Falha nossa

O principal objetivo do trabalho “Conjuntura internacional, falhas nacionais e crescimento econômico”, de Reinaldo Gonçalves, professor titular do Instituto de Economia da UFRJ, divulgado nesta coluna na edição de ontem, é analisar a hipótese de que a queda da renda per capita brasileira no Governo Dilma Rousseff (2011 a agosto de 2016) é determinada, quase que totalmente, por um conjunto de falhas nacionais, com destaque para as falhas de governo. “A evidência é conclusiva já que o efeito falhas nacionais responde por mais de 90%, enquanto o efeito conjuntura internacional responde por menos de 10% da diferença entre a taxa de referência (taxa de crescimento de longo prazo) e a taxa efetiva de variação do PIB brasileiro”, mostra o estudo. A renda per capita brasileira caiu aproximadamente 4% no período. “A conjuntura internacional desfavorável tem efeito marginal ou pouco significativo sobre esse desempenho desastroso”, afirma o economista.

O professor da UFRJ aponta a evidência que no período 1980–2016 o Governo Dilma se destaca como o governo em que as falhas nacionais são protagonistas. “Vale notar, entretanto, que esse fenômeno, ainda que em menor medida, também é evidenciado no caso do Governo FHC, em cujo mandato a economia brasileira teve fraco desempenho pelos seus padrões históricos”, afirma Reinaldo Gonçalves. “No caso do Governo Dilma há que se mencionar a herança calamitosa do Governo Lula relativa a questões estruturais importantes. As falhas de modelo e de mercado, herdadas do Governo FHC, agravaram-se durante o Governo Lula.” No período 2011–16, a economia mundial cresce à taxa média anual de 3,4% (quase igual à taxa média de 3,5% em 1980–2016) enquanto a economia brasileira cresce 0,2% (distante da média de 2,4% no período em análise). “Portanto, a responsabilidade pode ser quase que integralmente atribuída ao déficit de governança, ou seja, à própria inépcia do Governo Dilma.”

Foi o resultado de década e meia de PT no poder, em que o partido se absteve de mudar o modelo liberal periférico implantado no país. Foram poucos avanços, muita conciliação e falta de apetite para enfrentar os interesses que relegam o país à dependência.

Foguete

A edição desta semana da revista britânica The Economist está mais The Economist que o costume. A capa traz Trump como o insurgente da Casa Branca. Segundo a publicação, Washington está à beira de uma revolução, preocupando os aliados da América.

Sobre o Brasil, uma matéria fala da disposição de os presidentes Michel Temer e Mauricio Macri, da Argentina, trabalhar em conjunto. De acordo com a revista, essa não será uma tarefa fácil, pela histórica rivalidade entre os dois países. “Os dois herdaram economias problemáticas. Para sair da depressão, os dois presidentes estão desfazendo erros dos antecessores de esquerda”, reza a Economist – a mesma revista, em novembro de 2009, publicara capa com a manchete “Brazil Takes Off” (Brasil decola), em que garantia que o país é “a maior história de sucesso da América Latina”. A ilustração trazia o Cristo Redentor decolando como se um foguete fosse.

Finalmente, a publicação britânica tem uma matéria sobre a Odebrecht, assinalando que marca um momento decisivo na batalha contra corrupção na América Latina. Certamente, empreiteiras asiáticas, europeias e norte-americanas, que ocuparão o espaço da brasileira, são exemplos de ética e probidade, inspiradas nos ensinamentos de Madre Teresa de Calcutá.

Multiplicação

Quem acha que governança corporativa já é tema espinhoso ainda não viu nada. O advogado escocês Barry Wolfe, da consultoria Wolfe Associates, diz que o mercado se encontrará em 2017 com coisas bem mais complicadas. A primeira delas é a “multiplicidade das compliances”: o “compliance humano”, o “verde” e por aí em diante.

O especialista em ética corporativa vê, ainda, tendência de união entre práticas de compliance e de due diligence. Traduzindo: a governança deve englobar não só processos internos de uma empresa como também os de seus parceiros, fornecedores e até clientes.

Atibaia

O que diriam se Lula, logo após deixar a presidência, fosse passar uma temporada na ilha de um magnata? Pois foi o que Barack Obama, vestindo o figurino de ex-presidente, fez, tirando férias na propriedade de Richard Branson, fundador da Virgin.

Sorte grande

O ministro Luiz Edson Fachin perdeu uma boa oportunidade de jogar na Sena.

Rápidas

Este sábado é o Dia Mundial de Combate ao Câncer. Mais de 8 milhões de pessoas morrem de câncer por ano no mundo. Só este ano no Brasil a estimativa é de que surjam mais de 596 mil casos *** A executiva Julia Lessa é a nova gerente corporativa de recursos humanos de Hotéis Othon *** O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef Rio) elegeu Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio2016, como Executivo do Ano. Cinco meses após o fim dos Jogos, o Comitê ainda deve a fornecedores.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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