Fitch: Ambipar reduzirá seu índice dívida bruta

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Agência de classificação de risco Fitch Ratings
Fitch Ratings. Foto: divulgação

A Fitch Ratings atribuiu, nesta quarta-feira, o Rating Nacional de Longo Prazo ‘AA-(bra)’ à proposta de sexta emissão de debêntures quirografárias da Ambipar Participações e Empreendimentos S.A. (Ambipar), no montante de R$ 1,0 bilhão e com vencimento final em 2029. As debêntures serão garantidas pela subsidiária integral Environmental ESG Participações S.A. (Environmental) e seus recursos serão utilizados para refinanciamento de dívidas, informou o relatório da agência de classificação de risco de crédito.

A Ambipar presta serviços ambientais no Brasil (cerca de 60% do Ebitda consolidado) e no restante da América Latina, na América do Norte e na Europa, em dois grandes segmentos: response (mitigando e prevenindo danos ambientais decorrentes de acidentes) e environment (gerenciando e recuperando resíduos industriais de clientes privados).

A dívida total consolidada da Ambiparsomava R$ 7,7 bilhões ao final de dezembro de 2023, composta principalmente por debêntures (65%) e capital de giro (cerca de 20%). A dívida da controladora era de R$ 3,1 bilhões (principalmente de debêntures), garantida por suas subsidiárias.

A Fitch acredita que a empresa reduzirá seu índice dívida bruta/EBITDA para patamares mais conservadores. A alavancagem bruta deve atingir 5,1 vezes ao final de 2024, com uma redução para abaixo de 4,5 vezes em 2025, à medida que a empresa expanda sua geração de EBITDA e use parte do caixa para amortizar sua dívida. A alavancagem financeira líquida tem sido moderada — e o cenário-base da Fitch considera em torno de 3,5 vezes em 2024 e abaixo de 3,0 vezes nos próximos dois anos. O elevado volume de dívida deve fazer com que o índice de cobertura de juros pelo EBITDA permaneça baixo, com 1,4 vez em 2024 e 1,8 vez em 2025.

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Classificação

A Fitch classifica a Ambipar e suas subsidiárias Environmental e Ambipar Emergency Response (Emergency) com o Rating Nacional de Longo Prazo ‘AA-(bra)’. A emissora também é classificada com os IDRs (Issuer Default Ratings – Ratings de Inadimplência do Emissor) de Longo Prazo em Moedas Local e Estrangeira ‘BB-’. A perspectiva de todos os ratings corporativos é estável.

De acordo com a agência, o perfil de crédito da Ambipar reflete a sua posição de destaque no setor de serviços ambientais, com forte potencial de crescimento, e a diversificação de suas receitas em países economicamente mais estáveis que o Brasil. “Os ratings da Ambipar e de suas subsidiárias são limitados por sua alta alavancagem bruta consolidada, com importante consumo de fluxo de caixa por juros, bem como pela ausência de um histórico mais extenso de desempenho”.

“A Ambipar tem elevados incentivos para suportar suas subsidiárias, caso necessário, conforme a Metodologia de Vínculos Entre Ratings de Controladora e Subsidiárias. Como principal aspecto, as empresas possuem fortes vínculos legais decorrentes de garantias e cláusulas de inadimplência cruzada entre si”, destaca o relatório.

Segundo a agência, a/ perspectiva estável reflete a capacidade de a Ambipar sustentar uma liquidez robusta e a redução gradual do endividamento a médio prazo, com diminuição de investimentos e ausência de aquisições significativas, o que deve fazer com que as alavancagens bruta e líquida se mantenham em patamares moderados.

Modelo de negócios

O modelo de negócios da Ambipar se favorece do diversificado conjunto de prestações de serviços em seus dois principais segmentos operacionais: environment (principalmente gestão e recuperação de resíduos) e response (mitigação de danos ambientais decorrentes de acidentes). O segmento environment, no qual opera a subsidiária Environmental, representa cerca de 50% da receita e se beneficia de contratos com duração média de cinco anos e baixa exposição a risco de volume.

O segmento response, em que a Ambipar opera por meio da subsidiária Emergency, corresponde a cerca de 50% da receita e é sustentado por contratos com duração de cerca de três anos, renováveis. Aproximadamente 25% desta receita são recorrentes, e o restante está relacionado ao número de ocorrências. A atual estratégia, focada em crescimento orgânico, reduz a exposição da empresa a riscos de execução de aquisições.

Pagamentos de juros

O relatório destacou que os juros da dívida devem continuar elevados nos próximos anos. O cenário-base considera aumento do Ebitda para R$ 1,5 bilhão em 2024 e R$ 1,8 bilhão em 2025, sustentado pela expansão dos negócios, com fluxo de caixa das operações (CFFO) atingindo cerca de R$ 300 milhões e R$ 480 milhões nos respectivos anos, após o pagamento de juros. Os investimentos anuais são estimados em torno de R$570 milhões no período de dois anos, resultando em fluxos de caixa livre (FCFs) negativos médios anuais próximos a R$ 200 milhões.

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