O Colégio Cruzeiro promove o lançamento do livro “Famílias Brasileiras de Origem Germânica” e a inauguração da exposição “Imigração Alemã no Rio de Janeiro”, que ficará em cartaz até 12 de dezembro, na antiga unidade da Educação Infantil do Colégio Cruzeiro, em Botafogo. As duas ações culturais têm apoio do Colégio Cruzeiro, com cessão de acervo fotográfico e documental, e o livro conta, ainda, com patrocínio da escola.
O Colégio Cruzeiro foi criado em 1862 por imigrantes alemães que aportaram no Brasil, fundadores da Sociedade de Beneficência Humboldt (SBH), instituição que, até hoje, mantém o Colégio. Estatísticas oficiais indicam que 234.579 germânicos imigraram para o Brasil entre 1820 e 1939, tornando-os o quarto maior grupo no país.
“Somos guardiões de uma parte importante da memória da imigração alemã no Brasil. Gerações de famílias passaram por nossas carteiras escolares, e, até hoje, mantemos vivo o legado dos primeiros imigrantes que criaram o Colégio Cruzeiro, então Deutsche Schule, com o propósito de manter e educar as crianças dentro dos princípios da Ciência, Sustentabilidade e Empatia, segundo o conceito de formação integral do aluno”, explica o vice-presidente da SBH, Ronald Sharp Junior, descendente de uma das famílias catalogadas no livro – a do Major Suckow, que emigrou para o Brasil em 1824, e se consagrou como patrono do turfe no Brasil, sendo um dos fundadores do Jockey Club, em 1868.
Lançado pelo Instituto Martius-Staden, o livro “Famílias Brasileiras de Origem Germânica” é o 10º volume da série e é dedicado exclusivamente ao Estado do Rio de Janeiro. “Este livro reúne as árvores genealógicas de mais de 100 famílias, citando mais de 550 nomes de origem alemã, contribuindo, assim, para o registro e a compreensão da história da imigração de língua alemã nas cidades de Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Niterói, Petrópolis e Visconde de Mauá”, explica Mauritius Reisky von Dubnitz, Diretor do Instituto Martius-Staden. Haverá lançamento do livro também em Petrópolis.
Exposição
A exposição “Imigração Alemã no Rio de Janeiro” celebra os 200 anos de imigração alemã no Brasil. Dividida em períodos imigratórios com suas devidas contextualizações, a exposição traz fotos, textos, documentos e banners que refletem a chegada e a integração dos imigrantes alemães em diversas cidades fluminenses.
“Destaca-se, neste contexto, o acervo fotográfico e documental cedido pelo Centro de Memória do Colégio Cruzeiro, instituição que também integra a narrativa da mostra por sua relevância histórica no contexto da imigração alemã no Rio de Janeiro”, define o professor de História da UERJ e um dos curadores da mostra, Luís Reznik.
A exposição foi concebida e realizada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Centro de Memória de Imigração da Ilha das Flores, Corpo de Fuzileiros Navais, com apoio do Consulado Geral da República Federal da Alemanha, Faperj, Colégio Cruzeiro e tem curadoria de Luís Reznik, Luís Edmundo de Souza Moraes, Rui Aniceto Nascimento Fernandes, Julianna Carolina Oliveira Costa, Vanessa Mendonça Leite e Marcelo Macedo de Almeida.
Curiosidades
O ano de 1824 é considerado o marco inicial do estabelecimento de imigrantes alemães ao Brasil, sendo o Rio de Janeiro destaque com o projeto da cidade de Nova Friburgo, planejada por D. João VI como um projeto de colonização com imigrantes da Europa Central.
O Colégio Cruzeiro, criado em 1862, existe desde antes da criação da própria Alemanha como país único, definido apenas em 1871. Antes, a região era uma união de povos germânicos – como prussianos, bávaros, turíngios, renanos etc. –, com seus próprios dialetos.
A década de 1920 foi o ápice da imigração alemã para o Brasil. Mais de setenta e cinco mil alemães deixaram seu país de origem, impulsionados pela crise econômica e social ocasionada pela derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial e as imposições do Tratado de Versalhes. As instituições cariocas, como o Clube Germânia e o Colégio Cruzeiro, tornaram-se importantes centros de sociabilidade para os imigrantes e seus descendentes.

















