

Populista, de extrema direita e admirador de Trump, Javier Milei, de 52 anos, foi o mais votado ontem nas eleições Primárias Internas Simultâneas e Obrigatórias (Paso) na Argentina, destinadas a escolher os candidatos presidenciais às eleições gerais de outubro no país. Segundo a Agência Brasil, citando a Reuters, “com cerca de 92% das urnas apuradas, Milei obteve cerca de 30% dos votos totais, de acordo com os resultados oficiais, muito acima do previsto.”
Ainda segundo a agência, “na principal coligação da oposição, Juntos pela Mudança, os eleitores também pareciam estar dispostos a deslocar-se mais para a direita, uma vez que a antiga ministra da Segurança, Patricia Bullrich, derrotou com facilidade um candidato mais centrista, o presidente da Câmara de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta. A coligação governamental União pela Pátria foi derrotada pelos eleitores devido à crise econômica, ficando em terceiro lugar no total de votos.
O ministro da Economia, Sergio Massa, tornou-se o candidato presidencial da coligação, derrotando facilmente o esquerdista Juan Grabois.
Nesta segunda-feira, os mercados da Argentina amanheceram enfraquecidos após a vitória de Milei. O banco de investimentos JP Morgan projeta “pressão crescente sobre a taxa de câmbio, resultando em diferença cada vez maior entre a taxa de câmbio paralela e oficial”.
Já segundo “O Globo”, durante a madrugada, o peso teve forte desvalorização no mercado de criptoativos, que é um termômetro tênue do desempenho da moeda pois registra pouco volume de negociações
“Os mercados argentinos devem ter um dia de turbulências nesta segunda-feira, após as primárias das eleições presidenciais no país apontarem a vitória do candidato de extrema direita Javier Milei, que tem como plataforma econômica dolarizar o país e fechar o Banco entral. Durante a madrugada, negociações em mercados de criptoativos apontavam para uma queda de até 15% do peso frente ao dólar. Na semana passada, a moeda americana superou o patamar de 600 pesos no mercado paralelo.”
Nesta segunda-feira, o Banco Central da República Argentina (BCRA) ordenou um novo aumento de 21 pontos percentuais na taxa básica de juros, que passou de 97 para 118%, em meio ao aumento no preço do dólar oficial.
“A autoridade monetária considera conveniente reajustar o nível das taxas de juro dos instrumentos de regulação monetária, em linha com a recalibração do nível da taxa de câmbio oficial” informou.
O dólar oficial no segmento de varejo, ou seja, para venda ao público, subiu nesta segunda-feira mais de 65 pesos, segundo a cotação refletida pelo Banco Nación, após as eleições primárias de domingo em que venceu a opção liberal.
Segundo a lousa do Banco Nación, o dólar oficial abriu o dia em 365,50 pesos por unidade, o que representa um aumento de 22 por cento.
O BC do país indicou que o aumento das taxas também se deve aos “efeitos de ancorar as expectativas cambiais e minimizar o grau de transferência aos preços, tendendo a retornos reais positivos dos investimentos em moeda local e favorecendo a acumulação de reservas internacionais. O BCRA continuará monitorando a evolução do nível geral de preços, a dinâmica dos mercados financeiro e cambial e dos agregados monetários com o objetivo de calibrar sua política de taxas”, concluiu.
Embora o primeiro turno do pleito ocorra somente em 22 de outubro, o Paso é visto como um termômetro da popularidade dos postulantes ao cargo máximo do país.
Segundo o Portal Investing.com, “o atual presidente, o peronista Alberto Férnandez, desistiu da busca pela reeleição após as taxas de desaprovação de seu governo oscilarem entre 75% e 85%. A impopularidade de Fernández é resultado da deterioração econômica na Argentina, com uma taxa de inflação anual acima de 100%, risco de calote na dívida com o FMI e falta de dólares que fez disparar a taxa de câmbio. A maior seca dos últimos 100 anos, junto com os desdobramentos globais da pandemia -, intensificou a crise econômica. A Argentina tem na agricultura parte importante da sua pauta de exportações, especialmente, cereais como trigo, milho e soja.”
O quadro econômico deteriorado, somado com aumento da pobreza e crescente elevação dos índices de violência, tornam a eleição presidencial de 2023 entre as mais incertas nos últimos 20 anos. A disputa entre os candidatos nas primárias contribui para a falta de clareza no cenário, além de um percentual elevado de indecisos e da menor adesão nas eleições regionais entre fevereiro e junho em relação às anteriores.
(Matéria atualizada às 16h45)
Com informações da Agência Brasil, citando a Reuters; d’O Globo e da Agência Xinhua
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