Financiamento climático no Brasil dobra desde 2019 e atinge US$ 67,8 bilhões

Financiamento climático no Brasil dobra para US$ 67,8 bi em 2023, puxado por energia; florestas recebem apenas 1%

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energia limpa
Foto aérea por drone mostra um parque industrial de energia limpa no distrito de Majiatan, na cidade de Lingwu, na Região Autônoma da Etnia Hui de Ningxia, no noroeste da China, em 20 de agosto de 2024. (Xinhua/Yang Zhisen)

Os investimentos em ações climáticas no Brasil mais que dobraram desde 2019, alcançando US$ 67,8 bilhões em 2023, segundo relatório divulgado nesta semana pelo centro de estudos Climate Policy Initiative (CPI), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

No Brasil, a mobilização de financiamento climático é crucial para atingir objetivos climáticos e de desenvolvimento do país, promover maior adaptação às mudanças climáticas e redução das vulnerabilidades socioeconômicas

afirmou Joana Chiavari, diretora de pesquisa do CPI/PUC-Rio.

O crescimento foi impulsionado, principalmente, pelos setores de energia e agropecuária, florestas e outros usos da terra (AFOLU). No setor energético, a expansão da energia solar elevou os investimentos de US$ 9,5 bilhões, em 2020 e 2021, para US$ 22,4 bilhões, em 2022 e 2023. Já em AFOLU, os aportes quase dobraram, passando de US$ 14,9 bilhões para US$ 28 bilhões, com destaque para culturas sustentáveis, agrossilvicultura e pecuária.

Apesar da importância do tema, as florestas receberam apenas 1% do total. Os investimentos no setor caíram de US$ 1,5 bilhão em 2019 para US$ 254 milhões em 2023. “O baixo investimento no setor de florestas revela como o papel delas na agenda do clima ainda é uma oportunidade subaproveitada. Para avançar no combate às mudanças climáticas, as florestas precisam ser compreendidas como ativos centrais”, disse Juliano Assunção, diretor executivo do CPI/PUC-Rio.

As fontes domésticas responderam por 90% dos investimentos mapeados entre 2019 e 2023. As fontes privadas concentraram mais de dois terços dos recursos em 2022 e 2023, com destaque para instituições financeiras, empresas e domicílios. No setor público, o governo federal e o BNDES lideraram os aportes, com médias de US$ 6,6 bilhões e US$ 7,2 bilhões, respectivamente.

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A mitigação das mudanças climáticas recebeu 79% dos investimentos, enquanto adaptação ficou com 7% e objetivos duplos somaram 11%. Os recursos destinados a perdas e danos, embora ainda minoritários, aumentaram de US$ 0,2 bilhão em 2019 para US$ 2,2 bilhões em 2023. Após as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, o montante atingiu US$ 8,1 bilhões.

Segundo o CPI, o levantamento estabelece uma linha de base para acompanhar o alinhamento dos investimentos à agenda climática nos próximos anos, especialmente diante do compromisso assumido na COP29, de mobilizar US$ 300 bilhões até 2035, em um cenário global que demandará US$ 1,3 trilhão para enfrentar a crise climática

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