Feriados afetaram emplacamentos em novembro

Com feriados e enforcamentos, setor como um todo teve queda de 3,78% em novembro sobre outubro

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Vendas de automóveis (Foto: ABr/arquivo)
Automóveis (Foto: ABr/arquivo)

Com até três feriados no mês (dependendo da localidade), o mês de novembro fechou com pequena retração no número de veículos emplacados. Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), foram emplacadas 361.206 unidades, contra 375.410 no mês de outubro. O resultado, porém, foi 5,35% superior ao registrado em novembro de 2022.

“Tivemos estados importantes, como São Paulo, com apenas 19 dias úteis (foram 21 em outubro), o que afeta o número de emplacamentos. Mas tivemos sinais positivos, como o aumento das vendas diárias, que nos apontam que o resultado teria sido outro se não houvesse esses feriados no mês. Notamos queda nas taxas de juros e melhora no ambiente de crédito para o setor automotivo, devido à menor inadimplência e à queda, para 7,6%, na taxa de desocupação da população no trimestre (dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio do IBGE), que podem ter ajudado a destravar o mercado, especialmente, no varejo, para pessoas físicas”, analisa Andreta Jr., presidente da Fenabrave, lembrando que, segundo informações do último relatório do Banco Central, a inadimplência para aquisição de veículos recuou 0,1 ponto percentual, enquanto o volume de transações cresceu 1,1%.

Os segmentos têm se mantido acima do volume médio de 2022 e, em novembro, foram beneficiados com a melhora do crédito e com a redução das taxas de juros para financiamentos. “Com a melhora da carteira de crédito, os bancos passaram a ofertar melhores condições para financiamentos de automóveis e comerciais leves. Pequenas mudanças, como taxas de juros mais atraentes ou uma menor restrição na liberação dos financiamentos, por exemplo, fizeram diferença nos volumes emplacados”, diz Andreta Jr., complementando que a redução dos índices de desocupação da população também impacta na confiança do consumidor e instituições financeiras.

Segundo dados divulgados pelo IBGE, no último trimestre, houve recuo de 0,3 ponto percentual em relação aos três meses anteriores, sendo a menor taxa desde o trimestre móvel, encerrado em fevereiro de 2015.

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Os emplacamentos de automóveis e comerciais leves eletrificados cresceram no mês, mesmo com menor número de dias úteis.

“Foram 10,6 mil eletrificados emplacados em novembro, com uma alta de 34,7% nas vendas de elétricos. No ano, a soma de elétricos e híbridos já acumula 77,6 mil unidades. É um mercado em consolidação e com boa evolução em 2023”, enumera Andreta Jr.

Após enfrentar meses de instabilidade conjuntural, o segmento de caminhões começa a dar sinais de recuperação.

“O ano foi desafiador para caminhões, até o momento. Os fatores que impediam melhores resultados, para caminhões, como o custo do crédito e dos veículos Euro 6, parecem arrefecer, aos poucos. Já temos cerca de 90% do mercado de novos com a tecnologia do Eupto 6 e os bancos das montadoras têm ofertado taxas de juros abaixo de 1% para facilitar o financiamento de caminhões, o que traz perspectivas mais otimistas para o setor, principalmente, em 2024”, diz o presidente da Fenabrave.

O segmento tem chance de encerrar o ano com um dos maiores aumentos percentuais de todo o setor.

“Apesar da base baixa de comparação, o mercado de ônibus vem acumulando bons números em 2023, com o retorno de investimento por parte dos transportadores e a retomada de programas governamentais de transporte público, como o Caminho da Escola, que já tem contrato para a aquisição de mais 16 mil unidades entre 2024 e 2025”, avalia o presidente da Fenabrave.

E com a recuperação gradativa de caminhões, a queda nos emplacamentos de implementos rodoviários já era esperada, mas o segmento mantém números positivos no ano.

“Até agora, com os entraves para caminhões, muitos transportadores optaram por trocar seus implementos, usando, muitas vezes, dois para cada cavalo (caminhão). Contudo, com a melhora do cenário de caminhões e com boa parte dos implementos já renovados, esperamos certa estabilidade para o segmento até o final do ano, mas os dados serão positivos”, afirma Andreta Jr.

O mercado segue aquecido com boa possibilidade de superar o volume de 1,6 milhão de motocicletas no ano. “A última vez que quebramos essa barreira foi em 2013, quando o mercado automotivo como um todo vivia um momento bem diferente do atual. Isso prova como a motocicleta se tornou importante para a mobilidade no Brasil. Os resultados poderiam ser ainda melhores não fosse a seca na Zona Franca de Manaus, que comprometeu o transporte de algumas marcas, assim como a restrição de crédito, que ainda se mantém para o segmento, no que diz respeito a financiamentos para motos de até 250 cilindradas”, afirma o presidente da Fenabrave.

Já as motocicletas eletrificadas somam 7,7 mil unidades emplacadas no ano até o momento, volume 17,5% maior que o do mesmo período do ano passado.

Além disso, segundo o Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), o setor de motocicletas deve fechar 2023 com 1,56 milhão de unidades produzidas, o que representa um aumento de 10,6% em relação ao ano de 2022. Esse desempenho, explica o diretor da entidade, Hilario Kobayashi, deve-se ao fato de cada vez mais a motocicleta ser sinônimo de acessibilidade, economia e agilidade nos centros urbanos, sendo o modal de mobilidade urbana que mais cresceu em 2023.

Para Kobayashi, a manutenção da demanda por logística urbana (delivery) foi um dos responsáveis por este impulsionamento do mercado. Para 2024 as expectativas continuam positivas, uma vez que o cenário macroeconômico aponta para uma melhoria no ambiente de negócios e, aliado a isso, há a expectativa de crescimento do PIB e de menor inflação para o ano.

Outro mercado que reagiu positivamente foi o de alta cilindrada, que registrou crescimento de 13,5% de janeiro a outubro de 2023, na comparação com o mesmo período de 2022, representando um aumento de 3,3% de participação.

Por sua vez em termos de pontos de trabalho, o mercado registrou, em relação ao último número divulgado pela Suframa (2022), um acréscimo de 1 mil postos de trabalho em 2023, representando um aumento de mais de 6%.

As exportações não seguiram o desempenho da produção. Na comparação com 2022, o número de motocicletas exportadas vem caindo.

“Acreditamos que isso se deve ao cenário econômico pelo qual atravessam os países na América do Sul, principais consumidores dos nossos produtos”, comenta.

Até outubro, foram exportadas 30.426 unidades, um recuo de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. A projeção é fechar 2023 com 49 mil unidades exportadas.

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