Filhos da crise

O presidente da Bolívia, Evo Morales, comemorou, ontem,  em solenidade no Palácio do Governo, os primeiro frutos sociais da nacionalização dos hidrocarbonetos. Morales anunciou que, a partir do próximo dia 12, 1,2 milhão de estudantes do primeiro ao quinto ano do ensino básico de estabelecimentos públicos de todo o país vão receber 200 bolivianos para combater a evasão escolar. Segundo o presidente da Bolívia, a concessão do bônus, batizado de Juancito Pinto – herói boliviano de Guerra de Pacífico, com Chile (1879-84) – é fruto dos ganhos já obtidos com a cobrança de impostos das empresas estrangeiras que atuam no setor de gás do país.

Arquitetos
Coordenador do programa de governo de Lula, em 2002, até a divulgação da Carta ao Brasileiros, quando se afastou da campanha, o sociólogo Ricardo Antunes, que, no primeiro turno, votou na senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), reafirmou em entrevista à revista eletrônica Carta Maior que vai anular seu voto por não ver diferenças essenciais entre Lula e Alckmin: “Vou anular o voto. É evidente que as candidaturas de Lula e de Geraldo Alckmin não são idênticas, mas têm as arquiteturas de política econômica muito semelhantes, de ligação com os bancos, com o capital financeiro e com o grande capital industrial. Enquanto Alckmin é o candidato da direita com face tradicional, o governo Lula é uma expressão que vem das lutas sociais que acabou abraçando as propostas de fundo direitista. Com isso, Lula age para desarticular as lutas sociais”, explicou.

Contusão
Em círculos íntimos, o prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), tem dito estar arrependido de ter ajudado a trazer o Pan de 2007 para a cidade. Ele lamenta a montanha de dinheiro investido, que tem faltado em quase todos os setores da administração municipal. Quem conhece o prefeito, porém, garante que, ano que vem, a mídia que o Pan deve obter, Cesar deve mudar de opinião.

Vontades desejosas
O grupo de intelectuais e outros integrantes dos chamados formadores de opinião – conceito hodierno que significa quem tem acesso à mídia – estão em linha com as regras do jogo democrático ao declararem apoio à candidatura de Lula e, certamente, podem ter boas razões para tal. Caminham, no entanto, para o terreno do esoterismo quando proclamam que essa opção se deve às evidências de que a política econômica do segundo mandato seria desenvolvimentista. Como Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não se cansam de repetir que as condições para o crescimento se devem ao sucesso dos fundamentos da mesma política que mantém o país patinando em 2,3% ao ano, em média, resta aos neolulistas explicarem o que os levou a passarem a confiar na solidez dessa plataforma de lançamento.

Culpa do cliente
A pressão do mercado é a maior culpada por softwares de baixa qualidade, afirmam executivos da RSI Informática, uma das maiores empresas brasileiras especializada em teste e qualidade de programas de computador. A exigência de qualidade nos processos, comum em outras áreas de grandes empresas, não comparece ao setor de tecnologia da informação (TI). Segundo a RSI, programas desenvolvidos a “toque de caixa” muitas vezes possuem falhas nas especificações.

Xerife
O Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) entregará aos dois candidatos à Presidência da República documento com 22 pontos, entre eles a adoção de lista tríplice para a escolha do secretário da Receita Federal, por entender que a instituição, responsável pelo recolhimento da maior parte dos recursos que financiam o governo, não pode ficar ao sabor das conveniências políticas.

Fraude
Os prejuízos com fraudes contra seguro somam cerca de R$ 1,5 bilhão em todo o Brasil, por ano, afirmou o diretor de Proteção ao Seguro da Federação Nacional de Seguros (Fenaseg), Neival Rodrigues. A Fenaseg estima que 11,5% dos pedidos de indenização têm indícios de fraudes. Contudo, em apenas 15% desses casos as seguradoras deixam de pagar a indenização, por conseguirem comprovar a suspeita. Neival afirmou ainda que a carteira de transportes é, no momento, a mais visada pelos fraudadores. Em seguida, vem a de seguros de vida.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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