Fantasma caro

Um dos mitos mais recorrentes propagados pelos adoradores da política econômica reza que a dívida externa do Brasil foi zerada. Quem abraça essa tese deveria explicar aos brasileiros, então, por que, apenas em novembro, o Brasil torrou US$ 7,863 bilhões em juros de uma dívida inexistente. E o Banco Central prevê que, ao fim de 2009, os encargos com serviços custarão US$ 8,6 bilhões ao país. Ou seja, o Brasil pagará, apenas este ano, cerca de R$ 17 bilhões – equivalente a 41% do orçamento anual da Educação, de R$ 41,5 bilhões para 2009 – de juros por uma dívida “não existente”.

Reservas x dívida
A tese do “fim da dívida externa” embaralha coisas distintas, para fins de propaganda de uma política econômica carente de grandes feitos. Na verdade, com a política de atração de capitais, as reservas internacionais do país atingiram US$ 238 bilhões, em novembro. Esse total é superior de fato, à dívida externa, que, porém, continua a existir, somando US$ 205,5 bilhões, mês passado. E não está entrando nessa conta o passivo externo, que aumentou exponencialmente.

Fantasma em expansão
Em tempo, segundo dados do Tesouro Nacional, em novembro, a dívida externa do governo federal cresceu 0,36%. Com isso, ainda segundo o Teouro, atingiu o equivalente a R$ 101,98 bilhões (cerca de US$ 50 bilhões)

Raridade
Pelo menos um serviço prestado por concessionária de serviço público privatizado funciona: o atendimento de emergência na Ponte Rio-Niterói. Terça-feira, um leitor desta coluna relatou ter sido atendido por um reboque menos de cinco minutos após parar na pista.

Normalidade
Mas, para não dizer que tudo são flores, o motivo que levou o leitor a para na ponte foi ter tido seu carro atingido por uma placa voadora – responsabilidade da concessionária, por desleixo ou desatenção. Além disso, com a recente criação de quatro faixas – em vez de implantar a mediana móvel, como reza o contrato de concessão – o acostamento na estrada acabou, colocando em risco quem é obrigado a parar na pista de rolamento mais à direita.

Natal sem nulidades
Esta coluna deseja a todos seus leitores um Feliz Natal, com muita saúde, paz e felicidade. E que a data sirva de reflexão a todos brasileiros para que não se torne realidade antiga e profética advertência de Ruy Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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