há 15 anos, tende a desestimular o ciclo da cadeia produtiva e impactar na coleta e comercialização de insumos com possíveis novas baixas de preços.

“Caso não haja reversão dessa decisão, teremos enorme retrocesso na reciclagem e na preservação do meio ambiente, trazendo enormes prejuízos às empresas e principalmente aos catadores. Com a pandemia, estimamos em mais de 1 milhão de pessoas no território nacional que fazem da coleta e comercialização de recicláveis, muitas vezes a única fonte de trabalho e renda”, afirma Alvarenga.

A expectativa é que as exportações de sucatas ferrosas continuem em ritmo crescente, porém, abaixo da média anual de 2019 e 2020. As empresas processadoras seguem priorizando o mercado interno nas vendas de sucata, destinando mais de 90% da produção às usinas siderúrgicas locais, conforme o Inesfa.

O consumo de sucata no Brasil vem reagindo desde o final do ano passado, puxado pela forte retomada da indústria da construção civil e maior demanda por aço, podendo superar 9 milhões de toneladas neste ano, 13,1% acima de 2020, que fechou em 7.957 milhões de toneladas, muito próximo do estimado nos cálculos do Inesfa. “Apostamos em um ano melhor, mas ainda distante do pico de 2013, em que foram consumidas 11,171 milhões de toneladas”, diz Alvarenga.

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