Fitch rebaixa novamente nota da Raízen, de CCC para C

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Prédio da Fitch Ratings
Prédio da Fitch Ratings (Foto: reprodução)

A Fitch Ratings, agência de classificação de risco de crédito, rebaixou para ‘C’, de ‘CCC’, os IDRs (Issuer Default Ratings – Ratings de Inadimplência do Emissor) de longo prazo em moedas estrangeira e local da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A. (denominadas, em conjunto, Raízen). A agência rebaixou anda as notas seniores sem garantia real da Raizen Fuels Finance S.A., com vencimento em 2027, 2032, 2034, 2035, 2037 e 2054, para ‘C’, com rating de recuperação ‘RR4’, de ‘CCC/RR4’. A Raízen é a principal produtora de açúcar e etanol e a segunda maior distribuidora de combustíveis no Brasil, com presença também na Argentina. A companhia é uma joint venture controlada pela Shell e pela Cosan.

A Fitch também rebaixou para ‘C(bra)’, risco iminente de um default, de ‘CCC (bra)’, os ratings nacionais de longo prazo da Raízen e das segunda, terceira e quarta emissões de debêntures da Raízen S.A. e das quarta e quinta emissões de debêntures seniores, sem garantias reais, da Raízen Energia S.A. (com garantia da Raízen S.A.).

Segundo a Fitch, o rebaixamento para ‘C’ segue o anúncio feito em 11 de março pela companhia de que havia celebrado um acordo com parte de seus credores para um plano de reestruturação de dívida extrajudicial, que pode incluir conversão parcial de dívida em capital, troca de dívida por novos instrumentos e injeções de capital, entre outras iniciativas de reorganização societária. A empresa n protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida total de aproximadamente R$ 65,1 bilhões. Esse valor, considerado o maior da história do Brasil, motivou a empresa a buscar reestruturação após acumular prejuízos, alta alavancagem (5,3x Ebitda) e queda nas ações. A empresa tem dívidas com bancos nacionais, internacionais e bondholders.

“A Raízen terá 90 dias para concluir o plano de reestruturação, por meio da adesão da maioria simples dos credores quirografários seniores. Uma vez obtida a aprovação, todos os credores desta classe ficarão vinculados às mesmas condições. Durante este período, a companhia terá um acordo de standstill ’’, destacou o relatório da agência.

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A Fitch entende que a Raízen entrou em um processo semelhante a inadimplência. Caso a companhia anuncie formalmente a conclusão do plano de reestruturação extrajudicial, os ratings serão rebaixados para ‘RD’, a fim de refletir um evento de inadimplência restrita. De acordo com a Fitch, as classificações serão posteriormente reavaliadas, incorporando a nova estrutura de capital e o plano de negócios da empresa.

O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen conta com o apoio de parte dos credores quirografários seniores, que representam cerca de 47% desta classe (aproximadamente R$ 30,7 bilhões). Isto garante à companhia um standstill de 90 dias para todos os credores quirografários seniores. Durante este período, a Raízen buscará aumentar a adesão ao plano

para atingir a maioria simples, o que permitirá estender os mesmos termos e condições ao total da classe (cerca de R$ 65,1 bilhões). A Fitch considera este processo semelhante a inadimplência.

A Fitch esclareceu que a companhia manterá inalterados os relacionamentos com clientes, fornecedores, distribuidores e outros parceiros comerciais, essenciais para a sua operação e a continuidade das atividades. Credores seniores com garantia fiduciária e credores ACC (adiantamentos de contratos de câmbio) também não estão sujeitos ao plano.

Resultados

De acordo com a XP, os resultados do 4T25 da Raízen refletem os desafios de seu processo de turnaround em andamento, oferecendo uma visão clara da trajetória atual da empresa: a receita líquida foi de R$ 57,7 bilhões (+7,5% A/A e em linha com XPe) e o Ebitda ajustado foi de R$ 1,7 bilhão (-53,3% A/A e -38% vs. XPe). A empresa já iniciou passos críticos em direção à reciclagem de portfólio, renovação da liderança e reestruturação de suas operações comerciais—uma estratégia que vemos positivamente. No segmento de Açúcar e Renováveis, a menor disponibilidade de produtos foi o principal fator para o resultado abaixo do esperado, compensando mais do que os preços ligeiramente mais altos de açúcar e etanol, embora trading ainda tenha sido um fator de redução de margem no açúcar.

No segmento de Mobilidade, o ambiente de oferta no Brasil e problemas com o biodiesel resultaram em margens inferiores ao esperado, enquanto a Argentina ajudou a compensar parcialmente o impacto negativo. Embora valorizemos os guidances operacionais e de capex compartilhadas pela Raízen, a perspectiva da empresa permanece ofuscada pela complexidade de seu processo de turnaround e pelas muitas variáveis envolvidas.

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