Felicidade, felicidade abre as asas sobre nós

Por Isaac Roitman.

Não é simples definir a felicidade. Ela é abordada pela filosofia, pela psicologia e pelas religiões. Os filósofos associam a felicidade com o prazer, uma vez que é difícil definir a felicidade como um todo, de onde ela surge e os sentimentos e emoções envolvidos.

Sigmund Freud abraçava a tese que todo indivíduo é movido pela busca da felicidade, mas essa busca seria utópica, uma vez que, para ela existir, não poderia depender do mundo real, onde as pessoas têm experiências com o fracasso, portanto, o máximo que o ser humano poderia conseguir seria uma felicidade parcial.

A doutrina religiosa budista também analisou a felicidade como um dos seus temas centrais. O budismo acredita que a felicidade ocorre através da liberação do sofrimento e pela superação do desejo, através do treinamento mental.

A felicidade é uma somatória de momentos encantados, como, por exemplo, contemplar a alegria e o sorriso de uma criança, como registrado no pensamento e sensibilidade de Charles Chaplin: “Não preciso me drogar para ser um gênio; não preciso ser um gênio para ser humano; mas preciso de seu sorriso para ser feliz.”

Para as pessoas contaminadas pelo consumismo e acúmulo de riquezas, o poder e o dinheiro são construtores da felicidade. Grande equívoco que a nossa consciência revelará, cedo ou tarde. Tem razão Arthur Schopenhauer quando disse: “A nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças do que nos nossos bolsos.”

Estamos vivendo tempos preocupantes no Brasil e no Mundo. A vergonhosa desigualdade social, o abandono dos princípios éticos, a destruição da natureza, uma educação ultrapassada, o desemprego, os moradores de rua, o desespero das classes mais vulneráveis, a falta de perspectivas para os jovens e outras mazelas causam infelicidade e fazem parte do presente e ameaçam o nosso futuro.

É a hora de mudar o jogo. Todas e todos temos o direito de ter uma vida digna e feliz. Existem no planeta um número considerável de seres humanos que construíram projetos virtuosos que precisam virar realidade. Isso é possível. Vamos usar como princípio o pensamento de Alexandre Herculano: “O segredo da felicidade é encontrar a nossa alegria na alegria dos outros.” Creio que podemos chegar no formato imaginado por Carlos Drummond de Andrade: “Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.”

A luta não será fácil. Muitas pedras no caminho. Nessa aventura, em momentos difíceis, vamos nos lembrar dos versos inspiradores de Lupicínio Rodrigues: “Felicidade foi-se embora / E a saudade no meu peito ainda mora / E é por isso que eu gosto lá de fora / Porque sei que a falsidade não vigora / A minha casa fica lá detrás do mundo / Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar.”

Concluindo, parodiando o Hino da República, vamos cantar com emoção e patriotismo: “Felicidade, felicidade / Abre as asas sobre nós! / Das lutas na tempestade / Dá que ouçamos tua voz!”.

 

Isaac Roitman é professor emérito da Universidade de Brasília, pesquisador emérito do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e membro do Movimento 2022-2030 O Brasil e o Mundo que queremos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Reforma da Previdência desestimulou contribuição

Por Isabela Brisola.

11 de Setembro, 20 anos do engodo que enredou o mundo

Por Pedro Augusto Pinho.

Últimas Notícias

Rede estadual de ensino retorna a aulas 100% presenciais

No ano passado, as aulas foram remotas por causa da Covid; na rede municipal da capital, retorno sem rodízio de alunos começou no dia 18.

Manguinhos e Ambev lideram dívidas ao Fisco estadual

Estudo da Fenafisco aponta que os maiores devedores também recebem isenções fiscais em suas áreas de atuação.

Investidores monitoram Campos Neto

Mercados externos negociam, em sua maioria, no positivo; na Europa é aguardada a decisão de política monetária do BCE.

Semana começa com estresse pós-traumático

Na sexta, mercados domésticos ficaram por conta da sensação de desmanche da equipe econômica de Paulo Guedes.

Reforma da Previdência desestimulou contribuição

Por Isabela Brisola.