Fim da classe média

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Se o critério utilizado nos Estados Unidos para definir quem é pobre – famílias com renda anual de US$ 22.113, ou em torno de R$ 2.900 por família por mês – fosse empregado no Brasil, cerca de 92% da população estariam na condição de pobreza. Pode-se argumentar que pela paridade do poder de compra (PPC) o resultado seria diferente, mas, com a crescente valorização do real, o percentual pode não estar tão distante assim da realidade.

Dogma que não se põe
Antes de econômico, a solução do grave problema que trincou a Zona do Euro é política. A lógica que comanda a união dos países da região tem um grave vício de origem: baseia-se numa versão do antigo Império Britânico – aquele no qual o sol nunca se punha. Na sua roupagem contemporânea, o trabalho contínuo é para garantir, via desregulamentação dos mercados, ganhos 24 horas por dia para os financistas europeus e não europeus. Para isso, esgarçam os demais fatores de produção, ao colocá-los a serviço do atendimento dos interesses dos rentistas.
Por isso, não haverá solução para a crise enquanto os responsáveis por levarem a região à beira do precipício forem os mesmos a liderarem a mudança de rumo. Não apenas por uma questão de ausência de autoridade moral, mas porque o vício de origem impede a ruptura com a lógica que atrela qualquer mudança à garantia dos ganhos dos que quebraram a banca, ou seja, os Estados locais.
Como qualquer estudante de economia com um mínimo de pensamento crítico pode perceber, a insistência em impor sacrifícios inauditos aos povos da região não apenas provocará explosões sociais de consequências imprevisíveis, como inviabilizará qualquer possibilidade de continuidade do pagamento das dívidas públicas, ao empurrarem os países para a depressão, o que, por óbvio, derrubará ainda mais a atividade econômica e o recolhimento de impostos.
Um aluno curioso também poderá concluir, com facilidade, que, quanto mais tempo se insistir no dogma que tem seu maior defensor na cúpula do Banco Central Europeu (BCE) – não por acaso, o organismo dirigente que menos deve satisfação aos contribuintes – pior será o tombo da economia e o rombo a ser coberto no balanço dos bancos, que, estimulados, pelo lastro oferecido por governos e BCE, buscarão sugar até o último minuto os ganhos que lhes estiverem ao alcance.
Neste momento de decisão, governos vacilantes sobre os rumos a adotar precisam se abrir a ouvir as vozes das ruas dos seus indignados. Tal movimento, no mínimo, terá o dom de ajudar a questionar os dogmas que empurram seus países para um desdobramento da crise, diante do qual, a atual estagnação parecerá um piquenique em Mikonos.

Colônia
Jürgen Roters, prefeito da cidade de Colônia, e Gerald Böse , presidente da Feira de Colônia, na Alemanha, estarão reunidos com empresários fluminenses no próximo dia 19, no Windsor Atlântica Hotel, em Copacabana, a partir das 15h30. Na pauta, oportunidades de negócios para empresas brasileiras e propostas para a intensificação de intercâmbio comercial entre os dois países.

Risco mapeado
Começa nesta quarta-feira o Fórum das Cidades, que acontecerá em Cabo Frio, na Região dos Lagos fluminense. Entre as palestras, “O Desenvolvimento Urbano e o Risco Geológico”, dia 15, em que o diretor de geologia do Serviço Geológico do Estado (DRM-RJ), Claudio Amaral, vai comentar os recentes casos que envolveram o Rio e como o desenvolvimento dos municípios podem influir no risco geológico.

Eleito
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi eleito na tarde desta terça-feira presidente da representação brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul). Requião venceu disputa com os senadores Inácio Arruda (PCdoB-CE) e Ana Amélia (PP-RS). O senador paranaense comandará a representação brasileira, formada por dez senadores e 27 deputados federais, quando as reuniões do Parlasul forem realizadas no país. Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, primeiros sócios do Mercosul, são os países que compõem o Parlasul. Em 2014, estão previstas eleições diretas para a escolha dos representantes do Parlamento do Mercosul.

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