Falta de água agrava risco do vírus

Especialistas cobram medidas voltadas para população de baixa renda.

Conjuntura / 23:29 - 25 de mar de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Cerca de 34 milhões de brasileiros não têm acesso a água encanada. Mais da metade da população (54%) não contam com coleta de lixo. Os dados que mostram a precariedade no saneamento no país expõem também as dificuldades para conseguir higiene em tempos de coronavírus.

“A população improvisa o armazenamento de água e improvisa o próprio acesso à água. Isso cria uma condição muito precária nesses bairros populares”, afirma a integrante do Conselho de Orientação do Observatório Nacional dos Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (Ondas) Luciana Ferrara, apontando para o contexto brasileiro.

“O coronavírus, e a mídia está colocando isso, ele escancara o problema da desigualdade social estrutural no país e os mais afetados (pela doença) serão os mais pobres e a população de baixa renda”, adverte a especialista. “A gente não vê, entre as medidas que estão sendo divulgadas, ações voltadas especificamente para as favelas e as ocupações.”

O Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon) da Defensoria Pública do Rio de Janeiro entregou à Cedae relatório com pelo menos 475 denúncias recebidas pela Ouvidoria-Geral da instituição entre 18 e 23 de março sobre falta d’água em 14 municípios. As informações serão cruzadas com outras reunidas pelo Ministério Público e imediatamente discutidas num gabinete de crise criado especialmente para tentar dar solução a casos de desabastecimento durante o surto de Covid-19.

“A crise da geosmina de certa forma havia mascarado o problema de desabastecimento d’água durante o verão. Agora que enfrentamos uma urgência sanitária ainda maior, colhemos os frutos da falta de política de saneamento nas favelas e periferias, que ameaça todos, indistintamente”, avalia o ouvidor-geral, Guilherme Pimentel.

Das 475 denúncias, 397 são da chamada “torneira seca” ou seja, falta d’água rotineira. As reclamações abrangem 140 localidades, a grande maioria em favelas no município do Rio. As cinco comunidades que mais enviaram denúncias à Ouvidoria foram Tabajaras (93 registros); Rocinha (27); Alemão (11); Maré (8); e Fallet (8).

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor