'Falta dinheiro no bolso do brasileiro para compras não essenciais'

Segundo especialista da FGV, apesar da reabertura gradual do comércio, empresários continuam cautelosos para reabastecer seus estoques.

Conjuntura / 14:18 - 7 de ago de 2020

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Tendo em vista a crise causada pela Covid-19, somada ao endividamento das famílias devido as crises dos últimos anos, neste ano, o Dia dos Pais será mais singelo. É o que aponta o professor de Ciências Econômicas e Contábeis da IBE Conveniada FGV, João Marcos Borges, que é aluno de Mestrado em Gestão para Competitividade, Finanças e Controladoria. "Ainda sendo bem otimista, será uma data com presentes de menor valor agregado ou em menor quantidade", explica o professor.

Esperadas com ansiedade, as datas comemorativas são importantes para o comércio, no entanto, a crise provocada pelo vírus, trouxe além dos tristes impactos à saúde, o desaquecimento econômico, desemprego e muitas incertezas sobre o futuro. "Para os varejistas, é momento de analisar bem o comportamento dos clientes, identificando os produtos que não podem faltar no estoque, evitando assim, perder vendas. Além disso, é necessário deixar de lado as compras de produtos com baixo giro", aconselha o professor.

Segundo o especialista, apesar da reabertura gradual do comércio, os empresários continuam cautelosos para reabastecer seus estoques. Além disso, para os consumidores, o auxílio emergencial do governo sofreu algumas modificações no calendário e não contemplou todas as famílias necessitadas. "Em conjunto, esses dois fatores promoverão um menor movimento de compras no comércio, pois está faltando dinheiro no bolso do brasileiro para as compras não essenciais", ressalta Borges.

Sobre as expectativas das compras, João Marcos ressalta que as compras feitas de forma online, facilitam o ato em si, ou seja, é possível fazer a compra e receber os produtos com apenas alguns cliques e sem sair de casa. "Nesse ano, a grande barreira para o comércio eletrônico será, de fato, a renda das pessoas, ou melhor, a falta de renda, devido ao desemprego e crise prolongada impactando o orçamento".

Já para as compras em lojas físicas, ele explica que a flexibilização, seguindo as fases de reabertura dos comércios, traz uma luz para os empresários. "Afinal, grande parte das lojas ainda não tem um comércio eletrônico preparado para atender as demandas, sendo o atendimento presencial o grande diferencial e potência delas", comenta.

Faltando poucos dias para o Dia dos Pais, a Associação Brasileiras de Lojistas de Shopping (Alshop) realizou pesquisa entre os dias 27 de julho e 3 de agosto com 5.200 consumidores para entender a expectativa para a primeira data comemorativa do ano onde o comércio está aberto, mesmo com restrições e diversas medidas de prevenção para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus.

A pesquisa nacional mostra que 81% dos entrevistados desejam ir às compras nesta semana que antecede o Dia dos Pais, enquanto 19% disseram não pretender comprar nenhum presente. Diferente da pesquisa de 2019, onde o tíquete médio pretendido era de R$ 160 na data, este ano a maior parte dos consumidores, 32% disse que pretende gastar entre R$ 51 e R$ 100. Outros 14% relatam a pretensão de comprar um presente de R$ 101 a R$ 150, 14% tem a intenção de comprar algo entre R$ 151 e R$ 200 e somente 13% afirmaram que irão gastar mais do que R$ 201.

O levantamento mostrou a intenção de 46% dos entrevistados ainda pretendem fazer suas compras do Dia dos Pais em plataformas virtuais como aplicativos e comércio eletrônico, 12% devem procurar lojas de rua e 19% preferem lojas de shopping.

Entre os produtos mais procurados segundo os consumidores estão vestuário, com 44%, seguido de 12% que deve presentear com perfumes ou cosméticos e 10% informaram a preferência por calçados. Apenas 8% deve procurar um presente eletrônico, categoria que liderou outras pesquisas desse tipo. Sobre a escolha dos meios de pagamento, 42% dos entrevistados afirmaram que vão comprar presente com cartão de crédito parcelado ou carnê da loja e 39% afirmaram que será à vista ou com cartão de débito.

Mesmo com um aumento de intenção de compras virtuais, lojistas associados relatam que o fluxo de pessoas nos shoppings vem aumentando gradualmente. Parte dessa pesquisa, desta vez feita com lojistas associados, que representam 1.500 pontos de venda em todo o país, mostra que a expectativa de aumento no faturamento é de 10% em agosto na comparação com o mês de julho de 2020. Neste momento, cerca de 14% dos 577 shoppings centers seguem fechados em todo o país, a maioria nos estados do Sul enquanto a abertura gradual segue principalmente no Sudeste e Nordeste.

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