Exportações do agronegócio somam US$ 96,8 bi em 2019

O total exportado foi 4,3% menor em comparação ao volume de 2018.

Negócios Internacionais / 17:54 - 13 de jan de 2020

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As vendas externas do agronegócio somaram US$ 96,8 bilhões no ano passado, representando 43,2% do total exportado pelo Brasil, segundo a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em 2018, a participação do agronegócio nas exportações totais do país era 42,3%. Os destaques foram milho, carnes e algodão, que lideraram as exportações agrícolas. O milho registrou volume recorde de exportação, com 43,25 milhões de toneladas. O recorde anterior foi registrado em 2017, com 29,25 milhões de toneladas do cereal exportadas.

O total exportado foi 4,3% menor em comparação ao volume de 2018. “Tal redução ocorreu em função da queda do índice de preço das exportações do agronegócio brasileiro, que caiu 6,9% em 2019. Essa queda foi compensada pela elevação de 2,7% no índice de quantum das exportações, ou o equivalente ao incremento de 2,7% no volume exportado em 2019”, diz nota técnica da Secretaria.

A produção de milho na safra 2018/2019 também foi recorde, somando 100 milhões de toneladas, gerando um excedente exportável de milho de praticamente 20 milhões de toneladas em relação à quantidade exportada em 2018. Com o volume comercializado no exterior (+88,5% em 2019 na comparação com 2018), as exportações de milho atingiram US$ 7,34 bilhões em 2019 (+ 87,4%). Já a soja teve redução de quase 10 milhões de toneladas nos embarques. Queda que foi compensada em parte pelas vendas das carnes (bovina, suína e de frango), milho e algodão.

As vendas externas das carnes passaram de US$ 14,68 bilhões em 2018 para US$ 16,52 bilhões em 2019, alta de 12,5%. O impacto da peste suína africana em diversos países, principalmente no rebanho chinês, ajudou no incremento das exportações brasileiras de carnes. A carne bovina foi a principal carne exportada pelo Brasil, com US$ 7,57 bilhões em vendas externas no ano de 2019 (+15,6%). Este valor é recorde para toda a série histórica. O volume exportado de carne bovina também foi recorde, atingindo 1,85 milhão de toneladas.

A China se tornou o principal país importador de carne bovina brasileira, responsável por 26,8% do volume total exportado. Com isso, ultrapassou a região administrativa especial de Hong Kong, que ficou na segundo posição, com 18,6%.

O destaque do setor de fibras e produtos têxteis foi para o aumento das vendas de algodão não cardado nem penteado, que subiram de US$ 1,69 bilhão em 2018 para US$ 2,64 bilhões em 2019 (+56,5%)

 

Exportações de carne suína batem recorde

As vendas de carne suína do Brasil (considerando todos os produtos entre in natura e processados) alcançaram volume recorde em 2019, de acordo com números revelados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Ao todo, foram embarcadas 750,3 mil toneladas ao longo dos 12 meses do ano passado. O saldo é 16,2% superior ao registrado em 2018, quando foram embarcadas 646 mil toneladas.

Apenas em dezembro, foram embarcadas 76 mil toneladas, volume 35,1% maior em relação ao mesmo período de 2018, com 56,2 mil toneladas. É o maior embarque mensal já registrado na história do setor. Em receita, o saldo das vendas alcançou US$ 1,597 bilhão, número 31,9% maior que o resultado de 2018, com US$ 1,2 bilhão. Em dezembro, as vendas chegaram a US$ 183,6 milhões – maior saldo mensal já alcançado pelo setor.

As vendas para a Ásia – região fortemente impactada por focos de Peste Suína Africana (PSA) – foram o grande impulso das exportações de 2019. A China, que assumiu o primeiro lugar nas importações já no primeiro mês do ano passado, importou 248,80 mil toneladas, volume 61% superior ao total embarcado em 2018.

 

Anfavea prevê recuo nas exportações

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estima que o setor registre, este ano, um aumento de 9,4% na venda de veículos novos. A projeção é de que 3,05 milhões de unidades, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus sejam licenciados. No ano passado, o volume foi de 2,79 milhões.

Quanto às exportações, a perspectiva é de recuo. Para 2020, a remessa deve se aproximar de 381 mil veículos, ante os 428 mil registrados no ano passado. “Ainda é lento, mas a gente tá vendo alguns sinais, e isso pode ajudar a retomar o consumo”, disse o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

Estamos muito conservadores com a exportação. A gente não está vendo, pelo menos a curto prazo, a retomada”, acrescentou, argumentando que o país “é muito dependente da Argentina” em relação à comercialização no exterior e que não vê nada que possa tornar o cenário mais favorável nesse sentido.

Segundo Moraes, o Brasil tem chances de se estabelecer como sexto maior mercado automotivo, este ano. Ao avançar no ranking, em que ocupa o oitavo lugar, ultrapassaria a França e o Reino Unido. Em relação à produção para este ano, o volume deve chegar a 3,16 milhões. Em 2019, as montadoras fabricaram 2,94 milhões de unidades. A alta é de 7,3%, nesse caso.

 

Couromoda abre com expectativas positivas

O setor calçadista brasileiro se prepara para mais uma edição da Couromoda, feira que apresentará mais de 2 mil coleções de calçados, bolsas, acessórios e confecções para a estação Outono/Inverno 2020 a um público estimado em mais de 32 mil visitantes. O evento, que acontecerá entre os dias 13 e 15 de janeiro, no Expo Center Norte, em São Paulo/SP, receberá o Projeto Comprador Vip, realizado por meio do Brazilian Footwear, programa de apoio às exportações de calçados mantido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que a Couromoda tem um papel fundamental para o setor calçadista. “Por ser a primeira grande feira do ano, além de servir como um termômetro de vendas, auxilia na tomada de decisões para o restante do período”, avalia.

Segundo o dirigente, o fato de entrar o ano de 2020 com a Reforma Previdenciária em vigor, bem como o encaminhamento da Reforma Tributária, é motivo de otimismo para a recuperação do setor calçadista brasileiro. “O mercado, impulsionado pelo consumo, está dando indícios de retomada da confiança, o que deve gerar investimentos e fazer com que a roda da economia volte a girar. Existe uma expectativa de recuperação mais substancial para 2020, o que deve ser refletido já na Couromoda”, projeta.

Para o ano que inicia, a expectativa da Abicalçados é de um crescimento entre 2% e 2,5% na produção de calçados, atualmente na casa de 950 milhões de pares. “Diferentemente de 2019, o crescimento deve ser puxado pela recuperação do mercado doméstico, que absorve 85% das vendas do setor”, acrescenta Ferreira.

O Projeto Comprador Vip da Couromoda 2020 traz para a mostra o grupo sul-africano Polo South Africa, que possui 20 lojas e está presente em mais de 300 lojas multimarcas na África do Sul. A analista de Promoção Comercial da Abicalçados, Paola Pontin, ressalta que, atualmente, o grupo importa seus calçados da China, mas que vem ao Brasil na busca de alternativas ao produto asiático.

 

Vendas para países árabes crescem 8%

A exportação brasileira aos países árabes cresceu 8% de janeiro a novembro deste ano sobre o mesmo período de 2018 e gerou US$ 11,3 bilhões. As informações foram compiladas pelo Departamento de Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, com base em dados do Ministério da Economia. Análise feita pela Câmara Árabe destaca que esse crescimento ocorreu na contramão do movimento registrado na exportação brasileira como um todo no período, que recuou 6,4%. Nos primeiros 11 meses deste ano, os países árabes juntos se mantiveram como terceiro principal destino das exportações brasileiras.

Os principais produtos que o Brasil vendeu para o mercado árabe foram a carne de frango, que respondeu por 19% do total exportado, seguido pelo açúcar (foto acima), com 18%, pelo minério de ferro, com 15%, carne bovina, com 10%, e milho, com 9%. Como vem ocorrendo nos últimos anos, a pauta permaneceu atrelada a commodities agrícolas e minerais.

 

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