A Fitch Ratings afirmou, nesta terça-feira, o Rating Nacional de Longo Prazo ‘BBB (bra)’ da Matrix Comercializadora de Energia Elétrica S.A. (Matrix Comercializadora). Simultaneamente, a agência retirou o rating por razões comerciais. No momento da retirada, a perspectiva do rating era estável. A agência de classificação de risco de crédito informou que não mais fornecerá ratings, tampouco realizará a cobertura analítica da empresa.
A Matrix enviou nota ao Monitor Mercantil esclarecendo que “enquanto a retirada do rating pela Fitch Ratings ocorreu por razões comerciais, é crucial destacar que a Matrix Comercializadora mantém uma classificação robusta (rating A) pela Standard & Poor’s (S&P), refletindo nossa solidez financeira e confiabilidade no mercado de energia.”
A Matrix Comercializadora é a empresa de comercialização de energia da holding Matrix e representa quase a totalidade da receita e do Ebitda do grupo. A Matrix Comercializadora é uma das maiores comercializadoras independentes do Brasil. Tem como acionistas a DXT International S.A. (50,01% do capital social) e fundos de investimento sob gestão da Prisma Capital (49,99%). Empresa está presente há mais de 28 anos no Brasil, sendo responsável por +90% do consumo industrial do país. Já são mais de 30.000 unidades consumidoras no Ambiente de Contratação Livre (ACL).
Segundo a agência de classificação de risco, o rating da Matrix Comercializadora reflete a atuação preponderante do grupo Matrix na atividade de comercialização de energia no Brasil, que apresenta intensa volatilidade de preços, margens reduzidas e elevada competição. Estes fatores são contrabalanceados pelo adequado perfil financeiro do grupo, que deve manter caixa superior à dívida e geração operacional de caixa positiva nos próximos anos, beneficiado por spreads favoráveis já contratados nas operações de compra e venda de energia. Potenciais benefícios da estratégia de uma diversificação de negócios mais expressiva, por intermédio da ampliação do atualmente reduzido parque gerador de energia do grupo, não devem se materializar a curto prazo.
Risco na comercialização
Inerente ao segmento de comercialização, a forte volatilidade dos preços médios de compra e venda de energia nos últimos anos, em especial nos de curto prazo, traz riscos elevados para as empresas do setor e limita a classificação da Matrix Comercializadora. A volatilidade, em conjunto com a elevada competição entre as empresas, gera o desafio de manter uma estratégia comercial eficiente para preservar a rentabilidade das operações sem que haja significativa exposição a risco.
Com margens reduzidas por natureza, casos de inadimplência de clientes ou fornecedores, ainda que pouco frequentes no setor e inexistentes na Matrix Comercializadora, tendem a impactar as comercializadoras de forma relevante, embora a existência de garantias seja um atenuante.
O relatório da Fitch mencionou que a estratégia de a Matrix Comercializadora aumentar sua escala em operações de médio a longo prazo, com redução das de curto, diminuiu sua exposição à volatilidade de preços para fechar as posições em aberto. Em 2022, o grupo obteve o primeiro ano de spread robusto na atividade de comercialização de energia, capturado em sua estratégia de elevar a escala de contratos de médio e longo prazos, junto com compras de energia com pagamento antecipado a preços mais baixos.
“A significativa posição de caixa frente à dívida é um importante pilar da classificação da Matrix Comercializadora. A companhia vem apresentando posição líquida de caixa desde 2022, beneficiada pela entrada dos recursos de quase R$400 milhões naquele ano e no primeiro semestre de 2023, em parte, decorrente da reorganização societária do grupo, por meio da holding Matrix Energy Participações S.A. (Matrix)”, descreve o relatório. Ao final de junho de 2023, a posição de caixa e aplicações financeiras era de R$ 224 milhões, frente ao saldo de dívida de R$ 48 milhões. Novos investimentos em geração distribuída de energia, caso haja, podem trazer aumento de dívida bruta nos próximos anos.
Fluxo de caixa
De acordo com a agência, o fluxo de caixa das operações (CFFO) da Matrix se fortaleceu em 2022, quando passou a capturar o resultado de antecipações por compra de energia realizadas a fornecedores em 2020. Estes pré-pagamentos pressionaram seu capital de giro em anos anteriores, financiado por dívidas com terceiros e mútuos do acionista – convertidos em capital –, em contrapartida à apuração de maiores spreads futuros nos contratos.
Os resultados passaram a ficar mais robustos em 2022, com expectativas ainda favoráveis para os próximos anos. A Fitch estima Ebitda e CFFO positivos em 2023 – ao redor de R$ 70 milhões e R$ 30 milhões, respectivamente.
Matéria atualizada às 11h35 de 10/11/2023 para inclusão de esclarecimento enviado pela Matrix.
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