Fardo

As empresas de telecomunicações, sob as barbas da Anatel, dividiram os consumidores em dois grupos: o usuário corporativo, que recebe tratamento vip, e o residencial, tratado como um fardo. A simplificação, porém pertinente, é feita pelo presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores Telefônicos, Fittel, José Zunga, que denuncia que “as empresas se dão ao luxo de esperar o acúmulo de defeitos em determinadas regiões, para depois enviar um técnico”. A Fittel realizou estudos que mostram a falência do modelo adotado pelo governo FH; os empregos prometidos não foram gerados e os precários serviços monopolizam as reclamações no Procon.

Mudança
Em apenas quatro anos, a participação das universidades privadas nos programas de pós-graduação saltou de 9%, em 1998, para 13%, em 2001. Esse avanço se deve, em grande medida, à exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LBD), aprovada em 1996 e que obriga as universidades a manter atividades permanentes de pesquisa até o final de 2004. Ainda que a preocupação seja deflagrada por uma exigência legal, num país em que os investimentos em pesquisa não chegam a 1% do produto interno bruto (PIB), essa mudança não deixa de ser uma boa notícia.

Pela paz
No Dia Internacional da Mulher (8 de março), haverá nova passeata na Praia de Copacabana contra a iminente invasão do Iraque pelos Estados Unidos. Organizada pelo Comitê Rio Pela Paz, a manifestação está programada para começar às 15 horas, com ponto de encontro em frente ao Hotel Méridien. Participam do Comitê Rio Pela Paz a Associação Brasileira de Imprensa, sete partidos políticos, sindicatos e entidades diversas da sociedade civil.

Euro x dólar
Mesmo sem ser o foco das atenções no caso da guerra contra o Iraque, a discussão sobre adoção do euro está em um número cada vez maior de artigos na imprensa “nanica” dos EUA e corre o mundo via Internet. A tese é que o maior pesadelo do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) é que a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) abandone o padrão dólar e adote o padrão euro nas transações internacionais. O Iraque teria efetuado esta mudança em novembro de 2000 (quando o euro valia cerca de US$ 0,80 e assim embolsou um lucrinho). Bush estaria buscando com sua guerra, então, entre outros interesses, enfiar o dólar goela abaixo do Iraque.

Armamento
Nunca é demais lembrar quais são as duas principais indústrias dos Estados Unidos: a bélica (dispensa comentários) e a gráfica (máquina de rodar papéis verdes e capaz de fazer todo mundo pensar que aquilo tem valor).

Megaempresas
Empresário da área têxtil, o vice-presidente da República, José Alencar, representará o governo federal no seminário sobre Sobrevivência Sustentável, na reunião anual do Conselho Empresarial Mundial (WBCSD), que começa neste domingo e vai até o dia 11, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Participarão líderes empresariais que representam 169 grupos mundiais que registram um faturamento anual de US$ 6 trilhões, o equivalente a mais de dez vezes o PIB brasileiro.

Destino do FGTS
A disputa sobre o dinheiro do FGTS provoca um cabo de guerra entre a construção civil e a bolsa de valores. O Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-RIO) classificou de “altamente danoso ao interesse público” o projeto de lei 247/2002, apresentado pelo senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (PFL-BA) e que autoriza a utilização de parte dos recursos do Fundo de Garantia para compra de ações. Na opinião do Sinduscon a medida desviaria “um montante expressivo” FGTS originalmente destinado ao financiamento de habitação popular e saneamento básico.
O projeto autoriza que dos 8%  sobre os salários que os empregadores depositam mensalmente nas contas do fundo, um oitavo, ou seja 12,5%, seria destinado a uma subconta para investimentos em ações.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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