Os mercados operaram em alta nesta quarta-feira, fruto de uma série de acontecimentos favoráveis, que acabaram animando os investidores. Nos EUA, o Fed, em contraponto à decisão de terça-feira de cortar o juro em apenas 0,25 ponto percentual (na taxa básica e de redesconto), acabou dando um novo alento aos mercados ao anunciar um plano para suprimir a falta de liquidez do sistema financeiro.
Foi anunciada uma ação coordenada entre os bancos centrais, incluindo o Banco Central Europeu (BCE), Banco da Inglaterra, Banco do Canadá e Banco da Suíça, para tratar da “elevada pressão” do mercado de crédito. Deverá ser criada uma espécie de leilão de liquidez para ajudar os bancos que estiverem passando por dificuldades e também acertaram linhas de crédito com os outros bancos centrais. Neste contexto, os bancos poderão fazer ofertas por recursos que sairão da recém-criada Temporary Auction Facility. Estes recursos devem ajudar os bancos em dificuldade a manter o fornecimento de empréstimos para empresa e consumidores. Esta medida é vista como um alento contra a crise de confiança que vinha detonando um processo de deflação dos ativos.
No cenário doméstico, acabou repercutindo favoravelmente o comportamento do PIB no terceiro trimestre, com “crescimento pulsante” de 1,7% contra o trimestre anterior, 5,7% contra o mesmo trimestre do ano passado e 5,3% no ano. Além disto, pelo lado do mercado de petróleo, a cotação do barril se manteve pressionada neste dia (máxima de US$ 93 até às 16h30m), assim como a divulgação de relatório de grandes instituições financeiras ressaltando que a bacia de Tupi poderá ter um potencial de extração ainda maior do que o esperado.
No desempenho do PIB, o grande destaque acabou com o setor agropecuário, com crescimento de 7,2% contra o trimestre anterior, chegando a 9,2% contra o mesmo trimestre de 2006 e 4,3% no ano. O PIB industrial cresceu 1,8%, 5,0% e 5,1%, respectivamente, e os serviços, 1,2%, 4,8% e 4,7% na mesma base de comparação. Este bom resultado do setor agrícola foi motivado pela produção do trigo e da cana-de-açúcar, que registraram crescimento de 59,3% e 13,1%, respectivamente neste ano.
Pela lado da demanda, os investimentos cresceram 14,4%, em função do aumento da produção e da importação de máquinas e equipamentos; o consumo das famílias subiu 6% contra o mesmo trimestre de 2006 (16º avanço consecutivo nesse tipo de confronto); e o consumo do governo avançou 3,5%. A contribuir para a expansão do consumo doméstico, a maior oferta de crédito, o aumento da massa salarial e o conseqüente aumento do poder de compra real. Contra o segundo trimestre deste ano, o consumo das famílias cresceu 1,5% e no acumulado ao ano 5,9%.
Neste cenário, estamos revendo nossa previsão de crescimento para este ano, não mais em 4,8%, mas em 5,2%, impulsionada pelo setor agrícola no final do ano, a indústria, demanda doméstica, exportações, investimentos e o consumo pelo lado da demanda.
Julio Hegedus Netto – Economista-chefe Lopes Filho & Associados, Consultores de Investimentos [email protected]















