Fitch eleva nota da multinacional brasileira JBS

A Fitch Ratings elevou os IDRs (Issuer Default Ratings – Ratings de Inadimplência do Emissor) de Longo Prazo em Moedas Estrangeira e Local da JBS S.A para ‘BBB–’, de ‘BB+’. A agência também elevou o rating das notas seniores sem garantias reais garantidas pela JBS e atribuiu rating ‘BBB–’ às novas notas seniores sem garantias e vinculadas a metas de sustentabilidade emitidas pela JBS Finance Luxembourg S.a.rl., também garantidas pela JBS. O Rating Nacional de Longo Prazo ‘AAA (bra)’ foi afirmado. A Perspectiva dos ratings corporativos é estável. O relatório foi publicado nesta quarta-feira.

Segundo a agência, a elevação para ‘BBB–’ reflete o forte perfil de negócios da JBS, sua baixa alavancagem, sua forte liquidez, a geração positiva de fluxo de caixa livre (FCF), o favorável perfil de amortização de sua dívida, o histórico de acesso ao mercado internacional e o recente acordo com o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ), realizado por sua controladora. Os ratings continuam limitados por sua estrutura de governança corporativa e pela concentração de controle acionário.

A Fitch acredita que a alavancagem líquida da JBS permanecerá abaixo de 2,0 vezes em 2021 (comparado a 1,7 vez, incluindo ajustes de IFRS 16 ao final de 2020), em função do crescimento das vendas e do Ebitda, resultante do forte desempenho das operações nos Estados Unidos, principalmente a de carne bovina. Os fundamentos da JBS são também sustentados pela forte demanda global por proteína, principalmente da Ásia, pelos altos preços da carne bovina, pela reabertura de seu segmento de food service e pela recuperação econômica global.

Estes fundamentos positivos são parcialmente contrabalançados pelos elevados custos da ração e do gado no Brasil e pelos custos mais altos da mão de obra nos EUA. Na opinião da agência, a JBS também deve buscar aquisições do tipo bolt-on para aumentar sua carteira de produtos de maior valor agregado. Não há expectativa de que eventuais aquisições aumentem a alavancagem líquida para muito além de 2,5 vezes em 2021, tendo em vista o porte relevante da empresa. Seria necessária uma aquisição de mais de USD 5 bilhões – assumindo que não houvesse Ebitda – para que a alavancagem ultrapassasse tal patamar.

O relatório da Fitch destaca que a JBS possui forte perfil de negócios por ser a maior produtora mundial de carne bovina, aves e couro, com diversificação em produtos de carne de frango, bovina, suína e alimentos processados.

A empresa apresenta diversificação geográfica, com forte presença na América do Norte, América do Sul, Austrália e Europa. Esta diversificação geográfica e de produtos permite ao grupo mitigar vários ciclos do gado, potenciais restrições de importação e riscos sanitários. Além disso, reduz riscos socioambientais associados ao desmatamento na Amazônia e riscos relacionados ao monitoramento de sua cadeia produtiva.

A JBS Brasil Beef representou 9% do Ebitda no período de 12 meses encerrado no primeiro trimestre de 2021. As exportações representaram 24% das vendas globais da JBS no primeiro trimestre de 2021. A Ásia representou 52% das vendas de exportação, principalmente para a Grande China (30,5%), Japão e Coréia do Sul. O grupo está engajado em diversas iniciativas ambientais no Brasil relacionadas à emissão de carbono e à rastreabilidade do gado.

Vantagens

“As vantagens competitivas da JBS resultam de sua diversificação geográfica e de proteínas, da ampla escala de suas operações, do acesso aos mercados de exportação a partir do Brasil e dos EUA e da relação de longo prazo com fazendeiros, clientes e distribuidores”. Em 2021, de acordo com o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) a produção de carne bovina nos EUA deve aumentar em torno de 2,7%, e a de carne suína e de frango, permanecer estável.

A JBS tem um score de relevância de crédito ESG ‘5’ para Estrutura de Governança, devido à concentração do controle acionário. Os ratings permanecem limitados por sua estrutura de governança corporativa e pela concentração acionária da J&F, que possui 38% de suas ações. As questões de governança têm impacto negativo na classificação, uma vez que seu perfil de rating em base individual e seu perfil financeiro condizem com uma categoria de rating ‘BBB’, considerando porte, diversificação, baixa alavancagem e capacidade de geração de FCF em comparação com pares internacionais, como a Tyson (‘BBB’/Perspectiva Estável). A J&F é controlada pela família Batista, que continua envolvida na gestão do grupo no âmbito administrativo e operacional e define o direcionamento estratégico da companhia.

Em 14 de outubro de 2020, A J&F firmou um acordo com o DoJ para encerrar um processo relacionado à Lei Americana Anticorrupção no Exterior (FCPA – Foreign Corrupt Practices Act), pagando uma multa de USD128,2 milhões. Os controladores da JBS ainda estão sendo investigados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sendo sujeitos a processos criminais por supostas violações da legislação societária e de valores mobiliários no Brasil.

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