Fitch: ‘AAA (bra)’ à Proposta de Emissão de Debêntures da Localiza

A Localiza atua nas principais cidades e aeroportos do Brasil e também em diversos países da América Latina, como Argentina, Paraguai, Colômbia e Equador.

Os recursos serão utilizados para recomposição do caixa da empresa. A Fitch já classifica a Localiza com IDRs (Issuer Default Ratings – Ratings de Inadimplência do Emissor) de Longo Prazo em Moedas Local ‘BB+’ e Estrangeira ‘BB’ e a Localiza e a Localiza Fleet com o Rating Nacional de Longo Prazo ‘AAA (bra)’. A Perspectiva do IDR em Moeda Local e dos Ratings Nacionais é Estável e para o IDR em Moeda Estrangeira, Negativa.

A análise incorpora a manutenção de moderada alavancagem financeira consolidada, apesar da expectativa de fluxo de caixa livre (FCF) negativo, devido às perspectivas de crescimento da companhia.” O grupo possui comprovado acesso a financiamento e forte liquidez. As classificações da Localiza e da Localiza Fleet são equalizadas devido aos forte vínculos entre ambas, em especial os vínculos legais. O IDR em Moeda Estrangeira é limitado pelo Teto-país do Brasil, e sua Perspectiva Negativa reflete a do soberano brasileiro”, citou o relatório.

Fundamentos

A Localiza lidera o setor de locação de veículos e frotas no mercado brasileiro, sustentada por sua larga escala, comprovada experiência operacional, presença nacional e forte operação de venda de veículos usados. Em junho de 2021, sua frota total, de 274.342 veículos, dos quais 208.520 destinados ao rent-a-car (RaC) e 65.822 a gestão de frotas (GTF), garantiu participações de mercado significativas nestes segmentos. A Localiza é líder em RaC e a segunda maior em GTF em termos de tamanho da frota. Como resultado, tem forte poder de barganha com os fabricantes de automóveis e é capaz de capturar melhor as economias de escala. Ao final de 2021 e 2022, a frota própria da Localiza deve totalizar aproximadamente 284 mil e 320 mil veículos, respectivamente.

No cenário de rating da Fitch, o Ebitda da Localiza alcança R$3,1 bilhões (margem de 28%/+36% no comparativo anual) em 2021 e R$3,6 bilhões (margem de 24%/+15% no comparativo anual) em 2022, como resultado de uma forte demanda, tarifas de locação mais altas e margens crescentes de vendas de veículos usados. O desequilíbrio temporário entre oferta e demanda por veículos novos e serviços de locação deve perder força ao longo de 2022, mas alguns ganhos devem permanecer e manter margens mais altas do que as históricas.

Alavancagem moderada

A agência de classificação de risco, prevê um crescimento mais lento do que o esperado em 2021 e 2022, devido à escassez global de veículos novos, ajudará a manter a alavancagem financeira em patamares moderados. A alavancagem líquida consolidada, medida por dívida líquida total/Ebitda, deve ser de 2,3 vezes em 2021 e 2,7 vezes em 2022, ante a média de 3,1 vezes nos últimos quatro anos e 2,4 vezes no período de 12 meses encerrado em junho de 2021. À medida que um crescimento mais forte for retomado, em meados de 2022, a alavancagem deve aumentar ligeiramente, para 3,4 vezes, embora permanecendo em linha com os ratings atuais.

Retomada do crescimento

O fluxo de caixa das operações (CFFO) da Localiza, que considera os investimentos em renovação da frota, deve ficar em R$ 52 milhões em 2021 e R$231 milhões em 2022. Estes montantes são insuficientes para atender os investimentos voltados a crescimento, de R$700 milhões e R$2,4 bilhões, respectivamente, e o pagamento de dividendos anuais, de cerca de R$400 milhões.

Os FCFs negativos previstos, de R$1,0 bilhão em 2021 e R$2,6 bilhões em 2022, são administráveis, devido à forte flexibilidade financeira da empresa. No período de 12 meses encerrado em junho de 2021, como a frota total da Localiza foi ligeiramente reduzida, o CFFO, os investimentos e o FCF foram de R$1,1 bilhão, R$128 milhões e R$ 973 milhões, respectivamente.

Fusão

Na opinião da agência, a fusão da Localiza com a Unidas S.A. (consumado em setembro de 2020, respectivamente a maior e a segunda maior locadora de veículos e frotas do Brasil, fortalecerá a posição de negócios da entidade combinada, resultando em um grupo com sólida estrutura de capital e forte liquidez. O negócio está sendo analisado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que pode levar até o final de 2021 para decidir. Considerando as medidas sugeridas pelo Cade, a possibilidade de a transação ser concluída é razoável.

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