Fé cega, faca amolada

O mercado financeiro, tão sofisticado e com tantos recursos, muitas vezes se assemelha a um religioso fundamentalista. Ao comentar as...

O mercado financeiro, tão sofisticado e com tantos recursos, muitas vezes se assemelha a um religioso fundamentalista. Ao comentar as eleições brasileiras para uma rádio, a economista Mônica de Boulle, atualmente batendo ponto na Johns Hopkins University, enveredou pelo tema Argentina. Devia ter buscado outro exemplo. O país quebrou nas mãos dos economistas neoliberais, teve que pedir socorro ao FMI e deve amargar uma inflação de 50% este ano.

Pois Mônica defendeu que os problemas no vizinho, que vinham do governo anterior, não foram solucionados porque o presidente Mauricio Macri implementou aos poucos as reformas de sua equipe de ortodoxos. É sempre assim: o programa neoliberal não funciona – e nunca funciona – porque “não fizeram tudo que era preciso”, porque “precisa ir mais fundo nos cortes” e outras desculpas no gênero.

Aí fica mais claro o paralelo com algumas religiões e seitas que prometem o Paraíso na Terra. Quando o fiel não consegue – e nunca consegue – o pastor, contando o dízimo, alega que a culpa é do pobre coitado, que não teve fé suficiente e deve persistir.

Enquanto isso, o mercado segue amolando a faca para fazer cortes – nos direitos dos outros.

 

Pequeno Mozart

Uma série de concertos cujo foco é o empreendedorismo no meio musical e, em especial, a inclusão social através da música é a grande novidade do Música no Museu a partir deste mês, quando o projeto se junta à programação cultural da Casa Firjan, em Botafogo (RJ).

Serão concertos mensais no terceiro sábado de cada mês. A estreia será neste sábado com Os Pequenos Mozart e Amadeus em um programa ressaltando as músicas dos grandes filmes e os musicais da Broadway. A curadoria é de Sergio da Costa e Silva, diretor do Música no Museu. Em 21 anos de atividades, o projeto registra um público de 1 milhão de pessoas no Brasil e no exterior.

 

Desvendando o ‘embromês’

Cessão onerosa no pré-sal – São 5 bilhões de barris de petróleo, entregues pela União à Petrobras, para maior obter participação acionária e como ressarcimento pelos investimentos feitos naquelas áreas de petróleo, descobertas no pré-sal. Para tanto mudou o tipo de contrato de exploração/produção de petróleo existente, o de concessão, passando a adotar os modelos de partilha e de cessão, exclusivamente nas áreas do polígono do pré-sal: as bacias de Campos, Santos e Espírito Santo.

Na partilha, a Petrobras seria operadora de todos os novos blocos exploratórios a serem licitados, com participação de, pelo menos, 30% em cada um. Esta proposição foi incompreensivelmente revogada na Câmara e Senado, após o impeachment de 2016.

Ainda na partilha, todos os potenciais adquirentes dos novos blocos teriam que oferecer à União, além de um bônus em dinheiro, um volume em petróleo que seria tanto maior quão maior for a atratividade do bloco.

No modelo da cessão, a União cedeu à Petrobras, por preço médio predeterminado, o volume de 5 bilhões de barris. Na cessão, a estatal será a única operadora, e os preços pagos têm uma cláusula de revisão, que devem representar a flutuação do preço de petróleo no mercado internacional em determinado período, de modo que o valor pago seja justo e que represente um valor médio do petróleo. As áreas da cessão onerosa compreendem os Campos de Búzios e as acumulações Iara.

 

Estranha omissão

A rocambolesca fake news do câncer de Bolsonaro está ficando cada vez menos fake e mais news. Por que os serviços de conferência dos jornalões ignoram, ou não dão importância, ao fato de que o médico que tratou o candidato é efetivamente oncologista e foi presidente do Conselho de Oncologia do Hospital Albert Eisntein?

 

Rápidas

A ClickSoftware nomeou Morris Menasche seu novo vice-presidente de Vendas para a região *** Dia 30, às 19h, será lançado na Livraria da Travessa de Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572), o livro Círculo (Editora Cassará), de Carlos Batista, que mostra, em poemas, a vida cotidiana em suas nuances e seus percalços *** No dia 31, Sérvulo Mendonca, CEO do Grupo Epicus, será um dos palestrantes do Nibo Conference 2018. O evento, que tem como tema “Transformando o Brasil através do Empreendedorismo Contábil”, será realizado no Transamérica Expo Center (SP). Informações: www.niboconference.com.br *** A justiça eleitoral convocou jornalistas para coletiva nesta sexta-feira com Polícia Federal, Ministério Público Eleitoral e Advocacia Geral da União pra falar de fake news.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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