Febraban prevê crescimento de 16,8% do crédito pessoa física

A Pesquisa Febraban (da Federação Brasileira de Bancos) de Economia Bancária e Expectativas, divulgada nesta quinta-feira, mostrou melhora das projeções de inadimplência da carteira livre, tanto para este ano quanto para 2022.

Para 2021, a nova projeção recuou 0,2 ponto percentual ante a pesquisa anterior, de 3,4% para 3,2%, enquanto a taxa esperada para 2022 caiu 0,1 ponto percentual, de 3,6% para 3,5%. “Em ambos os casos, as projeções seguem abaixo do patamar pré-pandemia, sugerindo um cenário sob controle, embora o tema siga como ponto de atenção”, informou a federação.

De acordo com a pesquisa, a carteira total de crédito deve se manter em um ritmo de expansão elevado e crescer 12,3% em 2021. A projeção é superior à registrada na última edição do levantamento (+11,3%), feita em agosto, e está em linha com a nova estimativa feita pelo Banco Central, que é de expansão de 12,6%.

O levantamento mostra que o destaque será a alta na carteira Pessoa Física no segmento livre, que deverá avançar de 15,6% para 16,8%, refletindo o maior consumo das famílias devido à reabertura das atividades econômicas, consolidando-se como o principal responsável pelo crescimento da carteira em 2021.

A Pesquisa Febraban é feita a cada 45 dias, logo após a divulgação da Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O atual levantamento, realizado entre os dias 29 de setembro a 05 de outubro, reuniu as percepções de 16 bancos sobre a última Ata do Copom e as projeções para o desempenho das carteiras de crédito para o ano corrente e o próximo.

Carteira que sobe

“Mais uma vez, os resultados revelam que a carteira destinada às famílias deverá ser o destaque deste ano, beneficiada pela reabertura da economia, a flexibilização das medidas restritivas e o avanço da vacinação, o que favorece especialmente as linhas ligadas ao consumo. O crédito pessoal deverá crescer 17,2%, enquanto a linha de aquisição de veículos tem alta estimada de 11,3%”, afirma Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.

De acordo com ele, na carteira com recursos direcionados, a projeção passou de 7,5% para 8,0%, possivelmente refletindo a nova rodada do Pronampe e a demanda ainda aquecida por créditos imobiliário e rural.

Já as projeções de crescimento para a carteira total de crédito para 2022 mostraram estimativa de um ligeiro recuo, para 7,4% (na pesquisa anterior a alta esperada era de 7,8%). A revisão baixista ocorreu tanto na carteira com recursos livres (+9,1% ante +9,8%) quanto na carteira direcionada (+4,2% ante +4,5%). “Para o próximo ano, a pesquisa detectou que o cenário para o mercado de crédito se mostrará mais desafiador, diante do aumento da Selic e das perspectivas mais modestas de crescimento, além da própria base de comparação mais elevada”, afirma Sardenberg.

Selic

De acordo com a pesquisa, a maioria dos entrevistados (60%) entendeu como adequada a elevação de 1,0 ponto percentual da Selic na reunião de setembro, assim como o tom do comunicado feito pelo Comitê, suficiente para a convergência da meta da inflação em 2022. Entretanto, 20% entenderam que o ajuste foi insuficiente e que o ritmo de elevação da Selic deveria ser mais célere.

A maioria dos entrevistados (66,7%) espera que a Selic fique entre 8,5% e 9% ao ano no final do atual ciclo de ajuste, enquanto outros 26,7% esperam uma taxa ainda maior, de 9,25% ao ano ou mais. A média das projeções para a Selic no final do atual ciclo está em 9% ao ano, com elevações de 1,0 ponto percentual nas reuniões de outubro e dezembro, e um ajuste final de 0,75 pp em fevereiro.

Inflação

Já em relação à inflação, a maioria dos participantes (60%) entende que as projeções para 2022 estão bem calibradas (em torno de 4,12%), com incertezas e inércia limitando o recuo para o centro da meta. Para 20%, o viés segue de alta e a resposta do Banco Central (elevação da Selic) deveria ser mais dura do que a atual.

Em relação ao crescimento esperado para o próximo ano, 60% dos participantes enxergam um viés de baixa nas projeções atuais (de expansão próxima a 1,6%), enquanto os demais (40%) entendem que as projeções estão bem calibradas. Nenhum participante vê viés de alta.

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