Fiagros ganham terreno em 2023, mas devem ter 2024 desafiador

El Niño pode afetar desempenho dos fundos da agroindústria

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Plantação de café
Plantação de café (foto: divulgação)

2023 foi um ano de destaque para os Fiagros (Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais), que apresentaram um crescimento tanto no patrimônio líquido como na valorização das cotas. Contudo, 2024 promete ser um ano desafiador para essa classe de ativos, devido a efeitos climáticos e a permanência de guerras ao redor do mundo.

“Os Fiagros enfrentam as consequências do El Niño, estamos tendo uma perda de produtividade em boa parte do cerrado brasileiro. O que vai fazer a diferença é uma análise aprofundada das casas, das carteiras e de quem está dentro do Fiagro”, explica Volnei Eyng, CEO da Multiplike.

Andre Ito
Andre Ito (foto divulgação MAV)

“O agro também foi prejudicado pela elevação dos preços de insumos como fertilizantes e defensivos agrícolas. O Brasil é grande importador desses produtos e as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio contribuíram para a elevação dos preços diminuindo a margem de lucro dos produtores”, complementa André Ito, CEO da MAV Capital.

Porém, mesmo com esse cenário delicado, esses fundos alcançaram um patrimônio líquido de R$ 20,5 bilhões, crescimento de 72% ante o final de 2022, de acordo com os dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Além do crescimento no tamanho, as cotas apresentaram uma valorização de 10,37%, de acordo com o IFIA Genial.

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Esses números positivos são apontados como os principais fatores para que os Fiagros sigam performando positivamente ao longo de 2024. “Existem ótimas opções de casas consagradas que já têm bons resultados. A queda dos juros leva o investidor a ter produtos mais sofisticados”, recorda Eyng.

“Problemas sempre existirão, mas alguns deles estão sendo resolvidos e vão atrapalhar menos daqui para frente. A taxa Selic é uma delas, sua diminuição tende a destravar a economia. Projetos de interesse do agronegócio que estavam parados tendem a ser destravados e isso é bom para os fundos voltados à cadeia agroindustrial e a seus investidores”, projeta Ito.

Para quem busca por proventos mensais, o Fiagro possui uma lógica similar à dos fundos imobiliários (FIIs) e também pode pagar dividendos recorrentes, de acordo com a avaliação dos gestores de cada fundo.

“Os Fiagros proporcionam uma forma de diversificação de carteira, permitindo que os investidores participem do mercado agropecuário sem a necessidade direta de adquirir propriedades rurais”, destaca Eyng.

Fiagros poderiam adquirir créditos de carbono

Além dos retornos para o investidor, o mercado também observa com atenção esta classe de ativos, tendo em vista a consulta pública promovida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre o tema. “A nova regra prevê a possibilidade de maior diversificação do portfólio, além da originação de fundos com ativos que atendam aos conceitos ESG, o que deve atrair novos investidores”, diz Ito.

A Anbima também se movimenta neste tema e contribuiu com a consulta, sugerindo que os Fiagros possam adquirir créditos de carbono negociados nos mercados voluntário e compulsório, independentemente de eles serem regulados ou não.

“O mercado tem interesse em fomentar este tipo de investimento, mas a proposta inicial do regulador limita a compra dos créditos aos mercados voluntário e compulsório que sejam regulados”, alerta Sergio Cutolo, vice-presidente da entidade.

Por Matheus Silva, especial para o Monitor

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