Falência de pequenas empresas ameaça dobrar desemprego

A pandemia atingiu especialmente as pequenas e médias empresas, em parte porque são predominantes em alguns setores de contato intensivo, como hotéis, restaurantes e entretenimento. Como resultado, muitas economias avançadas correm o risco de experimentar uma onda de liquidações que pode destruir milhões de empregos, prejudicar o sistema financeiro e enfraquecer uma recuperação econômica já frágil, alertam os pesquisadores do Fundo Monetário Internacional (FMI) Federico J. Díez, Romain Duval, Chiara Maggi e Nicola Pierri, em artigo.

Pesquisa do corpo técnico do FMI aponta que a pandemia elevará a participação de pequenas e médias empresas insolventes de 10% para 16% em 2021 em 20 economias na Europa e na região da Ásia-Pacífico. Para comparar, o efeito terá magnitude semelhante ao aumento das liquidações nos 5 anos após a crise financeira global de 2008, mas ocorreria em um período muito mais curto.

“As insolvências projetadas colocam em risco cerca de 20 milhões de empregos (ou seja, mais de 10% dos trabalhadores empregados por pequenas e médias empresas), quase o mesmo que o número total de trabalhadores atualmente desempregados, nos países abrangidos pela análise.”

Os pesquisadores advertem para o risco que tais insolvências podem trazer para as instituições financeiras, com aumento de inadimplência podendo causar baixas significativas, esgotando o capital dos bancos. “Em países duramente atingidos – principalmente do sul da Europa – os índices de nível 1 do capital dos bancos (uma medida importante de sua solidez financeira) podem diminuir em mais de 2 pontos percentuais. Os bancos menores seriam atingidos com ainda mais força, já que muitas vezes se especializam em empréstimos para empresas menores: um quarto deles poderia experimentar uma queda de pelo menos 3 pontos percentuais em seus índices de capital, enquanto 10% poderiam enfrentar uma queda ainda maior de pelo menos 7 pontos percentuais”, calculam os pesquisadores do FMI.

“Devido à magnitude do problema, os custos das falências para a sociedade excedem em muito os custos para devedores e credores individuais”, afirmam, ao propor injeções de “quase-capital” em pequenas e médias empresas.

Uma abordagem é os governos estenderem “empréstimos de participação nos lucros” por meio de novos empréstimos ou conversão dos existentes. Esses empréstimos teriam prioridade em relação a dívida existentes e seu pagamento poderia ser parcialmente indexado aos lucros da empresa.

As injeções de “quase-capital” direcionadas seriam muito mais eficientes e poderosas do que fornecer apoio a todas as empresas, acreditam os pesquisadores do FMI. Injeções generalizadas beneficiam dois tipos de empresas que não deveriam receber suporte de solvência: aquelas que não precisam porque estão solventes mesmo em meio à crise, e aquelas que estariam insolventes mesmo sem a pandemia.

A título de ilustração, um programa de apoio direcionado com um orçamento de cerca de 0,5% do PIB dos 20 países analisados poderia trazer de volta mais de 80% das empresas certas (viáveis, mas atualmente insolventes) a zero patrimônio líquido (uma definição mínima de solvência). Isso é mais de quatro vezes mais do que seria alcançado com uma abordagem abrangente de apoio a todas as pequenas e médias empresas, sem distinção.

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