As vendas nas atividades mais impactadas pelo Dia das Mães devem crescer 3% em maio, no Estado de São Paulo, de acordo com projeção da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP). A expectativa é que o faturamento atinja quase R$ 82 bilhões, R$ 2,7 bilhões a mais em comparação com o mesmo período do ano passado.
Na avaliação da Fecomércio-SP, o crescimento pode parecer tímido tanto no estado como na capital (2%), mas, considerando a forte base de comparação e o cenário macroeconômico marcado por juros elevados, famílias endividadas e inflação ainda em patamar desconfortável, o resultado, se confirmado, pode ser avaliado como positivo.
A expectativa otimista se sustenta principalmente pelo mercado de trabalho, que segue positivo, e pelo aumento da renda, tornando possível que mais pessoas consumam e obtenham crédito. Assim, o Dia das Mães permanece como uma data importante para as vendas, principalmente nos segmentos ligados a presentes tradicionais (cosméticos, roupas e calçados) e experiências familiares.
Todos os segmentos analisados pelo levantamento da Fecomércio-SP devem exibir alta no faturamento. Os principais destaques são as farmácias e perfumarias, com avanço de 6%; as lojas de vestuário, tecidos e calçados, que devem crescer 4%; e os supermercados, com elevação de 3%.
Os juros elevados e o endividamento familiar, somados às incertezas econômicas e eleitorais, acabaram afetando negativamente as vendas de bens duráveis. Nesses casos, a compra normalmente depende de crédito e do comprometimento da renda por vários meses.
Nesse contexto, as atividades de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos, bem como as lojas de móveis e decoração, devem apresentar as menores taxas de crescimento em maio, com altas de 1% e 2%, respectivamente.
Na Cidade de São Paulo, o Dia das Mães deve levar o faturamento do mês de maio a crescer 2%. Lojas de vestuário, tecidos e calçados apresentarão a maior alta (4%). Na sequência, estão farmácias e perfumarias (3%), supermercados (2%) e lojas de móveis e decoração (1%). Eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamento devem registrar estabilidade.
Com 80,4% das famílias endividadas, especialista alerta para riscos do consumo por impulso
O Dia das Mães, segunda data mais importante do varejo nacional, deve movimentar este ano quase R$ 38 bilhões nos setores de comércio e serviços no país, levando cerca de 127 milhões de consumidores às compras. A expectativa é que 78% deles comprem ao menos um presente. É o que aponta levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil.
Apesar do otimismo do comércio, o cenário econômico exige atenção redobrada dos consumidores. O nível de endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde, com 80,4% dos lares relatando algum tipo de dívida, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC no fim de março de 2026. Os juros médios do rotativo continuam sendo uma bola de neve agressiva, rondando na casa dos 445% ao ano no mercado geral.
O planejador financeiro CFP e especialista em finanças pessoais, Jeff Patzlaff, destaca que o planejamento financeiro é fundamental para evitar decisões impulsivas:
“Faça uma análise detalhada da sua vida financeira, comece separando o que você ganha e quais os seus gastos fixos. Anote tudo o que vai vencer no mês que vem e veja o que realmente não vai fazer falta para o mês. O presente da sua mãe deve estar alinhado com os seus gastos de lazer, e não da fatia do supermercado.”
Jeff recomenda definir o seu próprio limite de gastos para o presente, como R$ 100 por exemplo, e quando for pesquisar, filtrar os produtos rigorosamente por esse preço.
“Seja realista e não olhe nada acima disso para não cair em tentação. Se for comprar em loja física deixe apenas com o dinheiro na conta ou diminua o limite pontualmente para essa compra”, explica.
Outro ponto crítico é o parcelamento, que pode comprometer o orçamento por longos períodos.
“A parcela de R$ 30 parece inofensiva, mas ela engessa o seu orçamento. Se você parcelar o presente em 10 vezes, estará pagando por ele no Natal, no IPVA do ano que vem e no Carnaval de 2027. Só parcele se a loja não der nenhum desconto à vista e se a parcela couber tranquilamente no seu mês. E o parcelamento nunca pode durar mais que a lembrança do presente. Se precisar de muitas parcelas, é sinal vermelho de que o item está fora do seu padrão de vida atual”, esclarece.
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