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domingo, janeiro 17, 2021

Filme velho

Os empresários ligados à Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), que tanto pediram a privatização da atividade, estão solicitando investimento total no valor de US$ 1,5 bilhão em modernização de equipamento e informatização nos portos brasileiros. Preferem, é claro, que o dinheiro saia dos cofres do BNDES.

Causa própria
O acordo do Brasil com o FMI servirá apenas para garantir pagamento aos bancos credores do país, a maioria dos EUA e muitos deles em dificuldades, alfineta o economista norte-americano Lyndon LaRouche. Opinião, aliás, endossada pelo Wall Street Journal, em sua edição de ontem – apesar do economista e a publicação raramente concordarem sobre algum tema. A bíblia dos mercados financeiros publicou que os bancos pressionaram Bush temerosos do estrago que um calote brasileiro causaria. LaRouche não vê outra solução para a crise que não congelar a dívida atual, manter uma cotação real-dólar e acabar com a livre conversibilidade.

Efeito Orloff
O acordo com o FMI – que surpreendeu os mais desavisados pelo valor, três vezes maior do que o inicialmente estimado – permite algumas conclusões iniciais:
1 – A situação é pior do que se imaginava;
2 – Nem o governo – mais especificamente, a equipe econômica – nem o FMI acreditam mais numa vitória do candidato governista e partiram para engessar o próximo presidente;
3 – Quem assumir a Presidência em janeiro de 2003 vai ter a seu lado a sombra de De La Rúa; como deve ser um candidato de oposição à atual política econômica – e todos têm sido críticos, inclusive o governista Serra, que ontem falou, em entrevista a uma rádio, que “a vaca estava indo para o brejo” – a situação fica mais delicada. A paciência do povo brasileiro, ainda que maior que a do argentino ou do uruguaio, tem limites – Collor que o diga.

Bola fora
A divulgação do acordo comprovou, uma vez mais, que o endeusado “mercado” não tinha a mínima idéia do que estava acontecendo, mas ainda assim conseguia emplacar suas previsões (esta coluna, polidamente, evita falar em “chutes”) e especulações nas colunas de plantão nos “jornalões”. No dia do acordo, alguns jornais publicavam números com erro de 100%.

Ressaca
Só agora – e o MM espera ter contribuído para isso – alguns empresários do setor produtivo estão se dando conta de que o acordo com o FMI é a tentativa de perpetuar a estagnação econômica, com direito a arrocho tributário ainda maior.

A favor do contra
Parece não restar mais dúvidas de que as declarações do ex-presidente Fernando Collor “a favor” de Ciro Gomes são provocadas pelos “colloridos” que integram a campanha – não de Ciro, mas de seu adversário José Serra. Repercutidas pela mídia governista, as declarações de Collor são uma forma de tentar “queimar” o candidato da Frente Trabalhista.

Plano B
Tantas opções estão sendo oferecidas ao Brasil depois que a Aeronáutica constatou que o Projeto FX (compra de caças modernos) vai atrasar que o sítio da Internet Defesa@net (www.defesanet.com.br) já fala num programa FX do B. A Aeronáutica cogitou, para fazer a transição entre a aposentadoria do Mirage e a chegada dos novos aviões, trazer via leasing caças Kfir C10 usados da Força Aérea  Israelense. Mas os concorrentes que disputam o Projeto FX correram para apresentar seu plano B, com aviões de séries mais antigas. O objetivo é fincar o pé e ganhar pontos na futura concorrência – que, apesar do atraso, deverá sair.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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