Fabricante da vacina russa processará Anvisa por difamação

Nesta quinta-feira, o Instituto Gamaleya, da Rússia, fabricante da vacina Sputnik V, anunciou que vai acionar judicialmente a brasileira Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por difamação ao espalhar informações falsas intencionalmente sobre o inoculante. As informações são da agência de notícias estatal russa Sputnik. Na segunda-feira, os cinco diretores da Anvisa, em reunião extraordinária, haviam rejeitado, por unanimidade, a importação e o uso da vacina russa pelo Brasil.

O diretor da Anvisa, Alex Machado Campos, que é o relator do pedido, considerou que o imunizante pode trazer riscos à saúde. Além disso, foram apontadas falhas e pendências na documentação apresentada pelo fabricante, diz ele, que alegou ter se baseado em pareceres técnicos de três gerências da Anvisa, que fizeram uma apresentação no início da reunião.

A deliberação foi marcada dentro do prazo estipulado pela Lei n º 14.124/21, e de acordo com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, que determinou a análise da questão dentro do prazo de 30 dias. Caso não houvesse essa análise por parte da Anvisa, a vacina poderia ser importada.

Antes da votação dos diretores, gerentes de três departamentos da Anvisa apresentaram seus pareceres técnicos contra a compra da Sputnik V. Os relatórios foram incorporados ao voto do diretor-relator, Alex Machado Campos. O voto do relator foi seguido pelos outros diretores da agência.

Segundo a agência de notícias russa, também na segunda-feira, o vice-diretor de Pesquisa Científica do Gamaleya, Denis Logunov, destacou que a Federação da Rússia realiza o controle de série de tudo que é produzido pelo Centro Gamaleya e por outros fabricantes.​

“A Anvisa fez declarações incorretas e enganosas sem ter testado a vacina Sputnik V real. E desconsiderando ofício de Gamaleya Inst. que nenhum RCA está presente, e apenas vetores não replicantes são usados ​​com E1 deletado. Nossa equipe jurídica entrará em contato.”

Segundo Denis Logunov, a Anvisa não solicitou protocolos de controle de qualidade consolidados. Ainda de acordo com a agência de notícias, “na terça-feira, o Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI, na sigla em russo) afirmou que acredita que a decisão da Anvisa de não aprovar a importação da vacina russa contra Covid-19 seja uma decisão política: ‘A decisão da Anvisa de adiar o registro da Sputnik V pode ser motivada politicamente. Isso é confirmado pelos dados do relatório do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA de 2020, que fala abertamente dos esforços do departamento de pressionar as autoridades brasileiras e forçá-las a recusar a compra da vacina russa’, enfatizou o RFPI.”

Nesta quinta, o Brasil recebe o primeiro lote de vacinas da Pfizer. O voo está previsto para aterrissar no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), às 19h.

As doses serão distribuídas aos 26 estados e ao Distrito Federal. Segundo o Ministério da Saúde, a orientação é que sejam priorizadas as capitais devido às condições de armazenamento da vacina, que exige temperaturas muito baixas.

Conforme o Ministério da Saúde, os entes federados receberão de forma proporcional e igualitária. Os frascos serão entregues em temperaturas entre -25ºC e -15ºC, cuja conservação pode ser feita apenas durante 14 dias. Após entrar na rede de frio, com temperaturas de armazenamento entre 2ºC e 8ºC, o prazo para aplicação é de cinco dias.

Por essa razão, o ministério informou que enviará duas remessas diferentes. Cada uma delas terá 500 mil doses e será referente, respectivamente, à primeira e segunda doses que cada cidadão deverá receber.

 

Com informações da Agência Brasil e da Agência Sputnik

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