Ficção

A pesquisa do Idec mostrando o aumento nas tarifas, escoltado pela queda na qualidade dos serviços, após a privatização bateu fundo na Anatel. A agência, que deveria ser um órgão técnico preocupado com a regulamentação das telecomunicações e a defesa dos usuários, saiu ontem em defesa do programa de privatização e das empresas telefônicas. Os argumentos são poucos e fracos. Compara tarifas de 1997 e não leva em conta a disparidade do poder aquisitivo entre Brasil e Bélgica, por exemplo. Apresenta os valores em dólar, mas não informa que cotação utilizou. E bate na tecla de que pode-se conseguir um telefone pagando-se entre R$ 50 e R$ 80, enquanto antes da privatização desembolsava-se R$ 1.117 – esquece que este valor se convertia em ações da Telebrás que, vendidas, poderiam render até três vezes mais do que o que se pagou (isso antes das empresas privatizadas derrubarem o preço das ações em detrimento dos minoritários). Não vale dizer que o valor do plano de expansão era fictício, pois não havia telefone para instalar; o telefone de R$ 80 também não passa de uma ficção na maior parte dos estados do Rio e São Paulo.
Quem?
A propósito, quanto a Anatel já arrecadou em multas das empresas de telefonia?
CRT
A propósito II, como fica a situação da CRT, já que a Anatel ameaçou até cassar a concessão?

Apoio
O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido) entrou na briga contra a privatização do Banespa. Itamar assinou o documento “Diga Não à Privatização do Banespa”, encampado pela Associação dos Funcionários do Banespa. O governador recebeu o presidente da associação, Eduardo Rondino, no Palácio da Liberdade. Itamar disse que se Minas tivesse um “sindicato forte” como a Afubesp não teria acontecido a privatização do Bemge, “da forma como aconteceu”.

Peso dos juros
O município do Rio fechou o ano passado com déficit nominal (inclui gastos com juros) de R$ 46 milhões, provocado, principalmente, por causa das despesas financeiras, que somaram R$ 161 milhões. O rombo causado pelos pagamento de juros foi amenizado pelo superávit primário (exclui gastos financeiros) de R$ 115 milhões, acumulado pela Prefeitura em 99. Os dados constam do levantamento do Fórum Popular do Orçamento do Rio.

Carestia
O Conselho Diretor da Asep se reúne hoje para discutir reivindicação da concessionária que opera o metrô, que, no início do mês, teve negado pedido para aumentar em 23% o preço da passagem, que passaria para R$ 1,23. Na ocasião, a Asep manteve a tarifa em R$ 1 por 90 dias para examinar melhor a questão. Além disso, solicitou à empresa o estudo da volta dos bilhetes múltiplos com descontos promocionais e um maior número de linhas de ônibus integradas ao metrô.

Protesto
Chegam hoje, a São Paulo, as Marchas por Reforma Agrária, Moradia, Emprego e Justiça. Organizadas pelo MST, as duas marchas reúnem 750 manifestantes que partiram de Matão e Sorocaba. Hoje, as duas marchas se encontram por volta de 10h, antes de realizar o ato na capital paulista. O MST denuncia que a PM do governador Mário Covas tentou interceptar os caminhantes na Rodovia Castelo Branco (altura de Barueri) e na Rodovia Anhanguera (Km 28).

Clone
A Corregedoria do Detran prendeu ontem em flagrante o proprietário de um Tempra cinza que alterou uma letra da placa de seu carro. A placa adulterada ficou igual à de um Corsa, de propriedade de Simone Gomes Passos, que passou a receber multas que totalizaram R$ 9,2 mil. A “clonagem” comprova também que os responsáveis por multar automóveis no Rio não estão cumprindo a lei, que determina que sejam anotadas cor e marca do veículo. Ao não fazê-lo, prejudicam quem está legal e beneficiam os bandidos e os espertinhos.

Sequestro S/A
A necessidade e a importância do uso da estratégia nas corporações é tanta, segundo o consultor financeiro Lélio Lauretti, que é aplicada de forma contínua até mesmo em áreas ilícitas. Disse que, ao ser desbaratado um grupo de sequestradores, observou-se que o planejamento e testes de um sequestro começam seis meses antes, e garantiu que a mesma sofisticação é praticada pelos que “atuam” no Brasil. Foi encontrado um anual repport (relatório anual), no qual constava a constituição de reserva para rearmamento e de fundo para auxiliar famílias de sequestradores presos.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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