Flexível

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“O sistema de fixação de metas de inflação é funcional num quadro de normalidade na garantia de estabilidade, ou num quadro de instabilidade cujo objetivo central é reconquistar a estabilidade dos preços, mesmo que afetando o crescimento”, analisa o prefeito do Rio, Cesar Maia. Ele sugeriu que a meta de inflação para 2009 seja flexibilizada, aumentando seu patamar superior, utilizando instrumentos ortodoxos apenas no caso de ultrapassagem da nova meta. “Admitiria que a inflação será crescente, mas estabeleceria um teto para ela, ou seja, para a intervenção ortodoxa do Banco Central (juros)”.

Terceirização
Desde 2000, a especulação no mercado desregulado de trocas de garantias contra calotes (CDSs, da sigla em inglês) cresceu exponencialmente de US$ 900 bilhões para US$ 62 trilhões no início de 2008, duas vezes a capitalização do mercado acionário dos EUA e quase o equivalente à totalidade da riqueza das famílias dos Estados Unidos e dez vezes o valor de todos os títulos de dívida que podiam ser protegidos por seguro. “Nessas trocas, nenhuma das partes precisa possuir a dívida subjacente para fechar um contrato. Ademais, as trocas são sujeitas ao que o mercado chama de “novação”: a transferência do risco para um terceiro, sem o conhecimento ou o consentimento das partes originais”, ensina o diretor-executivo do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial (associado à Faap), Norman Gall.

Alavancagem
Quando os mercados estão em alta, os empréstimos maciços contraídos por investidores podem render lucros enormes sobre spreads pequenos entre juros e taxas, ao mesmo tempo empregando pouco capital próprio dos investidores. “A alavancagem ficou tão grande que o Goldman Sachs usou cerca de US$ 40 bilhões em capital para suportar US$ 1,1 trilhão em ativos, enquanto o Merrill Llynch usou US$ 30 bilhões como base para US$ 1 trilhão em ativos”, critica Norman Gall, nos Braudel Papers.

Oriente
A Esteves, uma das maiores indústrias do setor de metais e acessórios destinados às instalações hidráulicas no mercado nacional, participa no final deste mês da Big 5, uma das principais feiras da construção do mundo, que será realizada em Dubai, nos Emirados Árabes. Trata-se de um mercado estratégico para o processo de internacionalização da marca, informa a companhia.

O dono da voz
Persiste no Brasil um enorme monopólio para concessões radiofônicas, que, apesar de avanços, mantém-se orientado para atender apenas a demandas políticas e econômicas. É o que mostra a jornalista Letícia de Freitas e Castro em seu primeiro livro, O poder da mídia democrática: a rádio comunitária como mecanismo de transformação social. O lançamento será no Espaço Multifoco (sede da editora), que fica na Av. Mem de Sá, 126, na Lapa, rio de Janeiro. O evento começa às 19h.

Esquizofrenia
O Coordenador da Cátedra e Rede Unesco/UNU de Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (Reggen), Theotonio dos Santos, classifica de “esquizofrênica” a tentativa do Governo Lula de conciliar medidas de política fiscal expansionista com juros elevados. Nesse sentido, Santos, que integra o Conselho Editorial do MM, considera a presença de Henrique Meirelles à frente do Banco Central um empecilho a adoção de medidas pró-ativas.

Krugman no BC
E como desconfia que o presidente Lula possa estar tendo dificuldade para encontrar “economistas corajosos” para substituir Meirelles, Santos sugere ironicamente a nomeação do Prêmio Nobel de Economia 2008, Paul Krugman para o BC: “Krugman tem dito que, no momento, o importante é ter criatividade e gastar. Todos estão nessa linha. Até os conservadores estão calados. Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI) dizem que a época é de baixar juros e aumentar a demanda via investimento estatal. O G20 também recomenda isso, menos o Brasil”, criticou.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

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