Final de semana de tensão

É em clima de estresse que os mercados começaram a segunda-feira, segundo Alvaro Bandeira, economista-chefe do Banco Digital Modalmais.

Opinião do Analista / 11:15 - 6 de jan de 2020

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O noticiário de final de semana foi todo calcado no conflito entre os EUA e o Irã, e não poderia ser de outra forma, depois do ataque e a morte do general Soleimani. No Iraque, houve procissão com milhares de pessoas para homenagear o general, ao mesmo tempo em que o parlamento iraquiano votava para expulsar as tropas americanas de seu território. Já no Irã, o governo anunciou que não vai mais cumprir o acordo nuclear de 2015.

Já os EUA, enviaram mais 3.500 soldados para a zona de conflito no Kuwait e possuem 80 mil soldados em zona de guerra. O secretário de Estado Mike Pompeo declarou que Europa deveria ter apoiado o ataque ao general e o presidente Macron (França) pediu que o Irã evite escalada de tensão no Oriente Médio. Já a Alemanha elevou medidas de segurança. Donald Trump disse que se Irã responder com ataques terá 52 alvos para serem atingindo e com força nunca antes vista.

É nesse clima de estresse que os mercados começaram a segunda-feira. As Bolsas da Ásia operaram no campo negativo durante a madrugada, com Xangai em queda marginal. Na Europa, o dia começando sob tensão e Bolsas em boa queda nesse início de manhã. O mesmo acontece com os índices futuros do mercado americano. Aqui há espaço para seguir na mesma direção, temos que avaliar o comportamento da Petrobras diante de nova alta do petróleo no mercado internacional.

Agora os investidores avaliam indicadores melhores da atividade de serviços anunciada para o mês de dezembro. Na China, o PMI Caixin de serviços caiu para 52,5 pontos, mas ainda mostra expansão, pois está acima de 50 pontos. No Japão, o PMI de serviços encolheu para 48,4 pontos. Na Alemanha, o PMI de serviços subiu para 52,9 pontos e o composto em alta para 50,2 pontos. Na Zona do Euro, alta para 52,8 pontos e no Reino Unido na fronteira dos 50 pontos.

Na Alemanha, as vendas no varejo cresceram em novembro 2,1% e na Zona do Euro a inflação pelo PPI de novembro foi de +0,2%, mas a taxa anual está em -1,4%. Já a China anunciou que manda delegação para assinar acordo comercial com os EUA no próximo dia 12. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 1%, com o barril cotado a US$ 63,68. O euro era transacionado em alta para US$ 1,12 e notes americanos de 10 anos com juros em queda para 1,78%. O ouro e a prata tinham altas na Comex e commodities agrícolas em quedas na Bolsa de Chicago.

Aqui o Brasil adotou postura de apoio prudente ao ataque realizado pelos EUA (contra o terrorismo), mas lembra que o Irã é responsável por cerca de US$ 2 bilhões do superávit comercial do país. O Brasil também deve deixar de reconhecer a eleição para o parlamento da Venezuela e o presidente Bolsonaro tem deixado claro que vai aprovar o fundo eleitoral de R$ 2 bilhões, alegando inclusive que isso poderá ser objeto de mais um veto do Congresso.

Por aqui, a FGV anunciou que a inflação da classe de baixa renda IPC-C1 subiu 0,93% em dezembro, de anterior em 0,56%. Com isso acumulou alta em 2019 de 4,60%. No mercado, há espaço para a Bovespa seguir em baixa, mas vamos ter que avaliar o comportamento do petróleo no mercado internacional (começando a arrefecer da alta forte), e a influência disso nos preços dos derivados. O câmbio também será importante para definição já que na sexta-feira encerramos em alta de 0,78%, com a moeda cotada a R$ 4,055.

Na agenda do dia teremos a nova pesquisa semanal Focus do Bacen e indicadores PMI de serviços e composto.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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