Faturamento do varejo paulista deve crescer 3% com Dia das Mães

Fecomércio-SP estima que setor fature R$ 82 bilhões em maio

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Varejo na Rua 25 de março (foto de Paulo Pinto, Fotos Públicas)
Varejo na Rua 25 de março (foto de Paulo Pinto, Fotos Públicas)

As vendas nas atividades mais impactadas pelo Dia das Mães devem crescer 3% em maio, no Estado de São Paulo, de acordo com projeção da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP). A expectativa é que o faturamento atinja quase R$ 82 bilhões, R$ 2,7 bilhões a mais em comparação com o mesmo período do ano passado.

Na avaliação da Fecomércio-SP, o crescimento pode parecer tímido tanto no estado como na capital (2%), mas, considerando a forte base de comparação e o cenário macroeconômico marcado por juros elevados, famílias endividadas e inflação ainda em patamar desconfortável, o resultado, se confirmado, pode ser avaliado como positivo.

A expectativa otimista se sustenta principalmente pelo mercado de trabalho, que segue positivo, e pelo aumento da renda, tornando possível que mais pessoas consumam e obtenham crédito. Assim, o Dia das Mães permanece como uma data importante para as vendas, principalmente nos segmentos ligados a presentes tradicionais (cosméticos, roupas e calçados) e experiências familiares.

Todos os segmentos analisados pelo levantamento da Fecomércio-SP devem exibir alta no faturamento. Os principais destaques são as farmácias e perfumarias, com avanço de 6%; as lojas de vestuário, tecidos e calçados, que devem crescer 4%; e os supermercados, com elevação de 3%.

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Os juros elevados e o endividamento familiar, somados às incertezas econômicas e eleitorais, acabaram afetando negativamente as vendas de bens duráveis. Nesses casos, a compra normalmente depende de crédito e do comprometimento da renda por vários meses.

Nesse contexto, as atividades de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos, bem como as lojas de móveis e decoração, devem apresentar as menores taxas de crescimento em maio, com altas de 1% e 2%, respectivamente.

Na Cidade de São Paulo, o Dia das Mães deve levar o faturamento do mês de maio a crescer 2%. Lojas de vestuário, tecidos e calçados apresentarão a maior alta (4%). Na sequência, estão farmácias e perfumarias (3%), supermercados (2%) e lojas de móveis e decoração (1%). Eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamento devem registrar estabilidade.

Com 80,4% das famílias endividadas, especialista alerta para riscos do consumo por impulso

O Dia das Mães, segunda data mais importante do varejo nacional, deve movimentar este ano quase R$ 38 bilhões nos setores de comércio e serviços no país, levando cerca de 127 milhões de consumidores às compras. A expectativa é que 78% deles comprem ao menos um presente. É o que aponta levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil.

Apesar do otimismo do comércio, o cenário econômico exige atenção redobrada dos consumidores. O nível de endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde, com 80,4% dos lares relatando algum tipo de dívida, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC no fim de março de 2026. Os juros médios do rotativo continuam sendo uma bola de neve agressiva, rondando na casa dos 445% ao ano no mercado geral.

O planejador financeiro CFP e especialista em finanças pessoais, Jeff Patzlaff, destaca que o planejamento financeiro é fundamental para evitar decisões impulsivas:

“Faça uma análise detalhada da sua vida financeira, comece separando o que você ganha e quais os seus gastos fixos. Anote tudo o que vai vencer no mês que vem e veja o que realmente não vai fazer falta para o mês. O presente da sua mãe deve estar alinhado com os seus gastos de lazer, e não da fatia do supermercado.”

Jeff recomenda definir o seu próprio limite de gastos para o presente, como R$ 100 por exemplo, e quando for pesquisar, filtrar os produtos rigorosamente por esse preço.

“Seja realista e não olhe nada acima disso para não cair em tentação. Se for comprar em loja física deixe apenas com o dinheiro na conta ou diminua o limite pontualmente para essa compra”, explica.

Outro ponto crítico é o parcelamento, que pode comprometer o orçamento por longos períodos.

“A parcela de R$ 30 parece inofensiva, mas ela engessa o seu orçamento. Se você parcelar o presente em 10 vezes, estará pagando por ele no Natal, no IPVA do ano que vem e no Carnaval de 2027. Só parcele se a loja não der nenhum desconto à vista e se a parcela couber tranquilamente no seu mês. E o parcelamento nunca pode durar mais que a lembrança do presente. Se precisar de muitas parcelas, é sinal vermelho de que o item está fora do seu padrão de vida atual”, esclarece.

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