Fim das ilusões

Ontem, oitavo aniversário do Real, o dólar comercial fechou a R$ 2,90, na maior cotação da moeda norte-americana desde julho de 1994. Não poderia haver melhor simbolismo natalício de quão artificial era a sobrevalorização da moeda nacional no início do plano e de quão deletério para o país era o populismo do candidato FH exibindo, no interior da Bahia, notas de R$ 1 e assegurando que “o real é mais forte que o dólar”.

Fama
Responsável pela auditoria das contas do falecido Banco Nacional, a consultoria KPMG com frequência queixa-se de ter seu nome associado a tal passamento. Desde o fim da semana passada, tal referência perdeu a razão de ser. Nela se revelou que a Xerox tinha um rombo em seus balanços que, a depender da credulidade do leitor, varia de US$ 1,9 bilhão, admitido pela própria empresa, a US$ 6,4 bilhões, segundo calcula o Wall Street Journal. Em tempo, a auditora da Xerox nos Estados Unidos era a KPMG.

Iluminado
Seguidores e admiradores do líder espírita Chico Xavier formaram na manhã de ontem uma fila de cerca de 3 quilômetros em frente ao local onde o corpo do médium está sendo velado. Francisco Cândido Xavier morreu na noite de domingo, aos 92 anos, vítima de parada cardíaca; seu corpo será velado por dois dias. O enterro deve ocorrer hoje, às 17h, no cemitério São João Batista, Uberaba (MG). O governo mineiro decretou três dias de luto oficial no Estado. Em nota oficial, o governador Itamar Franco afirmou que “Chico Xavier expressava em sua face uma imensa bondade, reflexo de sua alma iluminada e que a transparecia particularmente em sua dedicação aos pobres”.

Conteúdo – 1
Balanço da revista Veja que chegou esta semana às bancas: na área editorial, três matérias procuram convencer o leitor que 1) a despeito do crescimento da candidatura Ciro Gomes, o embate na eleição será entre Serra (o preferido dos mercados) e Lula (o preferido dos mercados para perder no segundo turno – isto desde Collor); 2) governo petista também se envolve em escândalo de (altas) propinas e que a PF apenas usou um procedimento diferente para “grampear” membros do partido, entre eles Lula; 3) o próximo governo tem que manter a política econômica dos últimos oito anos, pois assim querem os céus.

Conteúdo – 2
Na área publicitária, de 44 páginas de anúncio (noves fora encarte de uma empresa de cosméticos), nove levam o símbolo de oito anos do Real, o que dá mais de 20% (em espaço, não em valores, pois descontos são de conhecimento apenas da revista); um encarte sobre turismo traz 16 páginas de propaganda, dos quais nove do governo federal e duas de governos estaduais tucanos. Balanço final: de 60 páginas de propaganda, 20 têm assinatura tucana – ou seja, um terço.

Cachaça “for export”
Enquanto o México produz 110 milhões de litros de tequila e abocanha US$ 100 milhões com a exportação do produto, o Brasil, que destila 1,5 bilhão de litros de cachaça, exporta somente US$ 9 milhões. Para conhecer o que está por trás do milagre mexicano, um grupo de grandes produtores brasileiros viajou ao país ao Sul do Rio Grande conhecer o complexo produtor de tequila. Na comitiva João Luis Coutinho, criador da Cachaça Magnífica, que foi servida durante o Festival de Publicidade de Cannes. A promoção incluiu a distribuição de uma garrafinha da aguardente.

O “default” de Fraga
A tentativa do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, de transferir para os administradores de fundos de renda fixa e DI a culpa pelo calote sofrido pelos aplicadores dessas modalidades de investimentos não isenta o BC de suas pesadas responsabilidades no episódio. Longe de meramente técnica, a decisão de ordenar que títulos do Tesouro Nacional, como as LFTs, passem a ser cotados pelo valor de mercado, em vez do seu valor de face, significa, na prática, sancionar a possibilidade de que esses papéis não venham a ser integralmente honrados pelo governo. Ou em linguagem popular, uma confissão antecipada de calote pelo credor.

Caneladas
Observação bem-humorada de um analista depois de constatar que nem o penta evitou nova disparada do risco Brasil: “Pelo visto, o mercado estava estocado em Alemanha”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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