Fenafisco: fala de Guedes mostra despreparo para reduzir desigualdade

País precisa de políticas sérias para combater desigualdade e não de paliativos que infringem normas sanitárias e preceitos humanitários.

Nesta sexta-feira, a Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco) criticou a fala de ontem do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o desperdício de comida: “podemos pensar em um incentivo para que todos esses alimentos perdidos, em vez de serem jogados fora, possam serem canalizados para programas sociais, como postos de atendimento endereçados aos mais necessitados.”

Segundo a entidade, “em mais uma declaração absurda, desta vez em evento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Guedes demonstra seu total despreparo, preconceito e desconhecimento do funcionamento de seu próprio país. O povo brasileiro necessita de políticas sérias e efetivas para combater a desigualdade – e não de medidas paliativas que infringem normas sanitárias e preceitos humanitários básicos.”

Em nota, a Fenafisco diz que “além de afundar a economia, beneficiar os mais ricos e tentar privatizar o Estado brasileiro, principalmente por meio da fragilização dos serviços públicos com a reforma administrativa, Guedes novamente se posiciona de forma elitista ao falar que os brasileiros de classe média comem demais e as sobras de alimentos deveriam ser utilizadas para mitigar o problema da fome. Mais de 125 milhões de brasileiros vivem atualmente sem a certeza do prato de comida na mesa e com uma política econômica que ignora os mais pobres e reduz o atendimento público.”

Há mais de quatro anos, a federação, em conjunto com outras entidades, atua na construção de projetos para tornar o país mais justo. Entre as propostas, está o documento “Tributar os Super-ricos para Reconstruir o País”, que demonstra a capacidade do governo de arrecadar R$ 292 bilhões ao ano com oito medidas tributárias. O montante pode ser utilizado para financiar programas sociais, além de ajudar na redução da desigualdade, aumentando a justiça fiscal no Brasil com um sistema tributário progressivo.

“Falas como a de Paulo Guedes só reforçam o despreparo das cabeças que comandam atualmente a nação. Para sair da crise, aprofundada nos últimos anos por ações ineficientes, é necessário o fortalecimento dos serviços públicos e amparo à população mais vulnerável.”

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