O ministro da Defesa do Brasil, Sr. Geraldo Quintão, realizou, na semana de 26 a 30 de junho do ano passado, uma significativa visita ao secretário de Defesa dos EUA, Sr. William Cohen. A assessoria do Sr. Quintão informa: “Nunca na história Brasil e Estados Unidos tiveram relações tão densas em vários campos de entendimento, reforçadas pela facilidade de diálogo entre os presidentes Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso. É natural, portanto, que o estreitamento seja também estendido ao campo da defesa”. No dia 02 de junho de 2000, a administração brasileira acabou aceitando a assinatura do Protocolo 505, um acordo pelo qual os EUA se comprometem a doar-nos material bélico sucateado, tendo como contrapartida a abertura de nossos quartéis para inspeções regulares (por solicitação de militares nacionalistas, conseguiu-se o favor de que as inspeções sejam feitas em datas pré-agendadas com as Forças Singulares brasileiras). Revive o famigerado Acordo Militar Brasil-EUA.
Representa o retorno à situação anterior vivenciada pelo Brasil, antes do Governo Geisel, quando este promoveu o rompimento do então vigente acordo militar Brasil-EUA. Além disto, logo depois da visita, em passado recente, do mesmo Sr. Cohen ao país, foi criado o ministério da Defesa no país, comandado ainda por um civil, por imposição dos EUA, com a extinção do Emfa e dos ministérios militares, reduzidos agora a Comandos. Também foi implementada a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), diretamente subordinada à Presidência da República, pois os americanos exigem a intervenção direta do presidente da República, no relativo ao combate às drogas, bem como a campanha de desarmamento radical da população digna e de bons costumes.
Outros 86 países já são signatários do Protocolo 505, sendo o Brasil a 87ª nação. Falta ainda a aprovação do Congresso, porém como o atual Legislativo está sob controle total do Executivo, não é difícil prever que será aprovado. É óbvio que se cria assim um incentivo à indústria bélica dos EUA, pois o material doado será reparado, de tempos em tempos, criando assim um mercado cativo para os irmãos do Norte. Ainda fazem parte da pauta de reuniões, além de operações de paz, o combate a crimes transnacionais e cibernéticos e a formação de quadros civis para compor a estrutura militar brasileira. Agora entendemos melhor as razões da campanha pela anulação da Escola Superior de Guerra (ESG). Os futuros quadros civis brasileiros deverão ser formados sob orientação do “National Defense University”.
Depois do domínio econômico, vimos a crescente influência da língua, da cultura, na expressão psicossocial brasileira. Na Espanha, por exemplo, as palavras são traduzidas para a língua pátria, até no McDonald”s. No Brasil é “drive thru” mesmo. Na Saúde, perdura o caos. A assistência pública é incapaz de atender aos pacientes sem recursos e os planos particulares de saúde começam a falir, como era esperado. Na Educação, prepara-se a privatização das Universidades Públicas. A Previdência continua a ser destruída, esforçando-se a administração FH em retirar todos os direitos adquiridos dos trabalhadores, obtidos duramente ao longo de décadas. Na segurança pública, a vergonha definitiva. A rebelião sincronizada, comandada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), representa o “tiro de misericórdia” nos “responsáveis” pela segurança pública em São Paulo e no Brasil. Até o dia anterior, as autoridades afirmavam que o PCC não existia, sendo fruto da imaginação nos neobobos. Os presidiários mostraram-se mais organizados que os órgãos de segurança. Alguém precisa avisar ao senador José Roberto Arruda, líder do governo no Senado, que, antes de propor o desarmamento civil dos cidadãos dignos e de bons costumes, seria interessante ele aprovar um projeto, que seja cumprido, de desarmamento dos marginais e presidiários.
Na expressão política, o sistema financeiro internacional continua a eleger e derrubar presidentes e outros menos votados. O Congresso demonstra, com os últimos episódios, o grau de corrupção acentuada e sua tibieza. Deputados mudam de partido em troca de benesses diretas e indiretas. Os eleitos são perfeitos representantes do nosso Legislativo. Era de se prever que a influência chegaria à expressão militar. O percentual de gastos com defesa em relação ao PIB cai para 1,6%, sendo que 1,2% para atender a despesas de pessoal. Sobra apenas 0,4% para cobrir custos de adestramento e aprestamento. E a mídia amestrada silencia. Denunciavam que, na época do regime dito militar, o Brasil era colônia dos EUA. Agora, quando os neoesquerdistas estão no poder, nunca houve uma influência tão impositiva dos EUA sobre o Brasil como no momento.
A solução principia em pressionar o Congresso para evitar a aprovação de tal Protocolo e lutar, passo a passo, pelo resgate da pátria perdida.
Marcos Coimbra
Professor Titular de Economia na Universidade Candido Mendes, Professor na UERJ e Conselheiro da ESG. Correio eletrônico: [email protected]. Site: www.brasilsoberano.com.br















