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segunda-feira, janeiro 25, 2021

Fábrica de coxinhas

É açodada a análise sobre estudo elaborado pelo pesquisador Marc Morgan de que a concentração de renda aumentou no Brasil no período 2001 a 2015 – praticamente durante a era PT. Integrante da Escola de Economia de Paris, Morgan fez a pesquisa dentro do marco teórico dos trabalhos de Thomas Piketty. Os números são claros ao mostrar que a fatia na renda brasileira dos 50% mais pobres passou de 11% para 12% (aumento de 1 ponto percentual, ou quase 10%), alta basicamente puxada pelo aumento do salário mínimo, mais do que por programas tipo Bolsa Família. Já a parte dos 10% mais ricos também cresceu 1 ponto, de 54% para 55%, o que representa menos de 2%.

Porém, a estrutura desigual da sociedade brasileira fez com que os 10% mais ricos ficassem com 60,7% do aumento da renda nacional – e aí neste grupo não está apenas a nata dos rentistas, mas também a elite dos funcionários públicos, empresários e profissionais liberais em geral. Os 50% mais pobres levaram 17,6% do aumento da renda. E aí, sim, vai uma crítica à política do PT, que não enfrentou, com os mecanismos que dispunha – por exemplo, alteração da tributação da renda – a desigualdade. Tanto que o 1% mais rico viu sua parcela na renda nacional passar de 25% para 28%.

Quem perdeu? A classe intermediária, 40% da população, que ficou espremida e viu sua participação na renda nacional cair de 34,4% para 32,4% de 2001 a 2015. De acordo com o estudo, a queda se deve ao fato de que essa camada da população não se beneficiou diretamente das políticas sociais e trabalhistas dos últimos anos nem pôde tirar proveito dos ganhos de capital (como lucros, dividendos, renda de imóveis e aplicações financeiras), restritos aos mais ricos.

 

Agressão

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) condenou a agressão sofrida pela repórter fotográfica Isadora Neumann, do jornal Zero Hora, quando fazia cobertura de protesto, na noite de terça-feira, contra o fechamento da exposição Queermuseu: Cartografia da Diferença na Arte Brasileira, em Porto Alegre. Integrante da Brigada Militar disparou spray de pimenta contra a fotógrafa, “em flagrante desrespeito à atividade jornalística”.

 

Brinde

Foi comemorado nesta quarta-feira o Dia Nacional da Cachaça, bebida que tem como seu segundo maior exportador o Rio de Janeiro que responde por cerca de 13% da receita gerada em exportação no país, o que representa cerca de US$ 1,6 milhão, atrás de São Paulo.

No ano passado, cresceu em 7,87% o volume exportado (8,38 milhões de litros) da cachaça, em comparação a 2015. O resultado representou um aumento na receita de 4,62%, fechando o ano com US$ 13,94 milhões exportados, segundo dados do Instituto Brasileiro de Cachaça.

Porém, a presidente da Associação de Produtores de Cachaça do Estado do Rio de Janeiro (Apacerj), Kátia Espírito Santo, observa que ainda é preciso desenvolver o mercado interno. Ela explica que, apesar de a cachaça fluminense ser de alto padrão, ainda há muito preconceito com a bebida em bares e restaurantes.

 

Revolta

A cachaça é um produto típico brasileiro relevante para economia desde os tempos coloniais. Seu consumo levou à redução da compra da bagaceira, produzida por Portugal, que proibiu a fabricação e a venda da cachaça em todo o território brasileiro, em 13 de setembro de 1649. Os proprietários de cana-de-açúcar e alambiques, indignados, se revoltaram em 1661, também em 13 de setembro, e tomaram o poder no Rio por cinco meses deflagrando a Revolta da Cachaça, um dos primeiros movimentos de insurreição nacional.

 

Rápidas

A FGV Direito Rio reúne nesta quinta, na sede na Praia de Botafogo), especialistas para fazer um balanço dos 20 anos da Lei Geral de Telecomunicações. Entre os participantes, o presidente da Oi, Marcos Schroeder *** Até 17 de setembro, o Shopping Grande Rio, em São João de Meriti, será palco do Moda+, evento que selecionou pessoas comuns do dia a dia para desfilar *** O Passeio Shopping (RJ) recebe os dias 14 e 16 a Mostra de Orquídeas, com mais de 2 mil plantas *** Entre 22 e 27 de setembro, a 3RA Intercâmbio, agência especializada no Canadá, promove palestras sobre estudo em Vancouver e Toronto. Será nas cidades de São Paulo e Campinas. Detalhes em 3ra.ca/palestra-sp e 3ra.ca/palestra-campinas *** O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes participa nesta quinta, no Rio, do painel Desafios para o Brasil: Políticas Públicas em um Cenário de Crise Econômica, realizado pelo Diretório Acadêmico da FGV EPGE. Inscrição: www.fgv.br/eventos/?P_EVENTO=3492&P_IDIOMA=0

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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