Fanáticos

Recorrendo a uma metáfora futebolística, o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, classifica os defensores de nova alta da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central, em oposição aos que defendem a queda da Selic para elevar os investimentos, como integrantes de “uma torcida fanática, uma Mancha Verde”, que “apenas defende os interesses de rentiers (rentistas)”.

Excessivo
Para Francini, analistas do mercado financeiro possuem uma visão enviesada sobre a condução da política monetária e que é excessivamente considerada pelo Banco Central nas suas tomada de decisões: “Seria adequado se o BC não levasse tanto em consideração a avaliação desse pessoal. Eu respeito economistas como Affonso Celso Pastore, José Roberto Mendonça de Barros, mas quando ocorre uma avaliação de economista de banco, a coisa muda de figura”, ironiza, comparando os rentistas com economistas conservadores.

Siameses
A derrota da Concertação chilena para o neopinochetista Sebastían Piñera reforça a posição dos que alertam para as consequências de governos que, mesmo com vernizes de mudança, mantém a essência das políticas que lhes são legadas. O sociólogo argentino Atilio Boron, secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), por exemplo, salienta que “a progressiva assimilação do legado ideológico” da ditadura de Pinochet pelos principais quadros da aliança Democracia Cristã-Partido Socialista fez com que “a distinção entre a Concertação e os herdeiros políticos do regime militar fosse se desvanecendo até tornar-se imperceptível para o eleitorado”: “O que há por trás de Piñera é uma vigorosa histeria de seus partidários celebrando a vitória de seu candidato com imagens e bustos de Pinochet e cânticos exortando a acabar de vez com os “comunistas” infiltrados no governo da Concertação. Nada de novo sob o sol. A década não podia ter começado pior”, destaca, em artigo publicado no site do Correio da Cidadania.

Visionário
Para descartar que sua análise seja vista como “um exagero injusto”, Boron lembra que Alejandro Foxley, ministro da Fazenda entre 1990 e 1994 do governo Patrício Aylwin, senador pela Democracia Cristã entre 1998 e 2006 e ministro de Relações Exteriores entre 2006 e 2009 da presidente Michelle Bachelet, em 2000, 11 anos depois do fim da ditadura, ainda fazia loas ao sanguinário ditador e sua política econômica, afirmando que “Pinochet realizou uma transformação, sobretudo na economia chilena, a mais importante que houve neste século. Teve o mérito de se antecipar ao processo de globalização… Há de se reconhecer sua capacidade visionária para abrir a economia ao mundo, descentralizar, desregular etc. Essa é uma contribuição histórica que vai perdurar muitas décadas no Chile… Além do mais, passou no teste do que significa fazer história, pois terminou mudando o modo de vida de todos os chilenos para bem, não para mal.”

Fim da clonagem
E observa que, com lideranças que sustentavam um discurso como esse, partilhado por muitos, embora poucos se atrevessem “a manifestar com tanto descaro” e com políticos que, “em muitos casos, foram abertamente golpistas e facilitadores do golpe que perpetraria Pinochet em 1973 (coisa que alguns parecem ter esquecido), poderia a Concertação ser crível como uma alternativa de superação ao pinochetismo?”. E conclui: “Na verdade, o que deveria se encontrar é a razão pela qual a cidadania chilena não se decidira muito antes a substituir a cópia pelo original.”

Fritura reciclada
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) aprovou financiamento não-reembolsável de R$ 2,5 milhões para projeto de reciclagem capitaneado pela Embrapa Agroenergia, em Brasília. A proposta visa a aproveitar de maneira inteligente o descarte de óleo de fritura dos restaurantes da capital federal para transformar em biocombustível. Segundo a Finep, a eliminação do volume de óleo derramado ralo abaixo proporcionará redução de custos com o tratamento de água.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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