Falta de foco

Alguns setores viram no uso do vermelho na “Marca Brasil” – que divulgará os produtos brasileiros no exterior – as famosas influências alienígenas. Puro anticomunismo tardio. Como já constaram sociólogos nas primeiras décadas do século passado, como Gilberto Freyre, o vermelho é cor recorrente na cultura brasileira, principalmente nas roupas das mulheres do interior. A nova logomarca peca é ao não responder a questão essencial quando se misturam muitas cores: a ausência de uma síntese. Nesse ponto, essa diluição aproxima-se mais da ausência de identidade do governo petista do que da representação da cara do Brasil.

Pratos limpos
Já está atrasada uma severa investigação sobre as privatizações de Collor e FH. O mínimo que se pode dizer é que a venda de estatais foi tecnicamente desastrada. Tão desastrada quanto a declaração de Lula, no Espírito Santo, que proporcionou ao tucanato uma oportunidade para disparar uma falsa ofensiva, como se não pairasse sobre as privatizações uma série de denúncias e suspeitas. Para ficar apenas nas principais: as obrigações de os concessionários de linhas ferroviárias ficaram apenas no papel (e ninguém fala de quebra de contrato); a venda das siderúrgicas conseguiu criar um fantástico oligopólio privado, verdadeira fábrica de lucros; as distribuidoras de energia elétrica alternam suas atuações entre calotes no governo, elevação de preços acima da inflação e queda da qualidade do serviço (falar no apagão de 2001 é covardia). Por fim, a concorrência no setor de telefonia fixa – não por falta de aviso – morreu antes mesmo de começar (esta coluna também não vai citar o escândalo das fitas do BNDES). Atribuir tudo isso às condições de “mercado” é esperar que todo contribuinte tenha vocação para Velhinha de Taubaté.

Fracasso
Uma onda de comemorações do mediano crescimento do PIB em 2004 – após a estagnação de 2003 – tenta encobrir uma realidade, exposta pelos vizinhos argentinos: é possível um caminho alternativo ao exigido pela banca. Enquanto a equipe econômica petista insiste em levar o Brasil por uma trilha que em tudo lembra as esburacadas estradas federais, o caminho da Argentina conduziu o país para o segundo ano de crescimento acima de 8% (ainda que o mal-humorado FMI insista na expectativa de alta do PIB platino de 5,5% no ano passado). Em números, em dois anos de moratória e bem-sucedida renegociação da dívida a Argentina alcançou crescimento de cerca de 17,5%; nos mesmo dois anos de Lula, o Brasil patinou em 5,7%. Resta pedir explicação aos sábios do neoliberalismo, que torceram (e fizeram tudo para atrapalhar) contra os argentinos e garantiram que a renegociação da dívida era só bravata de Kirchner.

Superávit de gringo
O número de passageiros que desembarcou em vôos internacionais no Brasil, em janeiro, foi recorde: 659.819 passageiros. Os dados, fornecidos pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), não distinguem, no entanto, entre estrangeiros e brasileiros que chegam do exterior. O detalhamento dos números da Infraero aponta apenas que, mês passado, 607.612 passageiros chegaram ao país em vôos regulares. Nessa conta, que inclui brasileiros e estrangeiros, houve aumento de 27,07% em relação a janeiro de 2003. Também no primeiro mês deste ano, o desembarque de vôos charters – nesse caso, todos estrangeiros – somou 52.207 passageiros, representando crescimento de 41,15% sobre o mesmo período de 2004. Para o diretor de Estudos e Pesquisas da Embratur, José Francisco de Salles Lopes, os números comprovariam aumento na oferta de assentos de vôos internacionais para o Brasil. Segundo ele, até julho do ano passado, a oferta sempre era inferior a 530 mil. Em janeiro, pela primeira vez, o número ultrapassou 600 mil.

Superávit de gringo II
Em janeiro, os turistas estrangeiros deixaram US$ 341 milhões, no Brasil, de acordo com o Banco Central, que contabiliza apenas os gastos com cartão de crédito e as trocas no câmbio oficial . Esse ingresso de divisas no turismo é o maior para um único mês, superando o recorde anterior, de US$ 335 milhões, registrados em dezembro passado. No mesmo mês, o gasto dos brasileiros no exterior foi de US$ 296 milhões. Com isso, o saldo da balança de turismo no primeiro mês do ano foi de US$ 45 milhões.

Não pegou
Um cliente que ocupou mesa em local indicado como exclusivo para não fumantes no sofisticado Siri Mole & Cia, em Copacabana, domingo passado, foi obrigado a provar um prato infelizmente comum: o desrespeito aos direitos do consumidor. Para agradar a um cliente fumante, o maitre, mesmo sob protestos, levou à mesa vizinha um cinzeiro, em vez de encaminhá-lo ao local adequado. Quem consultar o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (www.shrbsrj.com.br) pode ver as leis que regem este assunto e dão razão a quem prefere saborear uma moqueca em lugar de ser sufocada por fumaça.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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