Fato relevante

A falência da Telesp Celular foi requerida pela empresa Imagexpress Artes Gráficas Ltda devido a um título protestado no valor de R$ 2.100. Como a operadora é controlada pela Telesp Celular Participações S/A, de capital aberto e com ações na Bovespa, teve que comunicar o fato à bolsa paulista. A Telesp confirma o pedido de falência, mas diz que “o valor do título protestado é imaterial e irrelevante comparado com o patrimônio líquido da operadora, de R$ 3,27 bilhões, e com o volume das suas receitas líquidas, que ascenderam a R$ 3,39 bilhões, dados de dezembro de 2002”.  A empresa continua, afirmando que estará tomando “todas as providências visando à extinção do referido processo”. Mas não explica por que não pagou a fatura, nem diz se reconhece a dívida.

Dívida
O governo deveria aproveitar a queda do dólar e da inflação para elevar a participação dos títulos prefixados na dívida pública (hoje não chega a 2% e em 1997 era de 30%), ao mesmo tempo em que é interessante diminuir a rolagem das dívidas e dos swaps cambiais sob pena de se valorizar desnecessariamente a taxa real de câmbio, prejudicando o ajuste das contas externas. A opinião é de Luiz Rabi, economista-chefe do Bicbanco.
Segundo o relatório fiscal de fevereiro divulgado recentemente pelo BC, 33% da dívida mobiliária federal está exposta à variação cambial (incluem-se aí as operações de swap) e 52% está atrelada à Taxa Selic (LFT mais operações do mercado aberto). “Isto, em termos de dívida pública, é o pior dos mundos. Os passivos em Selic retiram eficácia da política monetária por não produzirem o efeito riqueza negativo (fenômeno que ocorre com os papéis prefixados) quando o BC eleva as taxas de juros”, reclama.
Se os títulos prefixados forem vendidos com juros no patamar atual e acreditando-se na promessa do governo de começar a reduzir as taxas “em breve”, as instituições financeiras garantiriam seus gordos lucros por mais um tempo.

Reformas
O Banco BVA vai apresentar na próxima quarta-feira a palestra do cientista político Christopher Garman. Será na nova sede do banco, na Avenida Almirante Barroso (Centro – RJ), a partir das 18h. O tema é o “Poder decisório do PT – o que podemos esperar das reformas”.

Economia real
O setor de infra-estrutura ficou estagnado ano passado e todos os indicadores apontam para uma crescente perda de consistência do mercado, segundo a Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib). Para 2003, a Abdib prevê retração do segmento. O levantamento da entidade, que será divulgado oficialmente hoje, inclui faturamento, exportações, importações, empregos, investimentos, volume de pedidos e nível de utilização da capacidade instalada do segmento e abrange as áreas de energia elétrica, petróleo e gás, transportes e portos, saneamento e indústrias de base (mineração e cimento, papel e celulose e siderurgia).
No entanto, como o Risco Brasil e o câmbio estão em queda, os dados da Abdib não impedem que analistas de fenômenos esotéricos continuem a destacar a boa saúde dos fundamentos da economia.

“Winner”
Não contente em romper o monopólio das TVs norte-americanos na cobertura da invasão do Iraque, a Al-Jazeera se vangloria de ter este feito reconhecido pelo Lycos 50, um dos principais portais de busca da Internet. Não se sabe se em tom jocoso ou sério, a Al Jazeera, que tem uma audiência de 45 milhões de pessoas entre a comunidade árabe, se autoproclama a CNN do Mundo Árabe.

Quibe em NY
Embora frequentemente o governo Bush manifeste seu desagrado pelas notícias transmitidas pela Al-Jazeera destoarem da cobertura, digamos, patriótica das TVs norte-americanas, recentemente, oficiais do Comando Central dos Estados Unidos aceitaram convite para um churrasco na casa do novo diretor da televisão árabe em Nova York.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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