Fato novo

O século começa com um evento que promete desdobramentos fundamentais para a luta contra o neoliberalismo. Em janeiro, o Fórum Social Mundial (FSM) se reúne, em Porto Alegre, com o objetivo de se tornar um espaço internacional para reflexão e organização “de todos os que se contrapõem às políticas neoliberais e estão construindo alternativas para priorizar o desenvolvimento humano e a superação da dominação dos mercados em cada país e nas relações internacionais”, como anuncia o manifesto do fórum.
O FSM será realizado anualmente, em janeiro, simultaneamente ao Fórum Econômico Mundial, que reúne em Davos, Suíça, a nata dos representantes do pensamento neoliberal e tem como principal base organizacional uma fundação suíça consultora da ONU e financiada por cerca de mil empresas multinacionais.
Já o FSM, que se propõe a ser um “contrapoder planetário dos cidadãos”, está constituído por ONGs, movimentos sociais, sindicatos, associações e entidades religiosas de todo o mundo. O fórum não pretende se restringir ao debate de idéia e promete organizar ações de caráter local e mundial na defesa de suas propostas.
Gênese
A proposta para criar o FSM surgiu das mobilizações de 1988, na Europa, contra o Acordo Multilateral de Investimentos (AMI), uma espécie de constituição mundial do sistema financeira que se sobrepunha às leis nacionais. E cresceu durante as grandes manifestações em Seattle, durante o encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC), em novembro de 1999, e dos protestos em Washington contra as políticas do FMI e do Banco Mundial (Bird).
Como destaca o manifesto do fórum, essas mobilizações fizeram com que as instituições internacionais, “há décadas habituadas a tomar decisões que afetam a vida de centenas de milhões de pessoas, fora de qualquer controle democrático, descobrissem que têm, a partir de agora, de prestar contas à opinião pública”.
O FSM conta ainda com a simpatia de intelectuais, artistas, políticos e outras personalidades que já confirmaram sua participação na plenária de janeiro. São nomes como os escritores José Saramago e Eduardo Galeano, o diretor do Le Monde Diplomatique, Bernard Cassen, o ex-craque Raí, o prêmio Nobel da Paz José Ramos Horta, Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Jubileu 2000 do Japão, Yoko Kitazawa.

Suspeito
A Polícia Federal desmente que pretenda indiciar o Raio de Bauru (RB) pelas três dias seguidos de apagão. Precavidos, os advogados do RB já entraram com pedido de habeas corpus.

Defesa
O juiz Lalau não será imolado em praça pública sem que pelo menos uma voz se levante em favor do seu direito de defesa. O até então desconhecido Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) acaba de divulgar manifesto se solidarizando com o advogado Alberto Zacarias Toros, em virtude “dos ataques que lhe vêm sendo dirigidos em decorrência de estar ele, com dedicação e eficiência, patrocinando a defesa de Nicolau dos Santos Neto”. O manifesto é assinado pelo renomado advogado Marcio Thomaz Bastos, um dos passes mais valorizados do direito brasileiro.

Doação
O secretário de Justiça e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, João Luiz Duboc Pinaud, e o diretor do Desipe, Manuel Pedro Silva, entregam hoje duas toneladas de alimentos não perecíveis à Campanha Natal sem Fome, na barraca de arrecadação instalada na Cinelândia, Centro da cidade. Os alimentos foram doados pelos detentos das penitenciárias Alfredo Trajan (Bangu II) e Hélio Gomes (Frei Caneca), que cederam um dia de almoço para fazerem a doação. Os alimentos serão transportados por um caminhão cedido pela Polícia Militar.

Brasileiro de 2002
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) foi escolhido “O Brasileiro do Ano 2000”, na área política, pela revista IstoÉ. O prêmio será entregue a Simon e outras personalidades destacadas nas áreas de ciência, cultura e social, em São Paulo, dia 18. Segundo a revista, Pedro Simon foi escolhido por sua contribuição à ética na política, característica que marca toda a atividade do senador e se reflete em sua atuação parlamentar e na vida pública.

Artigo anteriorDestino melhor
Próximo artigoCavernas
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Desigualdade, Big Tech e EUA são maiores ameaças à democracia

7 em 10 chineses avaliam que seu país vai bem na questão.

O poder do monopólio em rebaixar os salários

Um tributo a Joan Robinson, ‘uma das economistas mais importantes do século 20’.

Ricos querem pagar só 10% do imposto de Biden

Elisão fiscal ameaça levar US$ 900 bi do pacote para as famílias.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Em cinco anos, SP reduziu em 32%, mortes no trânsito

Só Região Metropolitana reduziu em 29%; queda nas fatalidades em nível nacional foi de 22%.

Mercado reage em dia pós-Copom

Destaque para os pedidos por seguro-desemprego nos EUA.

Boas expectativas para o dia

Hoje, mercados começando aparentemente com realizações de lucros recentes e aguardando a decisão do Banco Central inglês sobre política monetária.

Mesmo com perdas de 75%, empresas em favelas mantêm 80% dos empregos

São mais 289 mil comércios registrados nas cerca de 6 mil comunidades em todo o Brasil.

OMS pede redução de desigualdades no acesso à higiene das mãos

Organização destaca que pandemia mostrou dramaticamente a importância da prática na redução do risco de transmissão.