Sindicatos se unem contra casos de assédio sexual no McDonald’s

Uma coalizão internacional de sindicatos representando dezenas de milhões de trabalhadores em vários países vai apresentar denúncia inédita junto ao governo da Holanda com casos de assédio sexual sistêmico no McDonald's em todo o mundo. O documento encaminhado às autoridades holandesas menciona que, no Brasil, o Ministério Público do Trabalho já recebeu, até o momento, 23 queixas com sérias indicações de assédio moral, assédio sexual e discriminação racial nas dependências da rede.

A denúncia será entregue ao Dutch National Contact Point (NCP), responsável por observar as diretrizes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para Empresas Multinacionais. O documento detalha as falhas da administração global do McDonald's em lidar com o assédio sexual desenfreado e a violência de gênero e reúne sindicatos da Austrália, Brasil, Chile, Colômbia, França, Reino Unido e EUA, entre outros países.

"Os trabalhadores do McDonald's estão em alerta por conta de casos de assédio sexual e violência de gênero que ocorrem há anos, mas a cultura contaminada da empresa desde o topo impediu a tomada de medidas para resolver o problema", diz Sue Longley, secretária geral da União Internacional de Trabalhadores de Alimentação (International Union of Foodworkers, em inglês). "Como o McDonald's deixou de agir para criar um local de trabalho seguro, o governo holandês deve usar essa queixa para ajudar os trabalhadores a enfrentarem efetivamente o assédio desenfreado que ocorre sob os arcos dourados da empresa em várias operações mundo afora".

A denúncia também envolve dois grandes bancos de investimento, que, juntos, detêm participação de US$ 1,7 bilhão no McDonald's: APG Asset Management, na Holanda, e Norges Bank, na Noruega, sendo este último o oitavo maior investidor da gigante rede de fast food. Isso porque as diretrizes propostas pela da OCDE exigem a devida diligência de acionistas institucionais nas empresas para garantir uma conduta comercial responsável dos investidores. A denúncia destaca que os sistemas de monitoramento interno e externo do APG Asset Management e do Norges Bank deveriam alertá-los para o crescente problema de assédio sexual na empresa.

A União Internacional de Trabalhadores da Alimentação (International Union of Foodworkers), a Federação Europeia de Sindicatos da Alimentação, Agricultura e Turismo (European Federation of Food, Agriculture and Tourism Trade Unions), a brasileira União Geral dos Trabalhadores (UGT) e o Sindicato Internacional de Trabalhadores em Serviços (SEIU, dos EUA e Canadá) assinam a denúncia, com base nas diretrizes da OCDE para Empresas Multinacionais.

Essa é a primeira queixa do gênero já apresentada à OCDE para tratar do fim de assédio sexual sistemático em uma empresa multinacional. A denúncia detalha um padrão de assédio sexual e violência de gênero no McDonald's em sete países, variando de comentários obscenos à agressão física, e sem que a empresa tome qualquer tipo de ação efetiva e eficaz para conter ou impedir esses abusos.

No Brasil, no ano passado, o Ministério Público do Trabalho no Paraná recebeu uma denúncia de assédio sexual e discriminação racial com 23 casos de ex-funcionários da rede. O documento elaborado pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) contém evidências de assédio sexual e de discriminação racial, que demonstram um padrão sistemático de abuso dos direitos dos trabalhadores em no McDonald's, que requer a intervenção imediata do Ministério Público do Trabalho.

"Trata-se de um alarmante e inaceitável padrão de assédio sexual e racial nos restaurantes McDonald's no Brasil, que agora sabemos que ocorre também em várias outras partes do mundo", observa Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores. "O McDonald's assiste a tudo isso passivamente, sem tomar medidas efetivas para assegurar um local de trabalho melhor para seus funcionários".

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