Fecomércio-SP: 70% das famílias começaram fevereiro endividadas

Segundo o estudo, 3,14 milhões de lares têm algum tipo de dívida; contas de início de ano afetam orçamento

339
Varejo na Rua 25 de março (foto de Paulo Pinto, Fotos Públicas)
Varejo na Rua 25 de março (foto de Paulo Pinto, Fotos Públicas)

Após consumo intenso com as festas de fim de ano e com as despesas típicas de janeiro, 3,14 milhões de famílias paulistanas iniciam fevereiro com algum tipo de dívida. Os dados da pesquisa de endividamento e inadimplência na capital paulista, analisados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), apresentaram leve aumento de 68,9% em janeiro para 70% no mês de fevereiro.

Segundo a Fecomércio-SP, esse aumento do endividamento pode ser considerado natural diante das contas do início do ano que alteram o consumo das famílias. É possível que alguns lares tenham enfrentado dificuldades pontuais na organização do orçamento doméstico, já que não se trata de uma alta expressiva.

A taxa de endividamento para as famílias com renda de até 10 salários mínimos subiu de 72,8%, em janeiro, para 73,5%, em fevereiro. Entre as famílias que recebem mais de 10 salários mínimos, de 57,6% para 59,8% em fevereiro.

O cartão de crédito continua sendo o principal tipo de dívida (78,7%), seguido pelo financiamento imobiliário (16,6%). Mesmo com a taxa de juros em patamar elevado, o mercado de trabalho aquecido e a regulação das taxas do mercado imobiliário mantêm as condições para sustentar o financiamento. Ademais, o crédito pessoal (12,4%) e o financiamento de veículos (10,6%) também são responsáveis pela dívida das famílias.

Espaço Publicitáriocnseg

O percentual da renda comprometida com dívidas registrou 27,2% – pouco abaixo de janeiro (27,5%), indicando que o maior acesso ao crédito não tem sido utilizado como saída emergencial pelas famílias paulistanas, mas como complemento natural de renda que segue sustentada pelo emprego.

Por outro lado, o tempo de comprometimento com dívidas permaneceu estável pelo terceiro mês consecutivo, com média de sete meses. Quase um terço das famílias está comprometida por até três meses – período mais característico de modalidades como o cartão de crédito – e pouco mais de um terço por prazo superior a um ano, perfil típico de financiamentos imobiliários e de veículos.

Em relação ao atraso, a inadimplência registrou aumento moderado no mês de fevereiro, ao atingir 20,4% – ante 19,9% no mês de janeiro, sendo 917 mil famílias com algum tipo de atraso na cidade. Assim como no endividamento, a taxa de inadimplência subiu nas duas faixas de renda: para as famílias com renda de até 10 salários mínimos passou de 24,6% para 25,2%; enquanto para o grupo de renda mais alta, de 8,4% para 8,6%.

O tempo médio de atraso também voltou a aumentar para 65,2 dias em fevereiro. A elevação na proporção de atrasos superiores a 90 dias precisa de atenção, visto que se trata de dívidas mais longas e, em tese, com juros mais elevados, o que dificulta a regularização.

O percentual de famílias que afirmam não ter condições de pagar dívidas em atraso apresentou leve variação (0,2%) e registrou 9% em fevereiro. Dentre estes, 10,8% dos consumidores responderam positivamente sobre a intenção de contrair crédito ou financiamento nos próximos três meses. Dentre os que pretendem assumir novo crédito, 81,2% afirmam que utilizarão os recursos para comprar e 12,6% para pagamento de dívidas.

Na avaliação da melhor forma de pagamento nas compras, o Pix segue liderando com 31%. Na sequência, aparecem o cartão de débito (23,5%) e o cartão de crédito parcelado (22,2%).

De acordo com a Fecomércio-SP, “as condições econômicas permanecem favoráveis, com inflação mais baixa e mercado de trabalho aquecido, o que sugere que essa expansão da inadimplência seja pontual e sazonal. Assim, forma-se um ambiente relativamente saudável para a contratação e, ao mesmo tempo, para a quitação de dívidas.”

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg