Fogo amigo (amigo?)

Mundo de negócios é terreno fértil para jogo bruto. O internacional, então, nem se fala. O economista e jornalista J.Carlos de Assis relata que, certa vez, o patriarca do grupo Odebrecht contou, em uma rápida entrevista, que perdeu sua primeira concorrência internacional no Chile porque o presidente Reagan ligou diretamente para Pinochet e pediu a obra para uma empresa norte-americana. “Simples assim.” No Brasil, não só não se busca preservar conhecimentos, empregos e mercado de uma empresa que tem 80 anos, como parte do Estado ajuda a minar os negócios da empreiteira – e de outras empresas nacionais – no exterior.

A alemã Siemens já foi denunciada algumas dezenas de vezes por corrupção em diversos países. No Brasil, confessou, após delação de um ex-executivo, ter participado do cartel dos trens que permeou os governos tucanos em São Paulo, o chamado trensalão. Nem por isso o Estado alemão pensou em aniquilá-la. Maior conglomerado da Europa, com mais de 360 mil pessoas empregadas mundialmente, a empresa pagou multas de menos de 2 bilhões de euros, mudou suas regras de compliance, e segue o jogo.

Nos dois lados do guichê

A denúncia feita pela central sindical Pública à Comissão de Ética da Presidência e ao Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) sobre a dupla militância do secretário da Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, foi recebida com total indiferença pelo governo.

Segundo a entidade, Caetano, um dos principais articuladores da proposta de reforma da Previdência, ocupa o cargo de conselheiro na Brasilprev, uma das maiores empresas de previdência privada do país, sociedade anônima que tem como acionistas a PFG do Brasil, sociedade pertencente à norte-americana Principal Financial Group, e a BB Seguros Participações.

Este jornal já denunciara, ano passado, que, durante a gestação da reforma, Caetano se reuniu com os principais executivos das empresas de previdência privada e instituições financeiras do país. O projeto apresentado pelo Governo Temer dificulta a tal ponto a aposentadoria por tempo de contribuição que praticamente joga o trabalhador na direção de um plano de previdência privado (que, como vemos na nota abaixo, tem uma participação muito pequena na economia brasileira, comparado ao outros países).

Fundos

Em dezembro de 2016, os mercados de fundos de pensão em 22 países analisados pela empresa de consultoria Willis Towers Watson tinham pouco mais de US$ 36 trilhões em ativos, o que equivale a 62% do PIB dessas economias.

Em relação ao PIB, a Holanda vem na frente, com 168% do Produto Interno Bruto, acumulando US$ 1,3 trilhão. Em termos nominais, os Estados Unidos lideram com mais da metade dos ativos mundiais. São US$ 22,5 trilhões, equivalente a 121% do PIB.

Também se destacam na proporção a suas economias a Austrália (126% do PIB, US$ 1,6 trilhão), a Suíça (123%, US$ 817 bilhões), o Reino Unido (108%, US$ 2,8 trilhões) e o Canadá (103%, US$ 1,6 trilhão).

No Brasil, o estudo só contempla as entidades fechadas, levando a um saldo de US$ 251 bilhões, 14% do PIB nacional.

Carro tecnológico

Segurança em acidentes, confiabilidade, economia de combustível e baixo custo de manutenção ficam no topo da lista das características de veículos consideradas mais importantes pelos consumidores. Mas a tecnologia disponível para motorista ganha terreno, com 36% de entrevistados online pela empresa de pesquisas GfK classificando o item como “muito importante.

O Brasil (48%), a China (43%) e a Coreia (42%) têm as maiores porcentagens em relação à tecnologia de ponta voltada para o motorista (por exemplo, direção ou auxílio para estacionar, sistema de piloto automático, sistema central de travas elétricas ou de ignição). A pesquisa foi realizada em 17 países.

Saúde

Com a licença de Eliseu Padilha, para tratar da próstata, o Governo Temer perde, em uma semana, dois ministros que alegaram problemas de saúde – José Serra pediu para sair na quarta-feira. Não deixa de ser uma mudança para um governo que perdia um ministro por mês devido a escândalos. Mas Temer não deve se animar: Padilha e Serra também estão envolvidos na Lava Jato. O distanciamento, antes que saudável, parece visar uma vantagem na luta contra as delações da Odebrecht.

Corpo são

Se o combate ao Aedes aegypti não dá mostra de sucessos, uma alternativa é reforçar o sistema imunológico para evitar dengue, chikungunya e zika. De acordo com Eliete M. M. Fagundes, terapeuta homeopata e coordenadora do curso de Formação em Ciência da Homeopatia do Instituto Tecnológico Hahnemann, “devemos sempre estar fortalecidos para nos tornarmos imunes a qualquer tipo de agressão do ambiente, principalmente vírus, bactérias, parasitas”.

Quem quiser se aprofundar em homeopatia pode recorrer ao Instituto, que inicia no primeiro trimestre os cursos de 2017, no Rio, São Paulo e Brasília. Informações em www.homeopatias.com

Rápidas

Bom Carnaval para todos, diversão para quem procura, tranquilidade para quem assim prefere.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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