Fluxo de consumidores na Black Friday fica abaixo da média em 2020

Quantidade de visitantes nas lojas físicas foi menor do que registrado em 2019.

As vendas no varejo físico até se aproximaram dos números obtidos em 2019, mas o fluxo de consumidores nas lojas e nos shopping centers durante a Black Friday em 2020 continuou abaixo do registrado no ano passado.

Os dados são da FX Data Intelligence, especialista em visão computacional dirigida por IA, fornecendo insights estratégicos para o varejo, e da F360º, plataforma de gestão para franquias, pequenos e médios varejistas. O indicador foi chancelado pela 4Intelligence, empresa que desenvolve plataformas de inteligência para o mercado B2B.

O estudo mostra que o movimento de consumidores no dia da Black Friday em 2020 (27 de novembro) foi 62,9% menor em shopping centers e 55,87% menor em lojas físicas. Os pontos de venda localizados na rua caíram 54% na sexta-feira, enquanto os inseridos em centros de compra tiveram queda de 56,3%.

Na análise regional, o Nordeste teve o menor recuo nas lojas, com -42,9%. O Sudeste caiu 57,4%; o Centro-Oeste ficou em -57,9%; e o Sul, -59%. O Norte registrou o pior desempenho, com -61,6%. Nos shopping centers, o Nordeste novamente teve a menor queda, com -50,9%. O Norte marcou -61,1%; o Sudeste, -64,6%, e o Sul -79,5%. Os shopping centers do Centro-Oeste não tiveram amostragem suficiente para análise.

Entre as categorias, o segmento de “home center” obteve a menor queda na comparação do dia, com -11%. “Drogaria” caiu 24%, seguida por “eletroeletrônico” (-40%), “utilidades domésticas” (-46,2%), e “departamento” (-49,3%). Já “beleza” (-53%), “ótica” (-58,5%), “moda” (-62,3%) e “calçados” (-65,3%) registraram os maiores recuos.

“Os dados mostram que, embora o comércio tenha adotado protocolos de controle e prevenção contra a pandemia de covid-19, os consumidores ainda demonstram receio em visitar lojas físicas. Porém, ao comparar a Black Friday com os demais eventos do ano após a pandemia, vemos um pico que pode ser entendido como um sinal de retomada”, explica Flávia Pini, CEO da FX Data Intelligence.

A comparação da semana da Black Friday em 2020 (23 a 30 de novembro) com o mesmo período de 2019 (25 de novembro a 2 de dezembro) tampouco trouxe resultados positivos. O fluxo de consumidores caiu 45,3% nas lojas e 57,3% em shopping centers de todo o país. Os pontos de venda nas ruas recuaram 42,9% e nos centros de compra, 45,6%.

Na análise regional, o Nordeste novamente teve a menor queda, com -30%. As lojas do Norte tiveram -43,2%; as do Sudeste, -48,2%; e as do Centro-Oeste, -52,4%. O Sul teve o pior desempenho, com -55%. Nos centros de compra, o Nordeste recuou 43,3%, seguido por Norte (-59,3%), Sudeste (-59,9%) e Sul (-73,5%). Os shopping centers do Centro-Oeste não tiveram amostragem suficiente para análise.

Na análise por segmentos, “home center” teve o desempenho mais próximo do ano passado na semana, com recuo de 2,3%. “Drogaria” caiu 25,4%, seguida por “eletroeletrônico” (-27,5%), “utilidades domésticas” (-36,8%) e “beleza” (-39,2%). “Departamento” (-42,5%), “ótica” (-46,6%), “calçados” (-47,2%) e “moda” (-56,6%) tiveram quedas mais significativas.

A Black Friday em si esteve longe do patamar de 2019, mas o comparativo semanal mostra desempenho melhor de vendas para as lojas físicas brasileiras. É o que mostra o levantamento realizado pela F360º, plataforma de gestão financeira com conciliação automática de vendas por cartão para o pequeno e o médio varejista.

Na comparação específica da sexta-feira e do sábado (27 e 28 de novembro de 2020) com o mesmo período de 2019 (29 e 30 de novembro), a queda nacional foi de 18,8% no faturamento e de 31,5% no total de pedidos. As lojas de rua sofreram menos, com -13% nos valores e -26,5% nas transações. As lojas em shopping centers caíram 34,6% e 41,8%, respectivamente.

Entre as regiões, todas registraram quedas nos dois indicadores. O pior desempenho foi do Sudeste, com -26,3% no valor levantado e -36,8% nas compras realizadas. Na sequência aparecem o Sul (-22,3% e -34,5%), Centro-Oeste (-12,3% e -27%) e Nordeste (-8,3% e -25%). O Norte teve os resultados mais próximos de 2019, com -3,6% e -16,5%, respectivamente.

Contudo, o desempenho melhora sensivelmente quando a comparação é entre a semana da Black Friday 2020 (23 a 30 de novembro) e o mesmo período de 2019 (25 de novembro a 2 de dezembro). O faturamento total das lojas físicas foi 5,7% inferior, enquanto o total de transações caiu 18,8%.

As lojas de rua, por exemplo, conseguiram se aproximar dos valores obtidos no ano anterior, mesmo com a pandemia de covid-19: queda de apenas 0,5% nas receitas, com -13,2% menos pedidos. Os pontos de venda localizados em centros de compra, por sua vez, caíram 23,2% e 31,5%, respectivamente.

Entre as regiões, o Nordeste teve o melhor desempenho, com suas lojas registrando aumento de 11,6% no faturamento e queda de 3,7% no número de pedidos. O Norte também teve alta na receita, com 6,6%, e queda de 6,3% nas transações. Já o Centro-Oeste caiu 5,4% e 14,9%, respectivamente. Sudeste (-12,5% e -24,3%) e Sul (-14,2% e -24,5%) tiveram os piores resultados.

“Os dados mostram que tanto os varejistas quanto os consumidores adotaram uma estratégia diferente para esta Black Friday. Em vez de concentrar as promoções em um único dia, pulverizaram as ofertas ao longo da semana, permitindo que as pessoas pudessem comprar em outros dias e evitando aglomerações”, analisa Henrique Carbonell, CEO da F360°.

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