Exposição

Os mercados de derivativos de crédito, estimados em cerca de US$ 12,4 trilhões de dólares  dobram de tamanho a cada ano e se constituem risco à saúde financeira do planeta. Os riscos estão altamente concentrados, principalmente nos EUA, onde os dez maiores bancos do país estão comprometidos com contratos de derivativos que equivalem a 175% das suas reservas financeiras.

Maus registros
Precursor dos estudos etnometodológicos, o sociólogo estadunidense Harold Garfinkel não raro esbarrou no déficit de material empírico para levar a bom termo sua pesquisas baseadas em técnicas etnográficas, que exploram mais a realidade social a partir dos locais nos quais se dão a produção, as trocas, a oferta e a procura por fatos científicos, do que o método sociológico que dava maior relevo aos aspectos macrossociais. Longe de permitir que esse empecilho paralisasse suas pesquisas, Garfinkel observou, com argúcia, que a qualidade dos registros também nos ajuda a compreender o funcionamento das instituições.
Longe de ser uma peça do interacionismo simbólico de Garfinkel, o relatório do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) apresentado à CPI dos Correios também informa ao país mais sobre o funcionamento das instituições nacionais pelo não-dito do que pelas questões apontadas. Não que o documento de Serraglio não seja contundente em relação à ex-cúpula petista e na denúncia da farsa do álibi dos “recursos não-contabilizados”. Tampouco, a omissão mais grave é a refugada na hora de apontar a responsabilidade do chefe.
O mais revelador é a não-articulação entre os meios e os fins. A montagem do mensalão não esteve, ou pelo menos não esteve prioritariamente, a serviço do enriquecimento de pessoas físicas, crime já por si inominável. Sua modelagem, porém, atendeu a intenção mais perversa socialmente: “arregimentar apoio$” para aprovar políticas antagônicas às que levaram Lula e o PT ao poder. E nesse sentido, por adesão, omissão ou covardia política, contou com o apoio de boa parte do Congresso. Vem daí a interdição a que o relatório de Serraglio produzisse a mais contundente condenação à política econômica, que, derrotada nas urnas, foi adotada pelo governo eleito para trocá-la e que, para isso, recorreu aos métodos mensaleiros. Mais uma vez, a ausência de registros indica o funcionamento das instituições.

Montado em petróleo
A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo, superiores às do resto do planeta, revela estudo feito pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos e revelado pela BBC. Reservas de petróleo pesado na região de Orinoco, que não eram contabilizadas porque eram comercialmente inviáveis, passaram a ser levadas em consideração a partir do momento em que o barril de óleo passou de US$ 50, o que tornaria a exploração viável. As autoridades norte-americanas também identificam o Canadá como outra possível superpotência do petróleo no futuro.
A diferença é que o Canadá, além de ser por enquanto apenas um prognóstico, é aliado dos EUA. Já o fortalecimento do presidente venezuelano Hugo Chávez desagrada Bush e Cia.  A venda de petróleo gera cerca de US$ 200 milhões diários à Venezuela – metade dos barris vai para os Estados Unidos. Chávez gasta esses recursos em infra-estrutura, no aumento do salário mínimo e na melhoria dos sistemas de saúde e educação nas áreas mais pobres do país. Até mesmo a oposição admite hoje que Chávez é extremamente popular e será facilmente reeleito na próxima eleição presidencial, em dezembro.

Menos uma
O Banco do Brasil se antecipou à burocracia e resolveu extinguir imediatamente a Taxa de Abertura de Crédito (TAC) para aposentados e pensionistas. A TAC foi extinta por resolução do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira. Mas, para começar a valer, a medida tem de ser regulamentada por uma instrução normativa, que deve ser publicada nos próximos dias.

Alternativa ineficaz
Na análise do vice-presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace), Eduardo Carlos Spalding, mesmo com a exploração máxima das fontes de energia renováveis, como eólica e nuclear, o problema de oferta elétrica não seria resolvido nas suas dimensões necessárias. “Se não explorarmos as fontes energéticas que nos trarão competitividade, poderemos constatar, daqui a 20, 25 anos, que deixaremos um legado muito caro para nossos descendentes”, diz ele, defendendo a energia hidrelétrica.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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